quinta-feira, julho 31, 2008

mais um tabu de cavaco

Sabemos que o nosso presidente é, desde há muito, dado a tabus. Criou agora um, em nome do estatuto político-administrativo dos Açores. Não sei se Cavaco Silva tinha a nobre intenção de clarificar alguma coisa. O que eu sei é que a maioria dos portugueses, que aguardou, ansiosamente, a declaração televisiva, ficou, na melhor das hipóteses, na mesma. A Assembleia da República era o melhor lugar para ouvir este recado do presidente. Esta dramaturgia espreita, até certo ponto, uma tentativa de inventar alguma coisa, de deixar algum tipo de marca diferenciadora, do tipo uma presidência de aproximação com o povo. Talvez Cavaco Silva pense que é assim que se garante uma vitória eleitoral. No fundo, foi assim, com este paulatino e paciente trabalho de bastidores, que Cavaco ganhou as eleições presidenciais. A dois ou três anos de distância. E não é ele político!...

quarta-feira, julho 30, 2008

obama na europa

Barak Obama, o candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, efectuou, como se sabe, uma visita (extraordinária) à Europa. Para um país que se estende, tentacularmente, por todo o mundo, com o estandarte irredutível de se constituir como a única super-potência à escala mundial, esta visita deveria constituir um motivo de natural orgulho. Mesmo que o mesmo se tivesse passado com o candidato republicano. No entanto, o que se viu foi uma quebra abrupta de Obama nas sondagens. Com efeito, uma das últimas sondagens, publicada pela USA Today/Gallup (retirado via http://politica2008.wordpress.com/) dá uma vantagem a Mccain, com 49% contra 45% de Barack Obama. A sondagem foi conduzida entre os dias 25 e 17 de Julho, durante os últimos dias da digressão internacional de Obama. É, pois, paradigmático do modo excessivamente umbilical como os estadounidenses se revêem no mundo.

segunda-feira, julho 28, 2008

parecer de freitas do amaral e o interesse público

Invocar uma medida como o interesse público para contestar as providências cautelares interpostas pelo Boavista, ainda para mais quando, por trás desta decisão, está um parecer que o jurista Freitas do Amaral elaborou é, a meu ver, desastroso. Em primeiro lugar, por que a definição de interesse público ligada à prática do futebol, parece-me exagerada. Na verdade, integrar como interesse público a descida do Boavista (e a consequente repescagem do Paços de Ferreira) e a suspensão de Pinto da Costa por dois anos só se justifica se tivermos em conta que estes senhores da Federação Portuguesa de Futebol - a começar pelo seu presidente - andam, realmente, muito confusos e perdidos. Depois, o que Freitas do Amaral estudou nunca deveria assumir um carácter vinculativo que foi, no fundo, o que aconteceu. Ainda para mais quando sabemos que outros juristas, igualmente idóneos, constituíram opinião contrária ao do ex-ministro dos Negócios Estrangeiros.
É, pois, este o mundo do futebol: pessoas que andam por aí a tomarem decisões importantes para as quais estão, visível e desgraçadamente, inadaptados.

direcção comercial de luxo

O que Manuel Pinho disse este fim de semana do governo, ao compará-lo a uma espécie de direcção comercial de luxo de uma empresa, não causou, infelizmente, grande eco na comunicação social nem nos líderes da oposição. É que além do notório mau gosto, a frase é reveladora do que vai na cabeça deste governante e, por arrastamento, do governo. Uma direcção comercial de luxo!...

o abandono de carlos dantas

Carlos Dantas foi, até hoje, presidente da distrital de Setúbal do CDS-PP. Abandonou o partido porque, segundo as suas próprias palavras, "passados três meses do termo do meu [seu] mandato e de no último dia termos apresentado um projecto de desenvolvimento do partido não obtivemos qualquer proposta. Como não gosto de estar em instituições de braços cruzados a assistir entendi que o melhor seria desfilar-me do CDS". Depois, 30 jovenzitos PP's seguiram-lhe as pisadas, numa manfestação de solidariedade.
Ora, abandonar um partido por causa das razões que invoca dá vontade de rir. O homem apresentou um projecto de desenvolvimento e não obteve qualquer proposta da direcção. Só isso? Não sabia esperar mais um pouco? Por acaso telefonou a alguém? Fez mais alguma diligência? O sr. Dantas deve explicar-se. Tem obrigação de o fazer com maior rigor de análise e deixar-se de balelas quando sublinha, a respeito da excursão dos jovens populares, que "ainda há jovens que acreditam em valores como a amizade, lealdade e [o] compromisso".
Explique-se, homem, e não queira ficar como uma espécie de pré-futuro-apoiante de Manuela Ferreira Leite.

os deputados silenciosos

No Expresso vem uma interessante reportagem sobre os deputados que passaram uma inteira sessão legislativa sem solicitar qualquer intervenção no plenário. É verdade que alguns estiveram medianamente activos noutras tarefas, designadamente nas comissões parlamentares. No entanto, o que convém determinar é se os outros empregos que muitos destes deputados têm (por exemplo, comentador nas televisões, como são os casos de Freire Antunes e Miguel Relvas) não lhes roubam tempo na preparação do trabalhinho no hemiciclo. É que tanto Relvas como Antunes já demonstraram que não é por falta de qualidade que não intervêm. É certo que muitos haverão (destes silenciosos) que não abrem o bico simplesmente por que o fazem penetrantemente somente nas horas das refeições. Todavia, estou certo que não é o caso destes dois. Basta ouvi-los, por exemplo, nas televisões para verificarmos que seriam um contributo importante para substanciar a qualidade das intervenções no Parlamento. Há, portanto, que escolher. Como muitos cidadãos deste país fazem, aliás.

sexta-feira, julho 25, 2008

o acordo do oeste

Ainda em acrescento ao post anterior, deparei-me agora com o acordo entre o governo e os autarcas do Oeste, o que fez com que estes designassem, através do presidente da Associação de Municípios do Oeste, o dia 25 de Julho como "um dia histórico para o Oeste e para os municípios da Lezíria". E o caso não é para menos. O desadequado ministro Mário Lino resolveu prendar esta região (que, como sabemos, não é de todo das mais pobres do país) com um programa de requalificação que envolverá diversas áreas como a saúde (construção de novos hospitais), o desporto, as linhas ferroviárias (com ligação a Alcochete, claro), as barragens, etc. Tudo isto a rondar os 2100 milhões de euros de investimentos, dos quais 1400 milhões da iniciativa do Governo e 660 milhões de iniciativa municipal.
Ora, a pergunta que se deve colocar é a seguinte: e as outras regiões, as que se encontram realmente mais desfavorecidas?
Na verdade, este tipo de governação à vista (que se pode equacionar na simplicidade que resulta de acordos do tipo desculpem lá aquilo da Ota, mas peguem lá isto, que ainda é melhor...) não pode continuar a ser apanágio dos governos desta terceira república. Neste sentido, urge que o Presidente da República (que sublinhou, recentemente, as desigualdades regionais que o país, desgraçadamente, deixou que se edificassem de um modo verdadeiramente perverso) tenha um posicionamento adequado às suas próprias palavras. O país continua a ser uno. Não a unicidade salazarista (que continua a ser a que nos rege, tendo em conta os índices de desenvolvimento regionais apresentados), mas uma projectada e verdadeira unicidade civilizacional, a qual nos deve permitir um verdadeiro sentido de solidariedade entre as diversas regiões. No fundo, este sentido de harmonia civilizacional inter-regional não é mais do que está na base teorética do edifício que se tem vindo a construir e que é a União Europeia.

(publicado no jornal Público no dia 2/8/08)

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...