sexta-feira, julho 11, 2008

a reeleição de cavaco, segundo gama

O que Jaime Gama quis dizer quando afirmou que Cavaco tem a reeleição garantida, com a postura política que tem seguido (nas elogiosas e estranhas palavras do Presidente da Assembleia da República, "uma linha [...] organizada em função do seu programa e da sua actuação, uma linha de funcionamento independente, árbitro do sistema político, garante da Constituição e isso tem-no feito com elevada qualidade") é um sinal claro da racionalidade aritmética e da vacuidade que o cargo de Presidente da República suscita nesta gente. Gama, neste ponto, é de uma honestidade (ingenuidade?) exemplar, pois chega a sublinhar que "é [através] dessa conduta que o Presidente pode aspirar a uma reeleição confortável e isso também tem significado político". Estamos conversados.

quinta-feira, julho 10, 2008

o bastonário

Marinho Pinto deu mais uma entrevista à RTP. Importa, desde logo, sublinhar que, pelas palavras do bastonário da Ordem dos Advogados, somos levados a acreditar que o mundo da justiça, em Portugal, é tudo menos límpido. De facto, arrepia só de imaginarmos que o que ele diz seja verdade. Algumas frases, retiradas do Sol:
  • muitos dos magistrados, principalmente juízes, agem como se fossem divindades e actuam como donos dos tribunais, locais em que os cidadãos são tratados como servos e os advogados como súbditos;
  • A cultura de prepotência e de arbítrio dos tribunais plenários da ditadura generalizou-se nos tribunais comuns na democracia;
  • o sindicalismo nas magistraturas é uma aberração e constitui uma das principais causas para a degradação do sistema judicial português porque tudo está organizado em função dos benefícios dos agentes internos do sistema;
  • O sindicato dos magistrados, como qualquer sindicato, apenas pretende mais regalias para os seus associados, ou seja, mais dinheiro e menos trabalho, e isso subverteu um dos valores mais elementares do direito democrático.

debate "estado da nação" (4)

Silva Pereira encerra o debate. Retoma o discurso de Sócrates e o deve e haver entre a anterior legislatura e a presente. Fala como se o país não existisse, ou seja, com se fosse outro o país. Se é tudo tão cor-de-rosa (ele não aceita a cor negra para analisar o estado social do país, como referiu), por que será que é precisamente através de um descontentamento social que os portugueses, de uma maneira geral, se fazem ouvir? Antes dele, Vera Jardim teve uma boa peça retórica, mas não mais do que isso. Valeu pelas gargalhadas proporcionadas à bancada socialista (do que se ri esta gente?). No entanto, o que disse foi igual a zero.
Decididamente, estas pessoas, representantes do povo, têm um discurso esgotadíssimo. Paulatinamente, os portugueses (aqui está uma boa coisa que a educação pode e deve proporcionar, isto é, uma percepção mais racional das questões políticas...) se vão percebendo que nada mudará enquanto tudo for espuma discursiva. É que não pode haver, de um lado, um partido que, por estar no governo, é senhor da razão e um outro que, por querer se governo, ataca tudo quanto o governo edifica. Depois, quando a moldura política se modifica, o governo passa a oposição e esta a governo. E trocam - literalmente - os papéis.

debate "estado da nação" (3)

Louçã e Sócrates lá fizeram o seu número habitual. Ridículo para os dois. Até porque se percebe que aquilo não é política, mas meras impressões que extravasam completamente o âmbito de um debate parlamentar para se imobilizarem em divergências de carácter.

debate "estado da nação" (2)

Percebe-se por que razão o PCP se encontra, nas sondagens mas principalmente na opinião pública, a transfigurar uma imagem demasiado imutável na sua concepção política. Jerónimo de Sousa ganhou (se é que se pode utilizar esta terminologia), a meu ver, este debate. Mais que não seja por que realçou que muitos das medidas sociais do governo tinham já sido aventadas por este partido.

debate "estado da nação"

Acompanho o debate da Assembleia da República sobre o "Estado da Nação". José Sócrates abriu os discursos. É inacreditável como não há, da parte deste, um rasgo de inovação temático-discursiva. Tem sido assim desde há três anos: o passado (o que os outros fizeram mal feito), o presente (o que o governo está a fazer bem, segundo o seu ponto de vista) e o futuro, no qual os outros (o PSD), não têm legitimidade moral em apresentar propostas que visam, essencialmente, destruir todo o programa de obras públicas que o governo PS se propõe erigir.

terça-feira, julho 08, 2008

tratado de lisboa aprovado na holanda

Durão Barroso bem pode congratular-se com a aprovação do Tratado de Lisboa pelo Senado holandês, ainda para mais quando, em 2005, o povo rejeitou um anterior documento que, segundo a opinião dos especialistas na matéria, é o mesmo texto mas um bocadinho mais complicado. A aprovação do documento foi, aliás, alvo de uma larga maioria, com 60 dos 75 elementos a votarem favoravelmente.
No entanto, este resultado vem só comprovar a distância que separa, nas democracias europeias, os eleitos dos cidadãos, pois não é crível que, se tivesse existido um referendo na Holanda, este resultaria num desfecho semelhante. Assim, o que esta manifestação regozijadora de Barroso revela é, sobretudo, a incapacidade dos actuais governantes europeus em chegarem com ênfase programático aos cidadãos. Ou seja: estamos perante a construção de uma Europa contrária aos princípios basilares da sua fundação, que se resume, concretamente, numa União virada para os europeus.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...