segunda-feira, agosto 25, 2008

futebol e televisão

Começou o futebol e começaram os comentários ao futebol por parte dos especialistas, isto é, por pessoas que são pagas (suponho que bem remuneradas) para falarem de futebol. Não tenho nada contra. Só gostava que houvesse um canal (aberto, claro) dedicado à temática. É que utilizar horas e horas de emissão das chamadas televisões generalistas para discutir os estados de alma dos jogadores e dos treinadores, com o nível de clareza que podemos muito bem ouvir em muitos táxis e em muitos cafés, pode ser, numa análise sociológica, interessante, mas que remete o principal meio de comunicação de massas (o ecrã da televisão) para uma espécie de estupidificação colectiva. Aquele organismo que regula tudo isto, que antigamente era Alta mas que passou a ser simplesmente Entidade Reguladora, deveria ter uma ou duas palavras a dizer sobre isto. Mas não tem.

(publicado no jornal Público em 26/08/08)

sexta-feira, agosto 22, 2008

o inacreditável ministro

Não, não é Manuel Pinho, nem aquele do Ambiente, nem a desajustada Lurdes Rodrigues. É o recorrente Mário Lino que não arranjou melhor argumento para justificar a construção do seu aeroporto do que o desastre de Barajas. Lamentável.

olímpiadas e o futebol

Ouço Nelson Évora após o seu notável feito e não posso deixar de construir um paralelo com os profissionais do futebol. Neste contexto, as diferenças são abissais. Enquanto uns estão montados em cima dos seus milhões de euros, outros (estes atletas e também, por exemplo, os ciclistas) são de uma humildade (talvez a expressão que melhor se enquadra seja honestidade) notável. É que ser atleta de alta competição é também isso. Hoje, por exemplo, li no jornal que um jogador do Manchester United vai todas as semanas com um Mercedes novo para os treinos, recebendo (da Mercedes) mais de um milhão de euros. Ouvimos os endeusados Cristianos Ronaldos e Quaresmas, entre muitos outros e o que notamos é um completo desfasamento entre o que é a realidade e o que eles representam nessa mesma realidade. Ou melhor, vivem (esses rapazes) num mundo de construções oníricas, no qual são moldados dentro de formas mais ou menos idênticas. Há, felizmente, excepções. Mas são cada vez menos. Pela minha parte, jamais alimentarei esse tipo de representatividade social e desportiva.

terça-feira, agosto 19, 2008

psd critica silêncio do primeiro-ministro

O título deste post é verdadeiro, mas pode muito bem ser interpretado à luz da ironia. Na verdade, acusar o governo, e em especial o primeiro-ministro, de nada dizer sobre os casos de violência que se têm vindo a presenciar em Portugal, quando o maior partido da oposição se remete a um verdadeiro mutismo político é, de facto, tragicamente irónico.

olimpíadas portuguesas

As declarações de Laurentino Dias, o secretário de Estado que tutela o desporto, estão ao nível das confissões dos atletas. Esta mania de fulanizar (como fez, aliás, José Sócrates com Obikwelu) os atletas, pedindo respeito aos portugueses por campeões como a Naide Gomes e o Nelson Évora é de quem não tem nada para dizer sobre a fraca prestação dos que foram à China. Laurentino Dias deveria acompanhar o presidente do Comité Olímpico Português.

segunda-feira, agosto 18, 2008

alguns olímpicos portugueses

Vanessa Fernandes criticou alguns atletas portugueses por não encararem com seriedade o desporto de alta competição. As suas palavras, duras, sublinham mesmo que "não é fazer meia dúzia de provas, andar a receber uma bolsa e está feito. Muitos não vêem bem a realidade das coisas. Não têm a noção do que isto significa".
Lembrei-me, de repente, das palavras do nosso lançador de peso, de seu nome Marco Fortes, quando justificou o desaire na modalidade que representa, ficando longe do seu recorde pessoal: "cheguei à conclusão que de manhã só estou bem na caminha. Lançar a esta hora foi muito complicado. Apesar de ter entrado bem na prova, com dois lançamentos longos com mais de 19 metros, no último lançamento as pernas queriam era estar esticadas na cama".
Ora, o que me espanta não é o desaire deste rapaz de 25 anos, recordista nacional do lançamento de peso. Afinal, ele não foi nenhuma excepção tendo em conta a fraca prestação dos nossos atletas. O que verdadeiramente me preocupa é imaginar que um grupo de rapazes e raparigas anda lá por Pequim completamente iludido: quando deviam estar em casa ou na praia (ou na caminha), alguns são obrigados a permanecer numa coisa que se chama aldeia olímpica. E Pequim é tão grande!...

reentré na madeira

Guilherme Silva vai avisando, a respeito do desafio de Jardim em criar um novo partido: "[As palavras de Jardim] devem ser reflectidas e ponderadas no sentido positivo. Isto é, fazer com que o partido assuma o papel que todos esperam e que se torne desnecessário a criação desta alternativa". Depois, deslocou o seu discurso para uma semiótica verbal: "Mas ainda estamos a uma distância temporal razoável para que essas lutas tenham lugar. Daí que o dr. Jardim coloque a questão de uma forma condicional."
Na verdade, não sei o que me parece mais digno de maior apontamento: se as palavras ligeiras de Alberto João Jardim, ou se a interpretação indolente e incauta do deputado Guilherme Silva.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...