Mesmo a jeito daquilo que escrevi em baixo relativamente à atitude fiscalizadora do parlamento. Eu explico: a respeito dos dois votos a favor do projecto do PSD sobre a suspensão da avaliação dos professores, protagonizadas por duas deputadas do PS, Alberto Martins (líder da bancada da maioria) frisou, circunspecto, o valor da "liberdade de opinião", adiantando, todavia, que esta atitude não deixa de constituir um claro "erro político". Não satisfeito, lembrou, candidamente, um outro aspecto: o da "responsabilidade individual".
Será que Eugénia Alho e Júlia Caré (Manuel Alegre, estranhamente - ou talvez não - absteve-se) - as duas inconvenientes deputadas - terão capacidade de entendimento de mensagens subliminares?!...
quinta-feira, janeiro 08, 2009
o desafio de manuela ferreira leite
Manuela Ferreira Leite fez bem em desafiar o primeiro-ministro para um debate público na televisão sobre a situação económica nacional e internacional; José Sócrates esteve mal ao ter delegado a resposta para Santos Silva, ministro dos Assuntos Parlamentares, ainda por cima com o argumento raquítico de que o debate se apresenta na Assembleia da República, que é o órgão de fiscalização política do executivo e da democracia". Acrescentou ainda, cinicamente, "que este mês, o primeiro-ministro terá debates nos dias 14 e 28. Debate com todos os partidos políticos e com os respectivos líderes. Não é uma responsabilidade do Governo o facto de a drª Manuela Ferreira Leite não ser deputada do PSD".
Deivia estar caladinho Santos Silva. O parlamento não é, nos dias de hoje, órgão de fiscalização. Nem da democracia nem de coisa alguma.
Deivia estar caladinho Santos Silva. O parlamento não é, nos dias de hoje, órgão de fiscalização. Nem da democracia nem de coisa alguma.
terça-feira, janeiro 06, 2009
o futebol português
Viajava e ouvia o relato do Trofense - Benfica. A equipa visitada ganhou por 2-0, como, aliás, todo o país sabe. O jogo acabou e seguiram-se as análises imbecis dos comentadores desportivos. Quem não conhecesse a realidade portuguesa, julgaria estar perante uma infame derrota nas competições europeias de um clube português. Com efeito, os senhores da bola passaram 45 minutos a analisar (!) as tácticas, os jogadores, o treinador, os treinos, o antes, o muito antes, o ano passado, o amanhã, o depois de amanhã... de um clube: o Benfica. O Trofense, coitado, nem a uma gota de afectação teve direito. O Benfica perdeu e a culpa é de todos menos do Trofense, que foi melhor.
Mais uma nota para os comentadores desportivos: vejam os outros campeonatos e digam um que seja mais competitivo do que o português.
Por último, para aqueles que aceitam com gáudio a redução de equipas no primeiro campeonato: o último (e um sério candidato à descida) ganhou ao primeiro (um sério candidato ao primeiro lugar).
Mais uma nota para os comentadores desportivos: vejam os outros campeonatos e digam um que seja mais competitivo do que o português.
Por último, para aqueles que aceitam com gáudio a redução de equipas no primeiro campeonato: o último (e um sério candidato à descida) ganhou ao primeiro (um sério candidato ao primeiro lugar).
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as previsões do banco de portugal
Se as putativas previsões de Inverno do Banco de Portugal estiverem certas, uma coisa se releva: o crescimento previsto para 2010 não conseguirá suplantar o crescimento negativo (estranho eufemismo), tanto no Produto Interno Bruto (0,8% para 0,3 em 2010), como também nas exportações (cairão 3,6% em 2009). Daí que no final de 2010 o país não estará melhor. Pelo contrário, dá três passos atrás e um para a frente. Aliás, já andamos às arrecuas desde há seis meses, com também salientaram, neste relatório de Inverno, os senhores do Banco de Portugal. Neste caso concreto, a máxima do João Pinto, materializou-se: "prognósticos só no final do jogo".
segunda-feira, janeiro 05, 2009
brincando à educação
É daquelas em que custa acreditar. O secretário de estado Jorge Pedreira revelou que o o ministério está a ponderar retirar a proposta sobre concursos de colocação de professores. Tudo porque os sindicatos (ainda) não desconvocaram a greve do dia 19 de Janeiro. Trata-se das bonificações decorrentes das classificações de Muito Bom e Excelente. Ou seja: o que antes contava para efeitos de concurso (os professores com estas classificações seriam bonificados) deixou de ter qualquer importância para, agora, se retomar o que antes o ministério da educação achou por bem desobrigar. É simplesmente mais um episódio lamentável desta estranhíssima equipa que tutela a educação do país. Não só é revelador da manifesta incapacidade estrutural destas personagens, como também nos ajuda a conhecer com maior domínio as intrigantes veredas das suas personalidades.
sexta-feira, janeiro 02, 2009
a banca (acrescentamento)
Em relação ao último post de 2008, quero precisar o seguinte: as palavras que orientam a missiva do banco são as seguintes: "A partir de 1/02/2009 passarão a ser cobradas as seguintes comissões: 5 euros, acrescidos de 4% de imposto de selo, por cada dia que a conta à ordem se encontre em situação de descoberto acidental; comissão de 20 euros, acrescida de 4% de imposto de selo, por cada cheque pago sem que a conta à ordem esteja devidamente aprovisionada."
Ao ler estas palavras recordei a figurinha do presidente do BPI no programa Prós e Contras, quando notou que o seu banco respira uma saúde invejável, através, entre outras coisas, dos investimentos na banca angolana (eu penso que deve ser o oposto, como se viu com a aquisição de 9,69% das acções que o MillenniumBCP possuía do banco liderado por Fernando Ulrich, por Isabel dos Santos, filha de José Eduardo dos Santos, presidente de Angola). Na verdade, não se compreende (e o governo aqui deveria ter uma palavra de afirmação, pois a alteração dos códigos de conduta éticos tem que passar de forma eficaz pelo Estado) como é que esta gente continua a sua senda de exploração dos mais fracos.
Tudo isto conduz-nos a uma infeliz reflexão, a qual passa pela evidência que, afinal, a tão desejada e proclamada mudança ética não passará de uma evidência entristecida, isto é, mais do mesmo.
Ao ler estas palavras recordei a figurinha do presidente do BPI no programa Prós e Contras, quando notou que o seu banco respira uma saúde invejável, através, entre outras coisas, dos investimentos na banca angolana (eu penso que deve ser o oposto, como se viu com a aquisição de 9,69% das acções que o MillenniumBCP possuía do banco liderado por Fernando Ulrich, por Isabel dos Santos, filha de José Eduardo dos Santos, presidente de Angola). Na verdade, não se compreende (e o governo aqui deveria ter uma palavra de afirmação, pois a alteração dos códigos de conduta éticos tem que passar de forma eficaz pelo Estado) como é que esta gente continua a sua senda de exploração dos mais fracos.
Tudo isto conduz-nos a uma infeliz reflexão, a qual passa pela evidência que, afinal, a tão desejada e proclamada mudança ética não passará de uma evidência entristecida, isto é, mais do mesmo.
quinta-feira, janeiro 01, 2009
a ironia de vasco graça moura
Vasco Graça Moura resolveu terminar o ano com um artigo telegráfico publicado no DN, no qual expõe o falhanço deste governo. Falhanço esse que, segundo o escritor, se patenteia em toda a linha, desde a justiça, passando pela saúde e educação, índices de desenvolvimento e solidariedade, carga fiscal e investimento privado, finanças e economia, etc. Mas a ironia vem mesmo no final, quando diz: "É patente que este Governo não serve. Se não serve, há que substituí-lo o mais depressa possível. O PSD tem de garantir que isso vai acontecer. De resto, só o PSD tem condições para fazê-lo".
Será que, de Bruxelas, Vasco Graça Moura segue, com a dose de realidade necessária, o PSD?
Será que, de Bruxelas, Vasco Graça Moura segue, com a dose de realidade necessária, o PSD?
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