quinta-feira, maio 22, 2008

a condenação de sócrates

José Sócrates foi condenado, pelo Tribunal de Relação de Lisboa, a pagar 10 000 euros ao jornalista do Público António Cerejo. A sentença foi clara, ao atribuir que uma carta publicada pelo então Ministro do Ambiente, em 2001, no jornal, como resposta a uma notícia de António Cerejo (que anunciava que o governo de António Guteres subsidiou a Deco em 200 mil contas para a compra de uma nova sede), atentava contra a idoneidade profissional do jornalista.
Deixando de lado a sentença do tribunal (condenou, está condenado, ponto final e parágrafo), debrucei-me sobre a carta de José Sócrates publicada no Público, em 1 de Março de 2001. Na verdade, naquela carta-resposta do ainda inexperiente Ministro do Ambiente de Guterres prenunciava-se já o estilo verrinário, de pose altiva, do actual primeiro-ministro. Transcrevo apenas o primeiro e o último parágrafos:
"Quando um trabalho jornalístico tem imprecisões e falsidades, podemos legitimamente pensar que o jornalista foi simplesmente leviano e incompetente".
"Finalmente, o que este caso revela de mais preocupante é a forma tão leviana como se põem de lado valores básicos do jornalismo (…). Impressiona a ligeireza e a irresponsabilidade com que se coloca o poder que a comunicação social hoje detém e que devia estar ao serviço dos leitores, ao serviço de preconceitos, dos caprichos, de meras opiniões e da sublimação de várias frustrações".

quarta-feira, maio 21, 2008

importação de alimentos

Um péssimo sinal dos tempos que situa Portugal como um país que perdeu uma identidade própria, diz respeito ao estado da agricultura nacional. Descrevo os dados do INE:
  • apenas 16 por cento das necessidades são colmatadas pela agricultura portuguesa.
  • O país importa mais de 90 por cento do trigo e de cevada, cerca de 70 por cento do milho e mais de 60 por cento do centeio.
  • Há 18 anos, os campos nacionais de cereais e arroz produziam quase metade do que os portugueses consumiam.
  • Actualmente (treze anos depois), a produção destes produtos diminuiu, cobrindo apenas 27,4 por cento do consumo anual.
  • Há quase duas décadas, os portugueses produziam mais de metade das leguminosas secas necessárias. Em 2003, 87 por cento era importado.

Ora, olhando para estes extraordinários números, não é difícil percebermos que, também na agricultura (reforço o também, pois estou a lembrar-me do estado da educação em Portugal), os diversos governos que nos lideraram não tiveram, nunca, a capacidade de negar as tentações programáticas vindas de Bruxelas. Por isso, em vez de campos agrícolas (temos, provavelmente, o melhor clima agrícola da U. E.), fabricamos campos de golfe (temos, provavelmente, o melhor clima turístico da U. E.) e projectos de interesse nacional, os famosos PIN.

Na verdade, estes dados são reveladores da qualidade dos políticos e dos governos que, de há trinta anos para cá, têm vindo a delinear o futuro do nosso país.

penhorado por dívida de 75 euros

É um mau sinal dum Portugal ainda agarrado à mesquinhez intelectual de um Estado acabrunhado. Vem hoje na imprensa que a Direcção-Geral dos Impostos penhorou e colocou à venda dois imóveis (com um valor patrimonial superior a 38 mil euros) a um contribuinte com uma dívida de 235,88 euros. Deste montante, apenas 75,43 euros correspondem ao não pagamento da contribuição autárquica e o restante diz respeito a acréscimos legais, como juros de mora e custos do processo. Ao que parece, tudo já está formalizado e anunciado nos jornais e os imóveis serão, efectivamente, colocados em hasta pública.
Ora, não é difícil descortinar que, num caso destes, ou melhor, com uma dívida ridícula como esta, a penhora não é o processo que melhor se enquadra, tendo em conta uma óptica resolúvel do problema. Fundamentalismos.

portugal em sétimo lugar nos países mais seguros

Ora aí está uma boa notícia: Portugal reside nos dez primeiros lugares numa lista que avalia o índice de violência dos vários países à escala global. Os dez primeiros são: Islândia, Dinamarca, Noruega, Nova Zelândia, Japão, Irlanda, Portugal, Finlândia, Luxemburgo e Áustria. Virada de avesso, o Iraque, a Somália, Sudão e Afeganistão ocupam os lugares cimeiros. É, sem dúvida, um belíssimo sinal civilizacional.

o preço da gasolina

Fez bem Faria de Oliveira, presidente-executivo da Galp, apontar o dedo acusatório ao governo (aos governos) relativamente à excessiva tributação da gasolina. Ficámos, assim, a saber que a gasolina, em Portugal, é até mais barata da que é vendida em Espanha. Os impostos que o Estado arrecada é que são extraordinariamente diferenciados nos dois países. Aliás, não só na gasolina, mas também noutros tipos de bens de consumo (basta olharmos para os preços dos automóveis antes e depois da tributação fiscal).
Sempre me pareceu que um país que opte, no combate a défices e também como fonte de receita básica, por uma carga de impostos elevada, é um país que não tem confiança em si próprio, pois o raciocínio inerente será sempre o da receita garantida. Por isso, o capital de risco que os cidadãos são constantemente convidados a aderir, não é seguido pelo próprio Estado. E isso é um óbvio sinal de desencanto civilizacional, pois o sufoco que é diariamente exercido sobre o comum dos cidadãos, torna-se, gradualmente, insuportável.

moção de censura chumbada na madeira

É evidente que eu não pensava que a primeira moção de censura, em 30 anos de democracia, do Parlamento Regional da Madeira, tivesse o sortilégio de ser maioritária. Mas o que sinceramente também não me passava pela cabeça era que o PS e o CDS se abstivessem de forma vergonhosa. Até porque o fundamento da moção de censura - a fuga à prestação de contas e fiscalização política -, apresentada pelo PCP, tem todo o sentido, tendo em conta o enquadramento governativo do arquipélago, como, aliás, se comprovou no próprio dia em que a moção foi debatida, com a ausência dos elementos que fazem parte do governo regional. Deste modo, estes dois partidos oposicionistas revelaram não só uma cobardia política atroz, como também uma falta de respeito para com os seus eleitores, os quais, vêm lutando, através do voto, para uma mudança efectiva na região.

domingo, maio 18, 2008

josé sócrates

Algo se passa com José Sócrates. Primeiro, foi o cigarro fumado, às escondidas, num avião e a desculpa ridícula que esboçou em solo venezuelano. Agora, é a descrição da sua ida ao hospital, dos antibióticos que ingeriu, do que o médico lhe transmitiu a respeito da sua febre, dos cigarros que não fuma há já cinco dias, etc. Confesso que, havendo alguma coisa para entender, não estou a conseguir atingir esse mesmo entendimento.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...