Ângelo Correia anda em pulgas com medo que Menezes continue igual a si próprio, isto é, que dê o dito pelo não dito e retorne ao tempo do ser candidato a líder. Na verdade, Ângelo Correia demorou seis meses para perceber a asneira em que se meteu ao apoiar Menezes. Por isso, agora tem declarações verdadeiramente obscenas: "Ele [Menezes] disse-o na quinta-feira à noite, repetiu na sexta-feira numa entrevista à SIC Notícias, que não se recandidatava. O doutor Luís Filipe Menezes é um homem de palavra e disse isso duas vezes."
De facto, uma recandidatura de Menezes colocava o barão do PSD numa posição incómoda, ao não apoiar o candidato que apoiou há seis meses atrás.
domingo, abril 20, 2008
benfica 0, académica 3; sporting 5, benfica 3; leiria 4, sporting 1
Três resultados apenas. Poderiam ser mais. Gostava de saber por que é que os nossos extraordinários comentadores desportivos continuam a insistir na tecla que o campeonato português não é competitivo. Olhem para a tabela classificativa. Comparem-no a outros campeonatos.
Um outro ponto interessante para entendermos a cabecinha dos nossos jornalistas: quem não conhecesse as duas equipas e estivesse a ver o jogo de Leiria, pensava muito naturalmente que havia uma equipa portuguesa (Sporting) a jogar contra uma equipa estrangeira (Leiria), pois o tom de voz, a tentativa de explicações reflectiam um desaire que, para eles, era inexplicável.
Do mesmo modo, convém não esquecer as equipas portuguesas que ganharam recentemente taças europeias (Porto), chegaram às finais (Sporting) e às meias-finais (Benfica, Boavista) dessas mesmas competições.
Finalmente, quem defende a redução de equipas no campeonato pode olhar para estes resultados: menos equipas, menos surpresas.
Se há alguma coisa má no futebol português, para além dos tradicionais dirigentes que mais não fazem do que despistar as suas incapacidades de gestão desportiva, os jornalistas e comentadores desportivos estão, indubitavelmente, em primeiríssimo lugar.
Um outro ponto interessante para entendermos a cabecinha dos nossos jornalistas: quem não conhecesse as duas equipas e estivesse a ver o jogo de Leiria, pensava muito naturalmente que havia uma equipa portuguesa (Sporting) a jogar contra uma equipa estrangeira (Leiria), pois o tom de voz, a tentativa de explicações reflectiam um desaire que, para eles, era inexplicável.
Do mesmo modo, convém não esquecer as equipas portuguesas que ganharam recentemente taças europeias (Porto), chegaram às finais (Sporting) e às meias-finais (Benfica, Boavista) dessas mesmas competições.
Finalmente, quem defende a redução de equipas no campeonato pode olhar para estes resultados: menos equipas, menos surpresas.
Se há alguma coisa má no futebol português, para além dos tradicionais dirigentes que mais não fazem do que despistar as suas incapacidades de gestão desportiva, os jornalistas e comentadores desportivos estão, indubitavelmente, em primeiríssimo lugar.
sábado, abril 19, 2008
madeira e portugal
Confesso que ando confuso com a visita (que hoje termina) do Presidente da República à Região Autónoma da Madeira. Para além da despropositada duração da visita (tendo em conta o programa da mesma) e das vulgaridades sobre o clima que Cavaco Silva, amiudadamente, referiu (o que levou um jornalista local a designá-las de metáforas!...), algumas frases que ouvi deixaram-me perplexo. Por exemplo:
E eu que pensava que a Madeira era também Portugal!...
- "sentimento inquebrantável entre portugueses e madeirenses” (Cavaco);
- "Não será por causa dos portugueses da Madeira que o Estado deixará de alcançar os objectivos que todos desejamos" (Jardim);
- "Conheço o patriotismo das gentes desta Região Autónoma e o sentimento profundo e inquebrável que as une a Portugal" (Cavaco).
E eu que pensava que a Madeira era também Portugal!...
confusão no psd
Ribau, que poucas horas antes da declaração de Menezes que proclamou a sua renúncia do cargo de presidente do PSD ainda afirmava que o líder do partido nem à bomba saía, diz agora que Menezes poderá candidatar-se, de novo, ao cargo que, surpreendentemente, abjurou. Ora, o que Ribau Esteves afirma, nesta entrevista à TSF, não é mais do que a sua própria disponibilidade para uma candidatura. Logo ele que, dois ou três dias após a eleição de Menezes, já preconizava, num futuro próximo, a sua própria quimera como putativo líder do partido.
De qualquer modo, se tivermos em conta o afã que neste momento sobrevoa o PSD, com candidatos a líder para o curto, médio e longo prazo, não surpreende que Ribau esboce, também ele, o seu próprio ante-projecto. É só uma questão de democracia interna.
De qualquer modo, se tivermos em conta o afã que neste momento sobrevoa o PSD, com candidatos a líder para o curto, médio e longo prazo, não surpreende que Ribau esboce, também ele, o seu próprio ante-projecto. É só uma questão de democracia interna.
tiago monteiro na fórmula 1
Ficámos hoje a saber que o prodigioso ex-piloto de fórmula 1, de seu nome Tiago Monteiro, beneficiou de uma dádiva do governo de dois milhões de euros. Tudo para que a sua permanência no "circo" tivesse a respectiva continuidade mediática.
Em primeiro lugar, uma palavra para este jornalismo de investigação, através do qual conseguimos ter acesso a muitos disparates que políticos com responsabilidades sistematicamente teimam em produzir. Deste modo, aparece-nos agora esta pérola da arte de bem governar, que começou, segundo os jornais, com... adivinhem... o governo de Santana Lopes. No entanto, segundo o pai do piloto, todos os protocolos (que protocolos?...) foram já assinados pelo actual governo.
Não vou agora aqui falar da falta de apoios que outros desportos, com incomparável maior tradição e sucesso, advogam por parte do Estado. Os exemplos são numerosos e passam, na maior parte dos casos, pela escassez de infraestruturas (não estou a referir-me aos estádios de futebol) que permitam aos atletas desenvolverem, com qualidade aceitável, a prática dos seus desportos. Assim, gostaria mais de sublinhar, em jeito de comparação, que dois milhões de euros são, de facto, muito dinheiro. Dinheiro que daria muito jeito às escolas degradadas que o país ainda possui, a muitos hospitais para comprar equipamentos e ambulâncias com melhores valências, a muitas instituições de solidariedade, a muitas famílias que deixaram de receber o subsídio de desemprego, àqueles dois milhões de pobres que persistem ainda em Portugal...
Sócrates responderá que tudo isto é demagogia. Mas não é! São, simplesmente, os números... da fórmula 1 em Portugal.
Em primeiro lugar, uma palavra para este jornalismo de investigação, através do qual conseguimos ter acesso a muitos disparates que políticos com responsabilidades sistematicamente teimam em produzir. Deste modo, aparece-nos agora esta pérola da arte de bem governar, que começou, segundo os jornais, com... adivinhem... o governo de Santana Lopes. No entanto, segundo o pai do piloto, todos os protocolos (que protocolos?...) foram já assinados pelo actual governo.
Não vou agora aqui falar da falta de apoios que outros desportos, com incomparável maior tradição e sucesso, advogam por parte do Estado. Os exemplos são numerosos e passam, na maior parte dos casos, pela escassez de infraestruturas (não estou a referir-me aos estádios de futebol) que permitam aos atletas desenvolverem, com qualidade aceitável, a prática dos seus desportos. Assim, gostaria mais de sublinhar, em jeito de comparação, que dois milhões de euros são, de facto, muito dinheiro. Dinheiro que daria muito jeito às escolas degradadas que o país ainda possui, a muitos hospitais para comprar equipamentos e ambulâncias com melhores valências, a muitas instituições de solidariedade, a muitas famílias que deixaram de receber o subsídio de desemprego, àqueles dois milhões de pobres que persistem ainda em Portugal...
Sócrates responderá que tudo isto é demagogia. Mas não é! São, simplesmente, os números... da fórmula 1 em Portugal.
assim se faz um senador
As pessoas cavalgam muitas vezes em sonhos. Luís Filipe Menezes andou, nos últimos sete meses, orientando-se em mantos diafanogénos que lhe permitiram acalentar uma certa dose de irrealidades, como, por exemplo, o de conseguir convencer a maioria dos portugueses das suas capacidades políticas, ao ponto de o elegerem primeiro-ministro. Agora, determinou que não, que já não queria ser primeiro-ministro. E desiste. Logo ele, que sublinhou que não desistia nem à bomba!...
O que fazer agora? Nova cavalgada: nem mais nem menos que uma espécie de referência moral da nação PSD. Tal como o outro, o Santana Lopes. Ele foi claro na entrevista à SIC: [tenho recebido] "centenas, milhares de apelos para ser candidato."
Tal como o outro (o Santana), também este vai andar por aí. Tal como os outros (cansava-me a enumerá-los), também Menezes prefere ser senador. E é assim que eles se fazem.
O que fazer agora? Nova cavalgada: nem mais nem menos que uma espécie de referência moral da nação PSD. Tal como o outro, o Santana Lopes. Ele foi claro na entrevista à SIC: [tenho recebido] "centenas, milhares de apelos para ser candidato."
Tal como o outro (o Santana), também este vai andar por aí. Tal como os outros (cansava-me a enumerá-los), também Menezes prefere ser senador. E é assim que eles se fazem.
quinta-feira, abril 17, 2008
aguiar branco e o seu voto apagado de intenções
Não entendo este permanente e despropositado laconismo dos nossos políticos (ou de alguns). Como se a arte de não dizer, de deixar a pairar ideias no ar, tipo os homens (e as mulheres) do futebol ("você sabe do que estou a falar!...", diria alguém que não recordo o nome) fosse, efectivamente, uma espécie de fronteira ou de exame obrigatório para os candidatos a qualquer coisa na política.
Por isso, ouvir Aguiar Branco, hoje, na rádio, a respeito duma hipotética candidatura à liderança do PSD foi confrangedor. O jornalista questiona-o: "Mas já começou a recolher assinaturas?" Resposta de Aguiar Branco: "Está tudo na entrevista". O jornalista não desiste: "Vai concorrer à liderança?" Aguiar Branco: "Está tudo na Visão". Etc. etc. etc.
Fale, homem... Desembuche! Deixe lá o "está tudo na entrevista" e diga o que tem a dizer. Não seja como muitos dos seus colegas. As pessoas querem, cada vez mais, alguém que lhes fale claro, com objectividade, sem subterfúgios retóricos nem habilidades desse tipo.
Aprenda, mas veja com quem!...
Por isso, ouvir Aguiar Branco, hoje, na rádio, a respeito duma hipotética candidatura à liderança do PSD foi confrangedor. O jornalista questiona-o: "Mas já começou a recolher assinaturas?" Resposta de Aguiar Branco: "Está tudo na entrevista". O jornalista não desiste: "Vai concorrer à liderança?" Aguiar Branco: "Está tudo na Visão". Etc. etc. etc.
Fale, homem... Desembuche! Deixe lá o "está tudo na entrevista" e diga o que tem a dizer. Não seja como muitos dos seus colegas. As pessoas querem, cada vez mais, alguém que lhes fale claro, com objectividade, sem subterfúgios retóricos nem habilidades desse tipo.
Aprenda, mas veja com quem!...
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