Viajava e ouvia o relato do Trofense - Benfica. A equipa visitada ganhou por 2-0, como, aliás, todo o país sabe. O jogo acabou e seguiram-se as análises imbecis dos comentadores desportivos. Quem não conhecesse a realidade portuguesa, julgaria estar perante uma infame derrota nas competições europeias de um clube português. Com efeito, os senhores da bola passaram 45 minutos a analisar (!) as tácticas, os jogadores, o treinador, os treinos, o antes, o muito antes, o ano passado, o amanhã, o depois de amanhã... de um clube: o Benfica. O Trofense, coitado, nem a uma gota de afectação teve direito. O Benfica perdeu e a culpa é de todos menos do Trofense, que foi melhor.
Mais uma nota para os comentadores desportivos: vejam os outros campeonatos e digam um que seja mais competitivo do que o português.
Por último, para aqueles que aceitam com gáudio a redução de equipas no primeiro campeonato: o último (e um sério candidato à descida) ganhou ao primeiro (um sério candidato ao primeiro lugar).
terça-feira, janeiro 06, 2009
as previsões do banco de portugal
Se as putativas previsões de Inverno do Banco de Portugal estiverem certas, uma coisa se releva: o crescimento previsto para 2010 não conseguirá suplantar o crescimento negativo (estranho eufemismo), tanto no Produto Interno Bruto (0,8% para 0,3 em 2010), como também nas exportações (cairão 3,6% em 2009). Daí que no final de 2010 o país não estará melhor. Pelo contrário, dá três passos atrás e um para a frente. Aliás, já andamos às arrecuas desde há seis meses, com também salientaram, neste relatório de Inverno, os senhores do Banco de Portugal. Neste caso concreto, a máxima do João Pinto, materializou-se: "prognósticos só no final do jogo".
segunda-feira, janeiro 05, 2009
brincando à educação
É daquelas em que custa acreditar. O secretário de estado Jorge Pedreira revelou que o o ministério está a ponderar retirar a proposta sobre concursos de colocação de professores. Tudo porque os sindicatos (ainda) não desconvocaram a greve do dia 19 de Janeiro. Trata-se das bonificações decorrentes das classificações de Muito Bom e Excelente. Ou seja: o que antes contava para efeitos de concurso (os professores com estas classificações seriam bonificados) deixou de ter qualquer importância para, agora, se retomar o que antes o ministério da educação achou por bem desobrigar. É simplesmente mais um episódio lamentável desta estranhíssima equipa que tutela a educação do país. Não só é revelador da manifesta incapacidade estrutural destas personagens, como também nos ajuda a conhecer com maior domínio as intrigantes veredas das suas personalidades.
sexta-feira, janeiro 02, 2009
a banca (acrescentamento)
Em relação ao último post de 2008, quero precisar o seguinte: as palavras que orientam a missiva do banco são as seguintes: "A partir de 1/02/2009 passarão a ser cobradas as seguintes comissões: 5 euros, acrescidos de 4% de imposto de selo, por cada dia que a conta à ordem se encontre em situação de descoberto acidental; comissão de 20 euros, acrescida de 4% de imposto de selo, por cada cheque pago sem que a conta à ordem esteja devidamente aprovisionada."
Ao ler estas palavras recordei a figurinha do presidente do BPI no programa Prós e Contras, quando notou que o seu banco respira uma saúde invejável, através, entre outras coisas, dos investimentos na banca angolana (eu penso que deve ser o oposto, como se viu com a aquisição de 9,69% das acções que o MillenniumBCP possuía do banco liderado por Fernando Ulrich, por Isabel dos Santos, filha de José Eduardo dos Santos, presidente de Angola). Na verdade, não se compreende (e o governo aqui deveria ter uma palavra de afirmação, pois a alteração dos códigos de conduta éticos tem que passar de forma eficaz pelo Estado) como é que esta gente continua a sua senda de exploração dos mais fracos.
Tudo isto conduz-nos a uma infeliz reflexão, a qual passa pela evidência que, afinal, a tão desejada e proclamada mudança ética não passará de uma evidência entristecida, isto é, mais do mesmo.
Ao ler estas palavras recordei a figurinha do presidente do BPI no programa Prós e Contras, quando notou que o seu banco respira uma saúde invejável, através, entre outras coisas, dos investimentos na banca angolana (eu penso que deve ser o oposto, como se viu com a aquisição de 9,69% das acções que o MillenniumBCP possuía do banco liderado por Fernando Ulrich, por Isabel dos Santos, filha de José Eduardo dos Santos, presidente de Angola). Na verdade, não se compreende (e o governo aqui deveria ter uma palavra de afirmação, pois a alteração dos códigos de conduta éticos tem que passar de forma eficaz pelo Estado) como é que esta gente continua a sua senda de exploração dos mais fracos.
Tudo isto conduz-nos a uma infeliz reflexão, a qual passa pela evidência que, afinal, a tão desejada e proclamada mudança ética não passará de uma evidência entristecida, isto é, mais do mesmo.
quinta-feira, janeiro 01, 2009
a ironia de vasco graça moura
Vasco Graça Moura resolveu terminar o ano com um artigo telegráfico publicado no DN, no qual expõe o falhanço deste governo. Falhanço esse que, segundo o escritor, se patenteia em toda a linha, desde a justiça, passando pela saúde e educação, índices de desenvolvimento e solidariedade, carga fiscal e investimento privado, finanças e economia, etc. Mas a ironia vem mesmo no final, quando diz: "É patente que este Governo não serve. Se não serve, há que substituí-lo o mais depressa possível. O PSD tem de garantir que isso vai acontecer. De resto, só o PSD tem condições para fazê-lo".
Será que, de Bruxelas, Vasco Graça Moura segue, com a dose de realidade necessária, o PSD?
Será que, de Bruxelas, Vasco Graça Moura segue, com a dose de realidade necessária, o PSD?
quarta-feira, dezembro 31, 2008
os bancos
Recebi, como é normal todos os meses, uma carta do banco com o extracto mensal dos débitos e dos créditos. Só que, desta vez, o quadro contabilístico vinha acompanhado com uma espécie de comunicado, avisando com seriedade o cliente que, a partir de agora, uma conta a descoberto vai ser taxada com uma multa diária à ordem de vinte euros por dia. Todo o teor da carta era mais ou menos assim, notando-se, em cada palavra, em cada linha, em cada letra impressa um ajuste de contas com a vida. Tenho pena de a ter remetido para o lixo, apesar de ser o lugar onde melhor se enquadra. Mas tenho a certeza que no próximo mês os mesmos caracteres aparecerão, circunspectos, na minha caixa de correio. O que verdeiramente me espanta é o meu espanto na leitura da missiva. Pensava que os senhores dos bancos tinham ainda um pouco de vergonha na cara. Ou nas montras.
segunda-feira, dezembro 29, 2008
o não caos nos hospitais
A ministra Ana Jorge rejeitou a ideia que se viveu, em alguns hospitais, um caos. Refere mesmo, desassombrada, que "houve uma excelente resposta de todos os serviços de saúde". Confesso que nunca esperei doze horas numa urgência para ser atendido. Mas a ideia que eu tenho de entropia não anda muito longe do que milhares de pessoas viveram nestes últimos dias em redor de (algum) sistema hospitalar português.
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