segunda-feira, novembro 17, 2008

os cara tapada

Que raio de sentimento de impunidade pairará na massa encefálica de algumas criaturas quando, por exemplo, se dirigem, ameaçadora e disfarçadamente, aos polícias e jornalistas que esperam, à porta do tribunal, os seus colegas de uma claque de futebol, os quais hão de chegar numa carrinha celular? Na verdade, esta gente que anda por aí em claques de futebol ditas organizadas, muitas das quais parecem pequenas empresas, tem, a meu ver, tempo de antena a mais. Daí que a comunicação social, que gosta deste tipo de manifestações energúmenas, tenha também a sua quota-parte de responsabilidade. Aliás, é muito difícil, hoje em dia, desanexarmos a importância da televisão (um dos grande educadores dos tempos que correm) do que de muito de medonho se passa na nossa sociedade. Neste sentido, basta olharmos com atenção para as grelhas dos três canais generalistas, para a boçalidade que lá grassa, para entendermos que caminhamos para uma espécie de deseducação social e cívica. Assim, quando estes meninos deixarem de aparecer nos ecrãs das televisões, desencadear-se-á nesse mesmo instante o início do fim das suas efémeras relevâncias.

domingo, novembro 16, 2008

o fim do silêncio de manuela ferreira leite

Afinal, estava tudo programado. Manuela Ferreira Leite, a pouco mais de meio ano de um processo eleitoral longo e previsivelmente desgastante, iniciou um conjunto de ataques sectoriais à governação socialista. Dois alvos, por agora, e logo dos mais fragilizados (apetece perguntar: quem são os ministros deste governo que não se encontram em posições delicadas, muitos deles completamente desacreditados?...): a educação e a agricultura. No entanto, a líder do PSD não se livra das críticas. Agora já não por não falar, mas antes por falar e não apresentar alternativas. É um facto que Manuela costuma pôr-se a jeito, isto é, realiza (do ponto de vista verbal), alguns disparates (relação casamento procriação, por ex.). Mas também parece certo que a candidata a primeiro-ministro manifesta umas parecenças, relativamente ao modus operandi, com o seu amigo Cavaco Silva. Deste modo, estou propenso a crer que dentro de um ou dois meses elas (as propostas) aparecerão. Até lá, Manuela Ferreira Leite continuará a alimentar o escárnio jornalístico. E este, como sabemos, também conta.

sexta-feira, novembro 14, 2008

o exemplo dos professores de viseu

Alguns professores de Viseu vão processar José Sócrates por este ter afirmado que os professores nunca foram avaliados. Pela minha parte, congratulo-me pelo facto de as televisões terem finalmente dado relevo a uma verdade indesmentível. Com efeito, os professores sempre foram avaliados. É verdade que o processo de avaliação dos professores caiu numa espécie de inoperância orgânica. Todavia, tal facto não tinha obrigatoriamente que resultar na confusão que actualmente se vive. E se a culpa é maioritariamente da equipa de Maria de Lurdes Rodrigues, a qual se meteu num processo de avaliação sem saber ao certo do que se tratava (ao jeito de um experimentalismo pseudo-paliativo), também é verdade que os professores desde muito cedo se envergonharam na avaliação que haviam praticado até então nas escolas. Assim, bastaria a sustentação reiterada dessa verdade (com a óbvia determinação de desejar melhorias nesse mesmo processo avaliativo), para que a razão sempre morasse no lado das escolas, isto é no lado dos professores (afinal, as escolas são os professores e não o ministério). Mas não! Conhecedora das fragilidades da classe, Maria de Lurdes Rodrigues nunca desarmou e, teimosa e inscientemente, tenta levar a bom termo uma avaliação obtusa e incoerente.

(esboço do artigo publicado no jornal A Voz de Trás-os-Montes, em 20\11\2008)

quinta-feira, novembro 13, 2008

as desculpas de maria de lurdes

"Peço desculpa aos senhores professores de ter causado tanta desmotivação, mas é do interesse do país, dos alunos e das escolas. Espero que as escolas, os alunos e o país possam beneficiar desta disponibilidade dos professores para estar mais tempo na escola, é isso que eu espero".
É este tipo de frase, cínica na sua essência, que desacredita todo o edifício político do país. De facto, quando se olha para a ministra da educação declarar, com uma extraordinária candura, as desculpas aos professores pela desmotivação causada, não se vê mais do que a parte abjecta da política. Para além disso, nota-se que lhe restam já poucas, pouquíssimas saídas dignificantes deste seu cubículo infernal em que se tornou o seu ministério. Maria de Lurdes Rodrigues é, politicamente, inábil. Os seus secretários de estado são inábeis em tudo. Pelos vistos, querem afundar acreditando, sozinhos, num sistema de avaliação que ninguém aceita. É lá com eles. Mas o facto de não colocarem o lugar à disposição de Sócrates (o mínimo acto público que, nestas circunstâncias, é exigido) é revelador do perfil democrático desta gente.

a ministra, os secretários, os ovos, os tomates e os alunos

Lembram-se da aluna do Carolina Michaelis, no Porto, empurrando a professora por causa do seu telemóvel? Pois bem, multipliquem essa aluna por 200 ou 300, coloquem-nos às portas das escolas aquando de uma qualquer visita da ministra ou dos secretários de estado, e o resultado é uma espécie de omeleta de tomate. Ora, tanto o episódio de Fafe (as declarações do extraordinário presidente da Câmara, acusando os professores de mentores daquela turba, são verdadeiramente mentecaptas), como o da Escola Secundária D. Dinis, em Lisboa, revelam o perfil civilizacional da maior parte dos alunos das nossas escolas públicas. Daí que não entenda as declarações de duas professoras (daquela escola?), ao afirmarem, imbecilmente, que aqueles alunos são pacíficos e que nunca fizeram mal a ninguém. No entanto, estes amontoados de alunos vão, paradoxalmente, ao encontro das reivindicações dos professores no que diz respeito ao processo da avaliação de que estão a ser alvo. Explicando: alunos que contestam desta maneira uma ministra e dois secretários de estado, procederão, decerto, bem pior (numa relação proporcional ao processo de ensino-aprendizagem) dentro de uma sala de aulas. Daí que a Ministra da Educação deva reflectir no seguinte: esta atitude dos alunos é também um reflexo das políticas educativas que têm vindo a transformar - para pior - as escolas e, particularmente, o nível moral e cívico dos alunos. Numa perspectiva sistémica, em educação tudo se encontra interligado. Maria de Lurdes Rodrigues deveria saber isso.

terça-feira, novembro 11, 2008

a rentabilização dos estádios de futebol

Há assuntos que os governantes, mais tarde ou mais cedo, se vêem impelidos a aderir. Um mundial de futebol é um deles. Daí que Silva Pereira, o nosso ministro da Presidência, tenha dito que a ideia da organização (conjunta, com Espanha, até ver...) do mundial de futebol de 2018 pode ser uma boa forma de rentabilizar os estádios construídos aquando do Euro 2004. Como se sabe, a tendência megalómana e provinciana dos nossos governantes (um mal patológico do país) fez com que ficássemos com infra-estruturas desportivas à imagem da desigualdade social do país. Neste sentido, lembro-me de ver, quando foram apresentados os estádios para o Euro, a linha geográfica das cidades locatárias e dar por mim a reflectir (a concluir) que essa mesma linha não podia espelhar melhor a discriminação (outra imagem de marca do país) secular que o interior de Portugal tem sido alvo. Agora, Silva Pereira não arranja melhor argumento do que o da rentabilização dos estádios. Mais valia ter assumido, descomplexadamente, mais este "desígnio nacional".

o recado de manuel alegre

É evidente que concordo com os estados de alma de Manuel Alegre no que diz respeito à obsessão desastrosa de Maria de Lurdes Rodrigues para com todo este processo da avaliação dos professores e, particularmente, para com a manifestação que juntou a quase totalidade dos docentes, em Lisboa. De facto, Alegre anota dois ou três pontos importantes, os quais necessitam de debate urgente. Por exemplo, os programas e os conteúdos do ensino e também (acrescento eu) a própria carga horária completamente desajustada, assim como a primazia que se tem vindo a dar, de há uns anos para cá (em nome daquilo que se costuma designar por Ciências da Educação) das chamadas áreas curriculares não disciplinares. Já aqui escrevi a minha posição relativamente a este último aspecto. Com efeito, não consigo perceber, mesmo com muita força de vontade, as 4, 5 horas que os alunos do 2 e 3º ciclo do ensino básico passam, por semana, ao redor destas disciplinas. Bastaria olhar para o crescente aumento de casos de indisciplina nas escolas em alunos destes níveis de ensino, para verificarmos a inocuidade destas áreas disciplinares.
Todavia, o que me custa mais a entender, do ponto de vista de Alegre, é a sua preocupação relativamente a um resultado eleitoral que não permita ao PS alcançar a maioria absoluta. De acordo com o seu raciocínio, a continuação de Maria de Lurdes Rodrigues como ministra da Educação pode custar ao PS a maioria absoluta nas próximas eleições legislativas. Na verdade, na minha candura, nunca pensei que Alegre estivesse alguma vez preocupado com a maioria absoluta do PS. Na minha ingenuidade, eu até pensava que Alegre era contra a renovação dessa mesma maioria. Mas enfim, Alegre, o poeta-deputado; Alegre, o militante independente, Alegre, o ex-(e futuro)candidato presidencial é, afinal, também ele, um político... com tiques de político.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...