terça-feira, agosto 19, 2008

olimpíadas portuguesas

As declarações de Laurentino Dias, o secretário de Estado que tutela o desporto, estão ao nível das confissões dos atletas. Esta mania de fulanizar (como fez, aliás, José Sócrates com Obikwelu) os atletas, pedindo respeito aos portugueses por campeões como a Naide Gomes e o Nelson Évora é de quem não tem nada para dizer sobre a fraca prestação dos que foram à China. Laurentino Dias deveria acompanhar o presidente do Comité Olímpico Português.

segunda-feira, agosto 18, 2008

alguns olímpicos portugueses

Vanessa Fernandes criticou alguns atletas portugueses por não encararem com seriedade o desporto de alta competição. As suas palavras, duras, sublinham mesmo que "não é fazer meia dúzia de provas, andar a receber uma bolsa e está feito. Muitos não vêem bem a realidade das coisas. Não têm a noção do que isto significa".
Lembrei-me, de repente, das palavras do nosso lançador de peso, de seu nome Marco Fortes, quando justificou o desaire na modalidade que representa, ficando longe do seu recorde pessoal: "cheguei à conclusão que de manhã só estou bem na caminha. Lançar a esta hora foi muito complicado. Apesar de ter entrado bem na prova, com dois lançamentos longos com mais de 19 metros, no último lançamento as pernas queriam era estar esticadas na cama".
Ora, o que me espanta não é o desaire deste rapaz de 25 anos, recordista nacional do lançamento de peso. Afinal, ele não foi nenhuma excepção tendo em conta a fraca prestação dos nossos atletas. O que verdadeiramente me preocupa é imaginar que um grupo de rapazes e raparigas anda lá por Pequim completamente iludido: quando deviam estar em casa ou na praia (ou na caminha), alguns são obrigados a permanecer numa coisa que se chama aldeia olímpica. E Pequim é tão grande!...

reentré na madeira

Guilherme Silva vai avisando, a respeito do desafio de Jardim em criar um novo partido: "[As palavras de Jardim] devem ser reflectidas e ponderadas no sentido positivo. Isto é, fazer com que o partido assuma o papel que todos esperam e que se torne desnecessário a criação desta alternativa". Depois, deslocou o seu discurso para uma semiótica verbal: "Mas ainda estamos a uma distância temporal razoável para que essas lutas tenham lugar. Daí que o dr. Jardim coloque a questão de uma forma condicional."
Na verdade, não sei o que me parece mais digno de maior apontamento: se as palavras ligeiras de Alberto João Jardim, ou se a interpretação indolente e incauta do deputado Guilherme Silva.

“Silly season” e “reentré”

Aos poucos se vai definindo a “reentré” dos partidos políticos. No entanto, tivemos que atravessar a chamada “silly season”. Nada de extraordinário, se tivermos em conta que tudo isto faz parte duma espécie de ritualização que todos os anos nos obriga a olhar o mundo em geral e Portugal em particular da forma peculiar com que os editoriais dos diversos telejornais televisivos preparam as suas grelhas. Lembro-me, de repente, das vezes que vi uma senhora de Abrançalha-de-Baixo, seguida de uma sua irmã, relatar a maneira com os GOE lhes entraram pela casa quando procuraram dois indivíduos que tinham agredido dois agentes no Entroncamento. Os quinze minutos de fama que Wharol preconizava foram largamente ultrapassados pelas televisões que tiveram no ar estas declarações durante três dias, nos dois noticiários. Qual maná dos Deuses, apareceu depois o infeliz caso da menina desaparecida há mais de um ano na Praia da Luz, com o arquivamento do processo, coadjuvado com o lançamento do livro do ex-inspector responsável pela investigação. Novas pistas, novas aparições, novas deambulações fantasistas (não vi o Moita Flores desta vez, possivelmente remetido nalguma silenciosa e envergonhada praia algarvia) e também novo encerramento. Tão cedo não voltaremos a ouvir falar de Maddie Maccain. De repente, algo estranho perturbou as pacatas águas estivais. Lá longe, entre a Rússia e a Geórgia, um forte conflito armado se iniciou a pretexto das já velhas pretensões separatistas (desde o fim da URSS) das regiões, integradas na Geórgia, da Ossétia do Sul e da Abkázia. Mas tudo isto, de uma gravidade extrema para o mundo, foi remetido para um segundo plano dentro dos alinhamentos dos jornais televisivos. Só depois das notícias dos jogos particulares do Benfica, do Sporting e do Porto (geralmente com honras de abertura) é que assomavam os mortos e os milhares de desalojados que a guerra tem vindo a alimentar.
Mas, aos poucos, começam aparecer sinais de que algo está a mudar. São os partidos e as suas “reentrés”. O PCP, igual a si próprio, resguarda-se na festa do Avante, em Setembro. O Bloco de Esquerda anda por aí, nuns comícios envergonhados e em acampamentos cómicos, sempre na busca duma originalidade tonta. O PS, talvez por falta de imaginação e acomodação que o poder inevitavelmente desenvolve, não organizou nada de especial para este fim de Agosto. Vi o José Sócrates na televisão, no seu regresso de férias, como ele fez questão de sublinhar, enaltecendo a prestação dos atletas portugueses nos Jogos Olímpicos, com especial afectação para o luso-nigeriano Francis Obikwelo que, perdendo a possibilidade de correr nas finais dos 100 metros (e depois de jurar que estava na melhor forma de sempre) se apressou a declarar o seu adeus às competições. Isto quando tinha ainda a possibilidade de correr os 200 metros, corrida que, segundo muitos especialistas, estaria muito melhor preparado. E temos o PSD, claro, o partido mais popular de Portugal, como não se cansam de repetir muitos dos seus militantes de renome. Desta vez, a grande questão fracturante foi a não ida de Ferreira Leite, a líder que não gosta de ajuntamentos populares porque pensa que todos eles são populistas, à grande e tradicional festa do Pontal, no Algarve. Ainda por cima, Ferreira Leite, num desdém inusitado, não deu cavaco a ninguém. Se não fosse o Alberto João Jardim, lá nas areias de Porto Santo, a acusar o primeiro-ministro de ter um projecto totalitário para Portugal na construção “de um estado policial”, a par de outros mimos vocabulares como “fascistas”, “mafiosos” e “intuitos ditatoriais”, só acordaríamos com o ajuntamento comunista no Seixal. Desta vez, o Presidente da Região Autónoma da Madeira desafiou o seu partido através de um repto, o qual consiste na possibilidade de aparecer, sob a sua égide, um novo partido (já com nome e sigla: Partido Social Federalista, PSF), caso o PSD não consiga, até Outubro, aparecer com um novo e aliciante projecto para Portugal. Afinal, para quem declinou apresentar-se a eleições intra-partidárias, onde poderia apresentar, de forma mais coerente, os seus intentos, o líder madeirense surpreende, agora, na sua “reentré”. O problema é que ele nos habituou a não o levar a sério. Até um dia, dirão alguns…

(publicado em A Voz de Trás-os-Montes em 21-08-2008)

quarta-feira, agosto 13, 2008

uns minutitos de futebol

Vi uns minutos (praticamente toda a segunda parte) entre o Vitória de Guimarães e o Basileia. Confesso que não entendo muito de tácticas futebolísticas, mas o que vi foi verdadeiramente confrangedor. Jogadores que são supostamente de primeiríssima qualidade a jogar daquela maneira, sem uma única defesa feita pelos guarda-redes, a trocar a bola de forma muito defeituosa, sem qualquer espécie de orientação. Não entendo mesmo nada de futebol.

quarta-feira, agosto 06, 2008

ainda a mensagem de cavaco

Podemos ler duas vozes credíveis em louvor da mensagem presidencial do outro dia, a que teve naturalíssimas honras de abertura dos telejornais. Acontece que, tal como aconteceu com o discurso do presidente, tanto Helena Matos como Graça Moura pouco ou nada explicam sobre o que, no fundo, pouco há para explicar.

domingo, agosto 03, 2008

a mensagem de cavaco

As reacções à mensagem de Cavaco Silva foram interessantes. O que me espanta é como Cavaco Silva coloca em causa as decisões do Tribunal Constitucional, um órgão para o qual o presidente recorre, por obrigação constitucional.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...