quinta-feira, julho 17, 2008
O apoio berlusconiano a barroso
O vice-presidente do grupo socialista do Parlamento Europeu (PE), o austríaco Hannes Swoboda, criticou Durão Barroso por este ter aceite o apoio do sr. Berlusconi na sua reeleição à frente da Comissão Europeia. Confesso que me custa entender estes senhores que, de vez em quando têm estes rasgos de verticalidade política, ao ponto de desejarem que José Manuel Durão Barroso rejeite o apoio do primeiro-ministro italiano. Não só porque o Parlamento Europeu se deveria preocupar com assuntos que neste momento pairam na agenda internacional bem mais motivantes e urgentes – a começar pela paulatina degradação das classes médias na Europa –, mas também porque, conhecendo a disposição ideológico-política de Barroso, Berlusconi encaixa, com uma perfeição sibilina, na sua composição. Parece que, aos poucos, José Manuel Durão Barroso, vai deixando a sua marca na Comissão Europeia. E isto funciona um pouco como os presidentes da república: no primeiro mandato ondulam suavemente em mantos diáfanos de fantasia para, na derradeira oportunidade, aguçarem as unhas e deixarem a marca. Uma qualquer. Mesmo que seja inoportuna. Neste sentido, pode a esquerda do Parlamento Europeu ficar descansada que vai ter ainda mais Barroso pela frente. Mais que não seja por que vai precisar duma apoteose qualquer para, no regresso ao torrão natal, ser aclamado pelos correligionários partidários como um ex-primeiro ministro que não chegou a sê-lo porque a Europa precisava dele. E ele, como é óbvio, não é homem de virar a cara às dificuldades. Principalmente quando a vaidade fala mais alto do que tudo.
quarta-feira, julho 16, 2008
capitalismo
Bancos a falirem e o Estado a pegar neles. Já foi assim em Inglaterra e agora na pátria do capitalismo, com o decretar da falência do Banco IndyMac, o nono no ranking de financiamento imobiliário nos Estados Unidos. Por mais teorias que os experts em economia desenvolvam, não haverá, decerto, uma solução para esta economia de casino (na feliz expressão de Mário Soares) se a mesma não for edificada tendo em conta, principalmente, a sociedade na sua vertente mais humana, o que implica, necessariamente, um combate persistente à pobreza, às desigualdades sociais e profissionais, ao desemprego, etc. Ou seja: há que criar uma crescente politização da economia (e não o contrário, isto é, a economia a sobrepor-se à política) para que esta passe a estar ao serviço das pessoas.
terça-feira, julho 15, 2008
A Quinta da Fonte
Afinal, havia já um estudo que previa um possível descalabro social neste bairro. A crer no semanário Sol, o Observatório da Imigração realizou uma investigação, que foi divulgada em Março do ano passado, que concluiu que o "bairro aparece como tendo de facto muitos problemas, nomeadamente insegurança, carências económicas e sociais das famílias e jovens e vários conflitos de vizinhança", e que esses problemas de insegurança são motivados pelo "insuficiente policiamento face à criminalidade verificada e a alguns conflitos de vizinhança". Alertou também o estudo para os "riscos de agravamento das condutas desviantes, dos conflitos e da criminalidade grupal", etc. etc. etc.
Ora, o que tudo isto revela é que não é por falta de estudos que não vamos lá. Acontece que entre o estudar e o agir a distância é cada vez maior e cada vez mais irremediável. Infelizmente, não são raros em Portugal este tipo de situações, em que se descobre, a posteriori, que havia um estudo que alertava para o perigo de... Foi assim com a ponte de Entre-os-Rios e continua a ser assim, por exemplo, nos casos sistemáticos em que muitas crianças são entregues aos pais biológicos, apesar destes, muitas vezes, não possuírem condições físicas e mentais para educar uma criança. Depois, aparece sempre um estudo que vem iluminar tardiamente o que foi mal delineado.
Ora, o que tudo isto revela é que não é por falta de estudos que não vamos lá. Acontece que entre o estudar e o agir a distância é cada vez maior e cada vez mais irremediável. Infelizmente, não são raros em Portugal este tipo de situações, em que se descobre, a posteriori, que havia um estudo que alertava para o perigo de... Foi assim com a ponte de Entre-os-Rios e continua a ser assim, por exemplo, nos casos sistemáticos em que muitas crianças são entregues aos pais biológicos, apesar destes, muitas vezes, não possuírem condições físicas e mentais para educar uma criança. Depois, aparece sempre um estudo que vem iluminar tardiamente o que foi mal delineado.
segunda-feira, julho 14, 2008
o livro sobre scolari
É um sinal dos tempos estes livros sobre as personagens do futebol. Agora é Scolari o visado. E, como não podia deixar de ser, é um jornalista que toma em mãos este nobre trabalho de verter em letra o pensamento do ex-seleccionador nacional. Assim, José Carlos Freitas, actualmente jornalista do Record e antigo assessor de imprensa da FPF entre Agosto de 1999 e Abril de 2003 (que grandes tachos estes indivíduos arranjam!), escrevinhou um livro com o piroso título Luiz Felipe, o homem por trás de Scolari. Aliás, esta titulação encaixa na perfeição com o protagonista, o sr. Scolari. No entanto, podemos encontrar um lado positivo nesta emergência dogmática relativamente ao profundo conhecimento de Scolari sobre o ser humano (desde sempre considerado o grande trunfo deste líder de homens) mas, principalmente, sobre o futebol. Basta olharmos para as suas justificações da não convocatória de Vítor Baía. Diz então Filipão, segundo o jornalista José Carlos Freitas, que foram as queixinhas dos jogadores, a par do que Mourinho disse sobre o guarda-redes do FCP (ao considerá-lo, de longe, o melhor guarda-redes português), que o influenciaram na escolha do guardião da baliza da selecção. No caso de Mourinho, Scolari sentiu que, se convocasse Baía, estaria a dar um sinal de cedência a pressões exteriores.
Foi, portanto, assim, com estes estratagemas de café, que Scolari andou por aqui a ganhar, durante cinco anos, milhares e milhares de euros. O mais interessante de tudo isso é ouvirmos os nossos comentadores desportivos opinarem sobre estas estratégias do treinador do Chelsea (que, como é óbvio, nada têm de relevante no que concerne à prática do futebol) como se de grandes e arrojadas decisões se tratassem. Andámos cinco anos nisto. Foi preciso este livro vir a lume para realmente vermos as grandes opções tácticas de Luiz Filipe Scolari, o Filipão.
Foi, portanto, assim, com estes estratagemas de café, que Scolari andou por aqui a ganhar, durante cinco anos, milhares e milhares de euros. O mais interessante de tudo isso é ouvirmos os nossos comentadores desportivos opinarem sobre estas estratégias do treinador do Chelsea (que, como é óbvio, nada têm de relevante no que concerne à prática do futebol) como se de grandes e arrojadas decisões se tratassem. Andámos cinco anos nisto. Foi preciso este livro vir a lume para realmente vermos as grandes opções tácticas de Luiz Filipe Scolari, o Filipão.
sexta-feira, julho 11, 2008
a reeleição de cavaco, segundo gama
O que Jaime Gama quis dizer quando afirmou que Cavaco tem a reeleição garantida, com a postura política que tem seguido (nas elogiosas e estranhas palavras do Presidente da Assembleia da República, "uma linha [...] organizada em função do seu programa e da sua actuação, uma linha de funcionamento independente, árbitro do sistema político, garante da Constituição e isso tem-no feito com elevada qualidade") é um sinal claro da racionalidade aritmética e da vacuidade que o cargo de Presidente da República suscita nesta gente. Gama, neste ponto, é de uma honestidade (ingenuidade?) exemplar, pois chega a sublinhar que "é [através] dessa conduta que o Presidente pode aspirar a uma reeleição confortável e isso também tem significado político". Estamos conversados.
quinta-feira, julho 10, 2008
o bastonário
Marinho Pinto deu mais uma entrevista à RTP. Importa, desde logo, sublinhar que, pelas palavras do bastonário da Ordem dos Advogados, somos levados a acreditar que o mundo da justiça, em Portugal, é tudo menos límpido. De facto, arrepia só de imaginarmos que o que ele diz seja verdade. Algumas frases, retiradas do Sol:
- muitos dos magistrados, principalmente juízes, agem como se fossem divindades e actuam como donos dos tribunais, locais em que os cidadãos são tratados como servos e os advogados como súbditos;
- A cultura de prepotência e de arbítrio dos tribunais plenários da ditadura generalizou-se nos tribunais comuns na democracia;
- o sindicalismo nas magistraturas é uma aberração e constitui uma das principais causas para a degradação do sistema judicial português porque tudo está organizado em função dos benefícios dos agentes internos do sistema;
- O sindicato dos magistrados, como qualquer sindicato, apenas pretende mais regalias para os seus associados, ou seja, mais dinheiro e menos trabalho, e isso subverteu um dos valores mais elementares do direito democrático.
debate "estado da nação" (4)
Silva Pereira encerra o debate. Retoma o discurso de Sócrates e o deve e haver entre a anterior legislatura e a presente. Fala como se o país não existisse, ou seja, com se fosse outro o país. Se é tudo tão cor-de-rosa (ele não aceita a cor negra para analisar o estado social do país, como referiu), por que será que é precisamente através de um descontentamento social que os portugueses, de uma maneira geral, se fazem ouvir? Antes dele, Vera Jardim teve uma boa peça retórica, mas não mais do que isso. Valeu pelas gargalhadas proporcionadas à bancada socialista (do que se ri esta gente?). No entanto, o que disse foi igual a zero.
Decididamente, estas pessoas, representantes do povo, têm um discurso esgotadíssimo. Paulatinamente, os portugueses (aqui está uma boa coisa que a educação pode e deve proporcionar, isto é, uma percepção mais racional das questões políticas...) se vão percebendo que nada mudará enquanto tudo for espuma discursiva. É que não pode haver, de um lado, um partido que, por estar no governo, é senhor da razão e um outro que, por querer se governo, ataca tudo quanto o governo edifica. Depois, quando a moldura política se modifica, o governo passa a oposição e esta a governo. E trocam - literalmente - os papéis.
Decididamente, estas pessoas, representantes do povo, têm um discurso esgotadíssimo. Paulatinamente, os portugueses (aqui está uma boa coisa que a educação pode e deve proporcionar, isto é, uma percepção mais racional das questões políticas...) se vão percebendo que nada mudará enquanto tudo for espuma discursiva. É que não pode haver, de um lado, um partido que, por estar no governo, é senhor da razão e um outro que, por querer se governo, ataca tudo quanto o governo edifica. Depois, quando a moldura política se modifica, o governo passa a oposição e esta a governo. E trocam - literalmente - os papéis.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
