segunda-feira, março 31, 2008

ainda as desigualdades

Vieram a calhar (relativamente ao último post aqui escrito) as declarações da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) sobre a falta de apoios logísticos que têm vindo a crescer no interior do país. O presidente da LBP é peremptório nas suas alegações: "quem vive nestes concelhos [do interior] está dependente da disponibilidade de tempo e da disponibilidade financeira da corporação local", para adiantar, numa conclusão la palassiana, que o "cidadão tem os mesmos direitos, quer viva numa aldeia recôndita em Vila Real, quer viva em Lisboa".
É evidente que sim, que tem os mesmos direitos. Infelizmente, não é isso que se passa.
Com efeito, perdeu-se, paradoxalmente, com o ímpeto regenerador que a democracia implementou em Portugal, uma oportunidade única de desenvolver (um dos três "d's" de Abril...), homogeneamente, o País. Na verdade, o que deveria ter sido a principal conduta política em democracia - até porque, lutando contra uma centralização, o regime democrático não fazia mais do que lutar ainda contra uma teorização nefasta dum Portugal ruralmente amarfanhado -, tornou-se, rapidamente, num esquecimento paulatino e decadente de todo o Portugal não litoralizado.
Recito, neste contexto, as palavras de José Sócrates em Viseu: "um país para todos, já que as boas sociedades são as que não permitem desigualdades gritantes". É bom ouvir alguém - ainda para mais quando é primeiro-ministro - falar assim. As palavras ficam sempre bem, assim, emolduradas...

domingo, março 30, 2008

as palavras e os actos de Sócrates

Retenho uma frase de José Sócrates, ontem, no distrito de Viseu: "um país para todos, já que as boas sociedades são as que não permitem desigualdades gritantes".
Não sei muito bem o que o nosso primeiro-ministro entende por desigualdade, reforçado, ainda por cima, com o adjectivo gritante. Se tivermos em conta a política de efectiva centralização deste governo, notamos que as desigualdades sociais, geográficas, económicas e profissionais têm vindo a crescer. Basta só olhar para a política de saúde e das muitas manifestações que se vêm realizando, nos mais diversos espaços socioprofissionais. A última conseguiu juntar, em Lisboa - a cidade de todas as manifestações, sinal de centralismo, ou melhor, de desigualdade - cerca de 3000 reformados, em protesto contra a política social do governo.

as virgens ofendidas

Ao que parece, o exército autárquico socialista, reunido no Funchal no congresso da ANAFRE (Associação Nacional de Freguesias), ficou chocado com as declarações de Jaime Gama, enaltecendo as virtudes democráticas de Alberto João Jardim. De facto, Jaime Gama foi ridículo, se nos lembrarmos, que ainda há bem pouco tempo, apelidou o presidente da Região Autónoma da Madeira de Bokassa, o que não é, convém sublinhá-lo, epíteto de muito bom uso nos meios políticos e diplomáticos.
No entanto, a atitude demonstrada pelo Presidente da Assembleia da República não é nada de extraordinária. Na verdade, os políticos, em Portugal, já nos habituaram a mudanças de opinião, as quais são, muitas vezes, autênticas acrobacias de retórica. Assim, 0 que Jaime Gama fez não foi mais do que outros já fizeram e/ou continuam a fazer. Numa palavra: descredibilização. Acrescente-se: política.

(publicado no jornal Público em 3/Abril/2008)

sábado, março 29, 2008

confusão ideológica


Vive-se, no nosso panorama político, uma alentada confusão ideológica. E a "culpa" é, evidentemente, do governo. Mas só que, neste caso, a responsabilidade é meticulosamente delineada pelos estrategas dos gabinetes ministeriais.
Na verdade, a maioria PS balança entre uma direita escarpada, com tiques de autoritarismo que muitos dos seus ministros já demonstraram (Lurdes Rodrigues e Santos Silva, por exemplo), e uma esquerda mais à esquerda que o Bloco de Esquerda, como se viu, recentemente, com a introdução do aborto no quadro político e social e, agora, com a supressão da figura do divórcio litigioso, ao mesmo tempo que pretende reduzir para um ano "ou até menos" o período de separação de facto para um divórcio ser decretado, gerando, deste modo, uma contenda com a igreja católica, à semelhança, aliás, com o que já aconteceu com o Partido Socialista Espanhol.
É o que se chama agradar a gregos e a troianos.

sexta-feira, março 28, 2008

a escola é um lugar porreiro

O Expresso compilou uma série de vídeos que pairam no you tube sobre a indisciplina dos alunos. Afinal, "tá-se bem", na escola.

Observação: aborrecem-me aquelas pessoas que falam na família como a causa primeira do mau comportamento dos alunos. Ouvi, a respeito da aluna da secundária Carolina Michaelis, completas aberrações pretensamente analíticas, as quais apontam, invariavelmente, a família como um exclusivo tentáculo educacional. Esquecem-se que uma turma escolar sobrepõe-se, muitas vezes, a qualquer outra vertente afectiva.

quinta-feira, março 27, 2008

a subida e descida do IVA e o PSD

O argumentário de Teixeira dos Santos em relação às críticas do PSD, que defende que a descida de 1% do IVA é "irrelevante e casuística", faz todo o sentido. Com efeito, quando o governo aumentou o imposto em 1%, o discurso era precisamente o oposto, isto é, prejudicava objectivamente os portugueses. Ora, com a descida do IVA exigia-se, ao menos, alguma coerência por parte do maior partido da oposição.

professora apresenta queixa

Afinal, foi preciso que todo este problema se mediatizasse para que a professora de francês da Escola Secundária Carolinha Michaelis apresentasse queixa judicial, não só contra a alegada agressora, como também outras duas contra os restantes elementos da turma.
Este procedimento é, aliás, sintomático daquilo que é o deserto, o isolamento que os professores hoje em dia percorrem.
Torna-se, portanto, evidente que as escolas não têm capacidade para resolver problemas de indisciplina que todos os dias acontecem dentro das salas de aulas.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...