Li, na secção "A semana que passa", no Expresso, uma curta frase de Laurentino Dias, Secretário de Estado do Desporto, em que refere que os dois milhões de euros de apoio estatal ao corredor de automóveis Tiago Monteiro, aquando a sua efémera passagem pela fórmula 1, "é quase o nome no retrovisor de um F1" e que, segundo o jornal, acha normal este tipo de apoio estatal.
Esta pequena frase, a ser verdade (e eu acredito, lastimosamente, que sim), poderia ser desenvolvida, criticamente, em várias áreas do saber: política, sociologia, economia, etc. Mas é, sobretudo, na pura análise psicológica que ela adquire maior pertinência decomponível.
Na verdade, um membro do governo reflectir, assim, a um jornal, perante os esforços que diariamente são pedidos aos portugueses, a falta de apoios a desportos que verdadeiramente trazem reputação a Portugal, a crise do desemprego que afecta milhares de famílias, os milhares de contratos a prazos de alguns trabalhadores, os recibos verdes de outros tantos trabalhadores, o cabaz básico da alimentação a subir cada vez mais, os juros do crédito à habitação em ascensão sistemática, os pais que não têm dinheiro para dar aos filhos o mínimo de dignidade social, as famílias que pouco têm para comer... perante isto, Laurentino Dias - que não fez mais do que exibir o seu cérebro provinciano (naquilo que o provincianismo tem de pior, evidentemente) - arrota, nos jornais, que dois milhões de euros são só (quase) "o nome no retrovisor num fórmula 1".
Por tudo isto, este senhor devia explicar muito bem o que quis dizer, mas, principalmente, toda esta história do apoio a Tiago Monteiro. Sabemos (segundo a imprensa) que tudo se inicia com o governo de Santana Lopes. Mas também ficámos a saber que este governo tem mais um daqueles cromos... das corridas... de fórmula 1, claro!
sábado, abril 26, 2008
sexta-feira, abril 25, 2008
santana lopes
Eu desconfio que Santana Lopes está mesmo convicto que o melhor candidato para derrotar o PS seja ele próprio. Ouvi-o na SIC-Notícias e não o entendi muito bem. Primeiro fala criticamente de alguns dos seus colegas no partido, ao ponto de deixar a ameaça da expulsão (ou auto-expulsão) a pairar (se for eleito); depois, para o fim, como que a despedir-se dos portugueses que o escutam, refere que é esta divergência que faz a força do PPD-PSD. Fala como um livro aberto, é verdade! Chega a ser descarado em algumas coisas que diz como, por exemplo, na obra que tem desenvolvido nos mais diversos cargos que ocupou: na Câmara de Figueira da Foz, em Lisboa (ponto de admiração), na Secretaria de Estado da Cultura (dois pontos de admiração). E, claro, para terminar, o seu principal arrazoamento, que o vai acompanhar diariamente no próximo mês: a fidelidade ao líder Menezes. Uma coisa é certa: vamos ter campanha.
santana e manuela
A pergunta que formulei para a candidatura de Manuela Ferreira Leite, exponho-a em Santana Lopes: o que é que traz de novo, para o país, Santana? A resposta é, igualmente, óbvia: nada!
Só quem andasse muito distraído é que não conseguia perceber a extraordinária ligação a Luís Filipe Menezes. Só que o ainda há um ano líder do PSD teve que reformular a sua meia travessia do deserto, com o abandono de Menezes (muita gente tem abandonado este partido, ultimamente!...). Por isso, antecipou o que esperava vir a fazer dentro de um ano: candidatar-se, como o salvador íntegro (que nunca se opôs ao líder), do seu PPD-PSD fiel ao Sá-Carneirismo (não perdeu tempo Santana, ao afirmar que é o único ismo que tem seguido. Ele sabe que as bases do partido gostam. Só não sabemos é se ainda gostam. Um mês de campanha social democrata. Muito festival em perspectiva. Gostava de saber se a Manuela Ferreira Leite já se arrependeu. Jardim é, afinal, um medricas. Tanta bazófia para nada. Primeiro eram as tropas; agora são as facções. Tudo para acabar a ver de binóculos. Dêem-me dinheiro que eu também faço obra!).
Só quem andasse muito distraído é que não conseguia perceber a extraordinária ligação a Luís Filipe Menezes. Só que o ainda há um ano líder do PSD teve que reformular a sua meia travessia do deserto, com o abandono de Menezes (muita gente tem abandonado este partido, ultimamente!...). Por isso, antecipou o que esperava vir a fazer dentro de um ano: candidatar-se, como o salvador íntegro (que nunca se opôs ao líder), do seu PPD-PSD fiel ao Sá-Carneirismo (não perdeu tempo Santana, ao afirmar que é o único ismo que tem seguido. Ele sabe que as bases do partido gostam. Só não sabemos é se ainda gostam. Um mês de campanha social democrata. Muito festival em perspectiva. Gostava de saber se a Manuela Ferreira Leite já se arrependeu. Jardim é, afinal, um medricas. Tanta bazófia para nada. Primeiro eram as tropas; agora são as facções. Tudo para acabar a ver de binóculos. Dêem-me dinheiro que eu também faço obra!).
quinta-feira, abril 24, 2008
tabu santana
É simplesmente Santana igual a ele próprio, com a invenção de um novo tabu. Para Santana Lopes, o pior mesmo é que este momento de grande exaltação patriótica, que antecede a sua esperada decisão se é ou não candidato a líder, tenha um fim. Por ele, estes momentos vagueavam permanentemente numa espécie de nave enterprise em busca de um qualquer espaço sideral, em busca do não encontrável. O pior, para Santana Lopes, é ter mesmo que desfazer o tabu.
quarta-feira, abril 23, 2008
guilherme silva tem pressa
Guilherme Silva quer ser presidente da Região Autónoma da Madeira, isto é, quer o lugar que é agora ocupado por Alberto João Jardim. Para que esse seu desígnio aconteça, o deputado sabe que o apoio de Jardim é fundamental. Isto se Jardim entender que deve apoiar alguém.
Ora, o que Jardim não precisa, neste momento, é do apoio de Guilherme Silva para uma eventual candidatura a presidente do PSD nacional. Tudo porque é um apoio que reflecte uma manhosice política que, consciente ou inconscientemente, Guilherme Silva protagoniza.
Faltam tropas a Jardim, como ele próprio já referiu. Por toda as circunstâncias e mais algumas, Guilherme Silva faz parte, naturalmente, do exército jardinista. O que lhe fica mal é recordá-lo.
Ora, o que Jardim não precisa, neste momento, é do apoio de Guilherme Silva para uma eventual candidatura a presidente do PSD nacional. Tudo porque é um apoio que reflecte uma manhosice política que, consciente ou inconscientemente, Guilherme Silva protagoniza.
Faltam tropas a Jardim, como ele próprio já referiu. Por toda as circunstâncias e mais algumas, Guilherme Silva faz parte, naturalmente, do exército jardinista. O que lhe fica mal é recordá-lo.
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a desmistificação do mito manuela ferreira leite
Há personalidades que, por qualquer motivo aparentemente não explicado, são sujeitas a uma ascensão que nem elas próprias se revêem. Manuela Ferreira Leite é um desses casos. Foi ministra de Cavaco Silva (das finanças e da educação) e a sua passagem por essas pastas não originou nenhum rasgo de genialidade, que comprovasse que estávamos perante uma política extraordinária. No entanto, a sua postura de exigência e rigor fizeram dela, na área dos números, alguém em quem os portugueses (social-democratas) poderiam confiar.
A respeito de números, saliento uma curiosidade de Patinha Antão (opositor de Manuela Ferreira Leite nas eleições para liderar o PSD) no programa Prós e Contras. Dizia então o professor catedrático de economia (como ele próprio fez questão de sublinhar), que dos três candidatos a líder até então conhecidos - ele próprio, Passos Coelho e Ferreira Leite - todos eram economistas. Patinha Antão, obviamente, trouxe este facto à conversa para sublinhar que a economia - a macroeconomia - ocupa, nas sociedades actuais, o lugar cimeiro ("it's the economy, stupid", disse, irónico, Clinton). Curiosamente (outra curiosidade), foi Cavaco Silva, na sua primeira ou segunda campanha eleitoral, na década de oitenta, que esboçou, ainda tímido, um primeiro elogio aos políticos-economistas (ou economistas-políticos), ao afirmar que ele era o primeiro candidato a primeiro-ministro economista (os outros eram todos advogados).
Ora, o que para Patinha Antão é uma espécie de valor celestial e cristalino, revela-se, para mim, um dado muito pouco interessante. Na verdade, vivemos numa ditadura de números há já muito tempo! Números sem pessoas, números despidos de alma!
Deste modo, e dando como certa a eleição de Manuel Ferreira Leite, importa questionar o que é que ela traz de novo à política portuguesa. A resposta é, para mim, óbvia: nada, ou melhor, mais do mesmo.
A respeito de números, saliento uma curiosidade de Patinha Antão (opositor de Manuela Ferreira Leite nas eleições para liderar o PSD) no programa Prós e Contras. Dizia então o professor catedrático de economia (como ele próprio fez questão de sublinhar), que dos três candidatos a líder até então conhecidos - ele próprio, Passos Coelho e Ferreira Leite - todos eram economistas. Patinha Antão, obviamente, trouxe este facto à conversa para sublinhar que a economia - a macroeconomia - ocupa, nas sociedades actuais, o lugar cimeiro ("it's the economy, stupid", disse, irónico, Clinton). Curiosamente (outra curiosidade), foi Cavaco Silva, na sua primeira ou segunda campanha eleitoral, na década de oitenta, que esboçou, ainda tímido, um primeiro elogio aos políticos-economistas (ou economistas-políticos), ao afirmar que ele era o primeiro candidato a primeiro-ministro economista (os outros eram todos advogados).
Ora, o que para Patinha Antão é uma espécie de valor celestial e cristalino, revela-se, para mim, um dado muito pouco interessante. Na verdade, vivemos numa ditadura de números há já muito tempo! Números sem pessoas, números despidos de alma!
Deste modo, e dando como certa a eleição de Manuel Ferreira Leite, importa questionar o que é que ela traz de novo à política portuguesa. A resposta é, para mim, óbvia: nada, ou melhor, mais do mesmo.
segunda-feira, abril 21, 2008
líder para o psd e o futuro do PS
Não há fome que não dê em fartura! Se há uns meses atrás ninguém avançava para líder do maior partido da oposição, agora, com Sócrates em possível queda, alinham-se os candidatos com sonhos de curto, médio e longo prazo. O último foi Manuela Ferreira Leite.
Na verdade, a antiga ministra de Cavaco Silva, com a sua áurea sebastiânica, é uma má notícia para Sócrates. E a razão é só uma: Ferreira Leite é melhor que Sócrates naquilo que Sócrates tenta ser bom. Explicando: José Sócrates granjeou um determinado capital de confiança em parte devido a um modus faciendi que não se coadunava com o PS tradicional, isto é, um partido em que as pessoas estavam, efectivamente, em primeiro lugar ("os portugueses não são números", lembram-se do slogan guterrista?). Neste sentido, Sócrates é um socialista atípico, pois desbaratou (não determinantemente, graças aos chamados históricos, como Alegre ou Soares) um capital doutrinário que vem do tempo da Primeira República e reformulado em 1973, na cidade alemã de Bad Munstereifel, aquando do nascimento do partido, consequência natural do desmembramento da Acção Socialista Portuguesa (ASP).
Ora, com Manuela Ferreira Leite na corrida a líder do PSD - e com clara vantagem com os seus adversários (alguns completamente inócuos, outros completamente estratégicos, outros ainda completamente ausentes) -, os portugueses vão ter a oportunidade, em 2009, de confrontar duas faces da mesma moeda.
A questão que se coloca, a um ano de distanciamento, é se, por um lado, Sócrates irá nortear a sua política, nestes treze ou catorze meses que faltam até às eleições, com um sentido socialmente mais apelativo, mais humanista, mais... socialista ou, por outro lado, continuará num trilho despersonalizado (tendo em conta o património do partido), liberal, ao jeito dum PSD cavaquista, isto é, ao jeito dum PSD de... Manuela Ferreira Leite.
É que se for este o caminho, Sócrates não tem hipóteses: não só perde a maioria absoluta, como também perde as eleições. Quem ganha, para além do PSD, é também o PCP. Mas isto, sendo a mesma história, é já uma outra história.
Na verdade, a antiga ministra de Cavaco Silva, com a sua áurea sebastiânica, é uma má notícia para Sócrates. E a razão é só uma: Ferreira Leite é melhor que Sócrates naquilo que Sócrates tenta ser bom. Explicando: José Sócrates granjeou um determinado capital de confiança em parte devido a um modus faciendi que não se coadunava com o PS tradicional, isto é, um partido em que as pessoas estavam, efectivamente, em primeiro lugar ("os portugueses não são números", lembram-se do slogan guterrista?). Neste sentido, Sócrates é um socialista atípico, pois desbaratou (não determinantemente, graças aos chamados históricos, como Alegre ou Soares) um capital doutrinário que vem do tempo da Primeira República e reformulado em 1973, na cidade alemã de Bad Munstereifel, aquando do nascimento do partido, consequência natural do desmembramento da Acção Socialista Portuguesa (ASP).
Ora, com Manuela Ferreira Leite na corrida a líder do PSD - e com clara vantagem com os seus adversários (alguns completamente inócuos, outros completamente estratégicos, outros ainda completamente ausentes) -, os portugueses vão ter a oportunidade, em 2009, de confrontar duas faces da mesma moeda.
A questão que se coloca, a um ano de distanciamento, é se, por um lado, Sócrates irá nortear a sua política, nestes treze ou catorze meses que faltam até às eleições, com um sentido socialmente mais apelativo, mais humanista, mais... socialista ou, por outro lado, continuará num trilho despersonalizado (tendo em conta o património do partido), liberal, ao jeito dum PSD cavaquista, isto é, ao jeito dum PSD de... Manuela Ferreira Leite.
É que se for este o caminho, Sócrates não tem hipóteses: não só perde a maioria absoluta, como também perde as eleições. Quem ganha, para além do PSD, é também o PCP. Mas isto, sendo a mesma história, é já uma outra história.
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