quinta-feira, dezembro 04, 2008

a greve e alguns grevistas

Fazer greve é uma coisa. Fazer greve e ir para as portas das escolas é outra. Fazer greve e ir para as portas das escolas cantarolar umas músicas com letras pretensamente humorísticas em que a ministra é, invariavelmente, o centro das atenções é, ainda, outra coisa. Não sei se a chamada classe docente sabe, mas a divisão (entre professores e professores) também se pode regular neste tipo de sinais. Provavelmente, até seria um bom método de discriminação.

segunda-feira, dezembro 01, 2008

bpp e outros bancos

Por muito que cogite, não consigo entender o que leva seis bancos a financiar um outro banco. Ainda para mais quando a maior parte desses seis bancos já afirmou, categoricamente, que vai recorrer ao aval de 20 mil milhões de euros que o Estado disponibilizou para... não afundarem! Para além disso, podemos esboçar a seguinte questão: quem serve mesmo o Banco Privado Português? E, já agora, o BPN?...

quinta-feira, novembro 27, 2008

magalhães para timor

Gostei também de ouvir Xanana Gusmão falar do Magalhães...

(adenda: tenho mesmo que acrescentar que a frase de cima tem que ser olhada através "do manto diáfano da fantasia...")

a avaliação

O processo de avaliação dos professores encontra-se numa grande confusão, em que todos os protagonistas - ministério, sindicatos e professores - tentam, de algum modo, salvar a face. A ministra, que até aqui parecia um muro de betão armado, começa a dar sinais de evidente recuo, ao aligeirar, desarranjadamente, aquilo que apresentou como um projecto final. Acontece que as alterações propostas implicam, neste momento, uma confusão acrescida, em que o que era obrigatório antes, se tornou agora alternável, assim como varia - e de que maneira - o grau de importância de certos procedimentos. Ora, tudo isto nos faz reflectir sobre a efectiva capacidade da gente que gravita nos corredores do ministério da educação. A mim, pessoalmente, nunca me enganaram, ao contrário do que se passou com a maioria dos comentadores políticos da nossa praça, que sempre vislumbraram em Maria Lurdes Rodrigues uma espécie de D. Sebastião de saias. Alguns ainda resistem no panegírico. Mas estou em crer que esse (apesar de tudo) parco clima laudatório que ainda subsiste tem mais a ver com o desconhecimento do processo educativo. O regozijo com que a Ministra e Secretários de Estado se manifestaram relativamente à subida da média nacional de algumas disciplinas é exemplo da maneira como a educação é encarada. É que ninguém pode acreditar que, de um ano para o outro, a "reforma" (naturalmente entre aspas) começa a dar resultados palpáveis. Em educação, qualquer processo transformador tem que aguardar alguns anos (um ciclo de estudos?) para que os somatórios se possam espelhar num quadro comparativo. O PISA 2009 está aí à porta e, ou muito me engano, ou vamos ter uma grande decepção.
Por outro lado, os sindicatos não estão, neste momento, numa situação melhorada. Vieram agora com a exigência (normal e aconselhável) de suspender o processo de avaliação, ao mesmo tempo que propõem uma espécie de documento de auto-avaliação, o qual será acompanhado pelo conselho pedagógico. Dizem eles que é "uma solução simples, não administrativa e focada na vertente pedagógica que permita aos docentes serem avaliados este ano". Pois está visto que sim. Simples até demais. Na verdade, mais simples do que o que existia até então. A mensagem desta proposta não pode ter vindo na pior altura. Bastava aos sindicatos afirmarem desavergonhadamente, o seguinte: nós propomos reconstrução da avaliação que existia. Ponto final. Seria, portanto, a base de trabalho de um novo processo de avaliação. O que agora os sindicatos alvitraram é pior do que existia. A situação a que se chegou é, pois, caricata: de um lado, o ministério a remendar o que, concludentemente, sugeriu; do outro, o sindicato a inventar, aligeirando ainda mais o modelo que existia. Dito de outra maneira, ambos estão presos às suas próprias irredutibilidades.

(esboço do artigo publicado no jornal A Voz de Trás-os-Montes em 04/12/2008)

terça-feira, novembro 25, 2008

os cartazes em louvor de sócrates

Começa-me verdadeiramente a incomodar alguns cartazes que aparecem na televisão, aquando das visitas de Sócrates para inaugurar alguma coisa ou para distribuir não sei o quê num qualquer sítio carenciado, com mensagens tão asneadas como "obrigado Sócrates". Que eu saiba, era assim que Salazar era muitas vezes recebido em alguns desses lugares, por algumas pessoas que, curiosamente, são as mesmas que agora empunham esses ditos. Ou melhor, as mesmas (de carne e osso) naturalmente não podem ser, mas o princípio, esse desarranjo social que foi paulatinamente alicerçado na sociedade portuguesa do Estado Novo, persiste em se manter como uma verdadeira idiossincrasia psiconormativa da embriaguez política de alguns políticos.

sexta-feira, novembro 21, 2008

os remendos da ministra

A pergunta que deve ser feita, no meio de toda esta nevrose educativa, é a seguinte: o que levou Maria de Lurdes Rodrigues a alterar o que até então parecia inatacável? Apesar da retórica de costume, estou em crer que esta atitude da ministra a coloca num estado de fragilidade extrema. Pior do que isso, revela que se perdeu imenso tempo numa simples teimosia. Daí que a demissão deveria ter sido o posicionamento (político e intelectual) mais honesto.

terça-feira, novembro 18, 2008

hino ao cinismo político

Se podemos erigir declarações que desenvolvam cristalinamente o âmbito do despudor político, o que Pedro Passos Coelho afirmou de Manuela Ferreira Leite (a respeito do que esta disse sobre um hipotético congelamento da democracia por seis meses) revela-se, de forma peremptória, um verdadeiro paradigma. Vale a pena transcrever:
"[Manuela Ferreira Leite] corrigirá com certeza as suas afirmações [porque] não pode ter querido dizer aquilo que disse (...) todos temos dias melhores e dias piores e hoje não foi certamente um dia em que a dra. Ferreira Leite tenha estado bem, até porque há matérias em que um candidato a primeiro-ministro não pode deixar dúvidas nem ironizar (...) Tenho a certeza que a dra. Ferreira Leite não deixará de corrigir com rapidez o que não pode ter querido dizer".
O melhor, claro, vem no final: "Não contem comigo para estar a castigar publicamente a presidente do PSD, do meu partido".
Claro que não, Pedro, claro que não!...

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...