Registo somente o parecer de Regina Bastos, vice-presidente da bancada do PSD. Afirma a deputada que o papel de deputado não se compadece com sanções pecuniárias", face à horadez e dignidade do cargo.
Naturalmente que sim, pois os deputados representam, na chamada "casa da democracia", o povo português e, só esse facto, lhes confere uma dignidade sem paralelo relativamente a outros cargos representativos. Acontece que estão mal habituados. E o que se passou recentemente com as faltas dos deputados do PSD em número suficiente para fazer passar uma lei votada no Parlamento (a suspensão dos professores, imagine-se!), revela bem o nível dos nossos representantes. É que estes senhores,segundo rezam as crónicas internas do PSD, foram previamente avisados da importância da votação. Mesmo assim, preferiram baldar-se, esquecendo-se que também representam muitos milhares de professores que acreditaram nas suas representações.
segunda-feira, dezembro 08, 2008
sábado, dezembro 06, 2008
a independente elisa ferreira
Elisa Ferreira discursa neste momento na televisão, numa entrevista ao canal 2 e à Rádio Renascença. Confesso que me está a desiludir um pouco. É uma personagem simpática, mas não consegue sair duma certa anemia intelectual. Por exemplo, não conseguiu explicar por que se candidata a deputada ao Parlamento Europeu e a presidente da Câmara do Porto; espalha-se quando disserta sobre o que é ser de esquerda hoje em dia; não entende a educação e esboça umas críticas aos professores grosseiras, do tipo "os professores faltavam e não lhes acontecia nada" (ai o Parlamento Europeu...). Mas o que me espantou verdadeiramente é a capacidade que os independentes têm de se transfigurarem, ao ponto de serem os primeiros a defenderem o partido que não têm. Jorge Coelho nunca gostou de independentes dentro da máquina partidária. Lá tinha as suas razões.
as ausências e paulo rangel
Curiosas são também as declarações de Paulo Rangel, presidente do grupo parlamentar do PSD, ao afirmar que "os números decisivos foram os do PS" e não, como deixou implicitamente sublinhado, as três dezenas de deputados do seu partido que não compareceram à votação. Paulo Rangel defende-se de forma angélica, partindo do pressuposto que se todos os deputados estivessem presentes, o diploma do CDS-PP – pedindo a suspensão do modelo de avaliação dos professores – naturalmente não passaria, visto que a maioria absoluta mora, como sabemos, no lado do Partido Socialista. Acontece que, mesmo com 121 deputados que fazem parte do partido do governo, o PSD ainda conseguiu marcar mais ausências do que o PS: 30 a 13.
Mas o que se torna revelador, no meio disto tudo, é a forma hipócrita como os responsáveis políticos olham para os problemas da população em geral e, neste caso, para a avaliação dos professores. É que eu vi, como todos os portugueses viram, muitos dos principais líderes da oposição, designadamente do PSD, exigirem a suspensão deste processo de avaliação. Ora, quando, finalmente, existe uma proposta partidária – neste caso, do CDS –, a qual, ao nível do Parlamento, podia efectivamente suspender todo este imbróglio, os senhores deputados (que representam o povo português, convém sempre sublinhar esta verdade teórica) não compareceram à votação do diploma. No meio de tudo isto, Manuela Ferreira Leite chamou Paulo Rangel para lhe pedir esclarecimentos, frisando que este triste acontecimento jamais se poderá repetir. Acontece que "este triste acontecimento" não é virgem na história recente do parlamentarismo português. De facto, situações como esta já decorreram por várias vezes e o resultado tem sido, invariavelmente, sempre o mesmo: "isto não pode tornar a acontecer". Mas acontece e acontecerá, enquanto não tivermos, ao nível dos senhores que se sentam naquelas cadeiras da Assembleia da República, um verdadeira representação democrática do povo português.
Mas o que se torna revelador, no meio disto tudo, é a forma hipócrita como os responsáveis políticos olham para os problemas da população em geral e, neste caso, para a avaliação dos professores. É que eu vi, como todos os portugueses viram, muitos dos principais líderes da oposição, designadamente do PSD, exigirem a suspensão deste processo de avaliação. Ora, quando, finalmente, existe uma proposta partidária – neste caso, do CDS –, a qual, ao nível do Parlamento, podia efectivamente suspender todo este imbróglio, os senhores deputados (que representam o povo português, convém sempre sublinhar esta verdade teórica) não compareceram à votação do diploma. No meio de tudo isto, Manuela Ferreira Leite chamou Paulo Rangel para lhe pedir esclarecimentos, frisando que este triste acontecimento jamais se poderá repetir. Acontece que "este triste acontecimento" não é virgem na história recente do parlamentarismo português. De facto, situações como esta já decorreram por várias vezes e o resultado tem sido, invariavelmente, sempre o mesmo: "isto não pode tornar a acontecer". Mas acontece e acontecerá, enquanto não tivermos, ao nível dos senhores que se sentam naquelas cadeiras da Assembleia da República, um verdadeira representação democrática do povo português.
a suspensão por um fio
Ao que parece, foi mesmo verdade que a suspensão da avaliação dos professores não ocorreu hoje no Parlamento porque faltaram trinta deputados do PSD. Quer isto dizer que também não compareceram não sei quantos do PS. Tudo isto revela a distância entre o ser e o parecer. Afinal, não anda o PSD a proclamar o fim desta pseudo-reforma da educação? E o PS? Não deseja o contrário? E não aparecem à votação?!...
quinta-feira, dezembro 04, 2008
os ajudantes da ministra
Um diz que uma greve de quase 100% de adesão não ultrapassou os 61% e que estes foram, apesar de tudo, significativos; outro interpreta mal as palavras que a ministra proferiu na Assembleia da República, quando esta admitiu um novo modelo de avaliação.
De facto, o clima para os lados do Ministério da Educação adensa-se de forma incontornável. Mas vale a pena colocar uma questão: a quem serve este clima de guerrilha? Resposta provável: a José Sócrates. Lá para Janeiro, com o cheiro das eleições a aflorar, o nosso primeiro vai desbloquear, admiravelmente, a situação.
De facto, o clima para os lados do Ministério da Educação adensa-se de forma incontornável. Mas vale a pena colocar uma questão: a quem serve este clima de guerrilha? Resposta provável: a José Sócrates. Lá para Janeiro, com o cheiro das eleições a aflorar, o nosso primeiro vai desbloquear, admiravelmente, a situação.
a greve e alguns grevistas
Fazer greve é uma coisa. Fazer greve e ir para as portas das escolas é outra. Fazer greve e ir para as portas das escolas cantarolar umas músicas com letras pretensamente humorísticas em que a ministra é, invariavelmente, o centro das atenções é, ainda, outra coisa. Não sei se a chamada classe docente sabe, mas a divisão (entre professores e professores) também se pode regular neste tipo de sinais. Provavelmente, até seria um bom método de discriminação.
segunda-feira, dezembro 01, 2008
bpp e outros bancos
Por muito que cogite, não consigo entender o que leva seis bancos a financiar um outro banco. Ainda para mais quando a maior parte desses seis bancos já afirmou, categoricamente, que vai recorrer ao aval de 20 mil milhões de euros que o Estado disponibilizou para... não afundarem! Para além disso, podemos esboçar a seguinte questão: quem serve mesmo o Banco Privado Português? E, já agora, o BPN?...
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