sábado, abril 05, 2008
ministra já conhecia os dados sobre a violência
Ora, as expressões de Lurdes Rodrigues são bem típicas de quem não faz parte de uma solução para todo o imbróglio em que a educação se encontra, neste momento, inserida. Na verdade, quando um responsável por uma política, seja de que ministério for, passa a ter, como principal preocupação, a disseminação das críticas a problemas (emergentes ou não) concretos, não se lhe augura, portanto, um grande futuro.
Aliás, é curioso verificarmos o discurso desta equipa ministerial e não vemos outra coisa senão discursos ocos, vazios, inertes. O exemplo da réplica que o extraordinário Valter Lemos, à margem do 9.º Fórum da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Corporativo, que ontem se realizou no Porto, esboçou (a respeito das observações que têm vindo a ser feitas à escola), serve de paradigma ao que se encontra por detrás da filosofia comunicacional e apaziguadora do ministério da educação: "está-se a fazer uma campanha totalmente imerecida porque, para a maior parte dos portugueses, não existe alternativa ao ensino público". Depois, como os jornalistas lhe pediram para ser mais preciso, responde, ao melhor estilo de Octávio Machado: "eu vejo as vossas notícias, vocês é que saberão".
sexta-feira, abril 04, 2008
acordo ortográfico
Mas a grande preocupação revelada pela APEL tem a ver muito mais com as vendas e com a intrusão das editoras brasileiras no nosso país e nos palop's, do que com sensibilidades linguísticas. Daí afirmarem que Portugal sairá muito mais prejudicado que o Brasil, pois as "as instituições internacionais, a partir do momento em que Portugal ceder às intenções do Brasil, não hesitarão em ter como referência o Português daquele país" e que o objectivo de globalizar a Língua Portuguesa será defraudado".
É evidente que a preferência pelo português do Brasil será sempre muito maior, nas instâncias internacionais, do que a variante do português europeu. Mas é precisamente este argumento que patrocina uma das razões fundamentais da urgência dum acordo ortográfico que unifique a vertente ortográfica da língua portuguesa, respeitando sempre, evidentemente, as diversas diversidades regionais, no que à oralidade diz respeito (entende-se muito mais facilmente um brasileiro do Rio de Janeiro do que, por exemplo, um açoriano do concelho da Povoação).
O acordo ortográfico é, pois, relevante e urgente, mesmo que isso implique, nas editoras, uma profunda reformulação (e investimento) nas suas estruturas.
quinta-feira, abril 03, 2008
o grande mal de Portugal
- "É da maior importância esta decisão que hoje foi tomada. O país tem que fazer um investimento sério na modernização das suas infra-estruturas";
- "Uma vez que já temos deliberada a localização da nova travessia do Tejo, estão assim definidas as duas principais infra-estruturas que vamos construir nos próximos anos: o aeroporto e a nova ponte".
Quem aplaude?... Eu não. Sublinho a prepotência provinciana, a visão desgastada de uma opção ultra-centralizadora. Penso na ideia de país desta gente, na verdadeira modernização das infra-estruturas, nos "investimentos sérios" e o que realmente vislumbro é um país cada vez mais desigual e centralizado, em que a desertificação do interior, iniciada há décadas, se torna hoje num verdadeiro paradigma de modernização. Os exemplos são muitos e variados e vão desde o encerramento de serviços de saúde (maternidades, urgências), de escolas, de GNR, de agricultura, de finanças, de tribunais, até às próprias linhas de caminho de ferro, por onde os comboios outrora passavam. Mas tudo isto tem sempre alicerçado o padrão (justificação) semântico duma maior proximidade e melhor qualidade de vida e de atendimento. Tudo em nome dos cidadãos, claro.
pinto monteiro e a violência nas escolas
Ora, o que se estranha, no meio de tudo isto, é que Pinto Monteiro não tenha uma atitude de coerência com o que tem vindo a advogar, isto é, a obrigação social de todos os cidadãos (incluindo escolas, professores e funcionários, obviamente) de denunciar os actos agressivos dos alunos. Que eu saiba, uma pistola de 9 mm nas mãos de um garoto de 12 ou 13 anos é muito mais perigosa de que a maioria das agressões que se passam nas escolas.
jorge coelho e a política
É difícil não se gostar do ex-dirigente do PS. Incendiário mas também bombeiro (apesar de ser mais conhecido por este último epíteto), Coelho apareceu com uma expressão de maior visibilidade no PS de António Guterres. Este, com a sua inclinação para frases tonitruantes ("picareta falante", disse dele Vasco Pulido Valente), chegou mesmo a afirmar que o antigo ministro da Administração Interna era "imprescindível". Daí ter chegado a número dois do partido, com uma suposta arte de engendrar tácticas e estratégias orientadoras do PS (pelo menos é com esta áurea com que os jornalistas, na sua globalidade, o interpretam). Por isso, um deputado desta maioria chega mesmo ao ponto de declarar, segundo a edição do DN de hoje, que "Jorge Coelho é um senador" (quem será o deputado?!...).
Todavia, este "senador" foi tratar da vidinha, afirmando que não é rico e precisar de "ganhar a vida". Nada, aliás, que outros "senadores" (agora estou a sorrir, ao contrário do deputado do PS que teria dito o mesmo sem se rir...) não tivessem já feito. Quatro exemplos que o DN de hoje invoca: Pina Moura, Ferreira do Amaral, Armando Vara, Fernando Nogueira. Há outros, muitos outros. Só que ainda não chegaram a senadores...
quarta-feira, abril 02, 2008
ver para crer!
Uma outra queixa do mesmo teor, manifestada pelos pais de três crianças, agora na escola básica do Salgueiral, em Guimarães, foi também apresentada no tribunal, acusando a professora de maus tratos, ao proceder ao fechamento da boca dos alunos através duma fita adesiva, impedindo, portanto, os discentes de falarem ou mesmo bocejarem.
Posto isto, é caso para dizer a falta que um telemóvel faz nestas ocasiões.
terça-feira, abril 01, 2008
o silêncio e a quietude na sala de aulas
Eu entendo a lógica deste raciocínio. Os jovens, actualmente, absorvem o mundo mediático que diariamente gravita nas suas imberbes cabecinhas e, consequentemente, essa atmosfera não se coaduna com uma lógica de esforço, tendo em consideração que estar em silêncio e quieto no seu lugar, exige um quinhão de empenho considerável. Por outro lado, a ideia do aluno contrária a uma proactividade interventiva, irrequieta, é considerada, aprioristicamente, altamente negativa para aquilo que a chamada pedagogia nova (que estava bem representada no programa por aquele professor do primeiro ciclo que agora não recordo o nome), tem vindo, de há uns anos a esta parte, a professar com efectiva receptividade. Daí a proliferação, nos currículos escolares, das disciplinas (que já fiz aqui e aqui referência) inseridas nas chamadas áreas curriculares não disciplinares (só o nome disto, revela um posicionamento ideológico-pedagógico da coisa), pois são disciplinas (apesar de se denominarem "não disciplinares") que habituam o aluno a um posicionamento altamente interventivo, altamente "motivador", altamente proactivo, transformando uma turma num conjunto de jovens hiperactivos (nesta contextualização, o 2º ciclo é um verdadeiro paradigma...).
Ora, as disciplinas não são todas iguais. Se eventualmente as há muito parecidas a estas não-disciplinas, outras existem em que a concentração, o esforço, a quietude, o silêncio são imprescindíveis a uma recepção apropriada da mensagem, em que o professor continua ainda a ser o seu (inter)locutor privilegiado.
