O inquérito foi aberto e os resultados já saíram: os dois alunos vão ser transferidos para uma outra escola. Os dois alunos - deve-se sublinhar - são a aluna que tentou retirar o telemóvel das mãos da professora e o que filmou toda a cena que apareceu, posteriormente, no you tube e, por arrastamento, nas televisões.
No entanto, estes dois agentes da acção tiveram papéis diferenciados neste episódio. De certo modo, o rapaz que filmou prestou um bom serviço à educação, pois contribuiu para apaziguar certos olhares que a classe docente estava sendo vítima (afinal, ser professor, não é tão linear como parece...). Por outro lado, a maioria dos restantes elementos da turma foram igualmente coniventes com a situação criada. Assim, o operador de camera (de telemóvel) só fez mais uma coisa que os outros não tiveram coragem de fazer. Ou então por que não tinham à mão um telemóvel.
quinta-feira, março 27, 2008
gestão pública dos hospitais e descida do iva: as lutas inglórias do pcp
Penso, desde há muito, que uma das desfortunas que se cola ao Partido Comunista Português tem a ver com a sua incapacidade de fazer passar positiva e mediaticamente uma determinada mensagem política. A par disso, o PCP nunca conseguiu combater eficazmente a sintomatologia social que lhe é quase geneticamente adstrita.
Dois exemplos recentes que se podem invocar, a este respeito, partem de duas decisões do governo: a gestão pública dos hospitais e a descida do IVA para 20 %. Na verdade, estas duas aclamadíssimas decisões do governo tinham sido já propostas pelo grupo parlamentar do Partido Comunista. Na altura foram liminarmente rejeitadas pelos deputados socialistas; agora foram apresentadas apologeticamente como se de um achamento se tratasse.
Deste modo, torna-se evidente que um dos maiores trunfos desta maioria tem sido o de saber jogar com a dimensão mediática da política. Nem que, para isso, seja preciso proceder a uma estratégica obliteração de propostas que, mais tarde, possam vir a ser úteis.
Esta é, a meu ver, uma das razões da perniciosidade de (certas) maiorias absolutas.
Dois exemplos recentes que se podem invocar, a este respeito, partem de duas decisões do governo: a gestão pública dos hospitais e a descida do IVA para 20 %. Na verdade, estas duas aclamadíssimas decisões do governo tinham sido já propostas pelo grupo parlamentar do Partido Comunista. Na altura foram liminarmente rejeitadas pelos deputados socialistas; agora foram apresentadas apologeticamente como se de um achamento se tratasse.
Deste modo, torna-se evidente que um dos maiores trunfos desta maioria tem sido o de saber jogar com a dimensão mediática da política. Nem que, para isso, seja preciso proceder a uma estratégica obliteração de propostas que, mais tarde, possam vir a ser úteis.
Esta é, a meu ver, uma das razões da perniciosidade de (certas) maiorias absolutas.
quarta-feira, março 26, 2008
luís filipe menezes e a violência nas escolas
Só faltava mesmo Luís Filpe Menezes intervir, na forma em que o fez, na questiúncula da aluna e do telemóvel, que decorreu na Escola Secundária Carolina Michaëlis, no Porto. Para o líder do PSD, a culpa é do governo. Ponto final.
Ele tem razão, pois a culpa só pode ser do governo. Todavia, Menezes não conseguiu ir mais além do que a demagogia permite. Por isso, para ele, a culpa mora exclusivamente no governo de Sócrates, esquecendo-se que a pasta da educação foi ocupada maioritariamente por gente do seu partido. Na verdade, desde 1976, a educação foi regida durante 20 anos pelo PSD e durante 10 pelo PS.
Ele tem razão, pois a culpa só pode ser do governo. Todavia, Menezes não conseguiu ir mais além do que a demagogia permite. Por isso, para ele, a culpa mora exclusivamente no governo de Sócrates, esquecendo-se que a pasta da educação foi ocupada maioritariamente por gente do seu partido. Na verdade, desde 1976, a educação foi regida durante 20 anos pelo PSD e durante 10 pelo PS.
terça-feira, março 25, 2008
a violência escolar e valter lemos
Valter Lemos é uma daquelas personagens que, escutando-o, ficamos com a sensação de que se encontra no lugar errado. Não é que ele diga coisas completamente disparatadas, mas é na sua elementaridade argumentativa que reside esse desaparafusamento profissional. Veio hoje rebater os números da violência nas escolas. Não passou disto: "As estatísticas dizem..."; "não sei que números e dados tem o sr. Procurador-Geral..."; "este governo é o que mais medidas tomou contra a violência..." E por aí fora.
Ouvindo Valter Lemos, ficamos com a certeza que o seu lugar foi ocupado não pelo chamado mérito que este governo tanto apregoa, mas por uma outra coisa qualquer que, a partir de certos patamares lugubremente trabalhados, se torna impossível combater.
Ouvindo Valter Lemos, ficamos com a certeza que o seu lugar foi ocupado não pelo chamado mérito que este governo tanto apregoa, mas por uma outra coisa qualquer que, a partir de certos patamares lugubremente trabalhados, se torna impossível combater.
o ps de sócrates
Sócrates sublinhou, na tomada de posse das comissões políticas concelhias da Federação da Área Urbana de Lisboa do PS (FAUL), que o partido está unido e aberto ao exterior e que está "em permanente diálogo com as forças de progresso do país", assim como, mais uma vez, teve que recordar que, no PS, as divergências são respeitadas, pois são fruto de um partido naturalmente plural:"nunca [o PS] teve delitos de opinião, nem nunca marginalizou ninguém só por ter posições diferentes (...) aqui no PS há liberdade interna".
Estas palavras do secretário-geral do Partido Socialista devem ser consideradas se tivermos em conta uma visão diacrónica do partido. Por outro lado, a pluralidade opinativa, as chamadas tendências, fazem parte do código genético de qualquer partido. Mesmo no PCP existem tendências e Jerónimo de Sousa bem pode também vir para as televisões afirmar, tonitruante, que os comunistas respeitam - tendo mesmo em especial apreço - os pontos de vista divergentes da direcção do partido.
Um partido político sem contraditório é, pois, um partido esgotado e com necessidade de uma regeneração. Esta deve ser enquadrada tendo em conta um processo interno de desmistificação daquilo que está, de certo modo, mistificado. E o PS - este PS - vive, nos tempos que correm, nesta espécie de limbo narcisista (mistificador). Tem um líder que é primeiro-ministro de um governo maioritário, o primeiro na história do partido.
Nesta contextura, deveria o PS marcar a diferença em relação ao seu antecessor no governo (o PSD). Mas não. Com efeito, o partido socialista decalca o mesmo caminho do PSD de Cavaco: deixa de existir. Exemplo disso é o olhar que podemos lançar para o confrangedor grupo parlamentar (aí, onde o partido verdadeiramente existe, ou deveria existir...) e depressa notamos que o grupo de deputados que compõem a maioria parlamentar não são mais do que meros títeres do governo.
Por isso, as palavras de José Sócrates na FAUL são meras palavras vazias de sentido.
Estas palavras do secretário-geral do Partido Socialista devem ser consideradas se tivermos em conta uma visão diacrónica do partido. Por outro lado, a pluralidade opinativa, as chamadas tendências, fazem parte do código genético de qualquer partido. Mesmo no PCP existem tendências e Jerónimo de Sousa bem pode também vir para as televisões afirmar, tonitruante, que os comunistas respeitam - tendo mesmo em especial apreço - os pontos de vista divergentes da direcção do partido.
Um partido político sem contraditório é, pois, um partido esgotado e com necessidade de uma regeneração. Esta deve ser enquadrada tendo em conta um processo interno de desmistificação daquilo que está, de certo modo, mistificado. E o PS - este PS - vive, nos tempos que correm, nesta espécie de limbo narcisista (mistificador). Tem um líder que é primeiro-ministro de um governo maioritário, o primeiro na história do partido.
Nesta contextura, deveria o PS marcar a diferença em relação ao seu antecessor no governo (o PSD). Mas não. Com efeito, o partido socialista decalca o mesmo caminho do PSD de Cavaco: deixa de existir. Exemplo disso é o olhar que podemos lançar para o confrangedor grupo parlamentar (aí, onde o partido verdadeiramente existe, ou deveria existir...) e depressa notamos que o grupo de deputados que compõem a maioria parlamentar não são mais do que meros títeres do governo.
Por isso, as palavras de José Sócrates na FAUL são meras palavras vazias de sentido.
segunda-feira, março 24, 2008
o fisco e os noivos
O simples facto destes senhores das finanças se lembrarem de enormidades tamanhas, como aquela de promover os noivos a fiscais dos impostos no dia do próprio casamento, obrigando-os a comunicar, ao respectivo departamento de finanças da zona, sobre outras eventuais celebrações que possam decorrer, nesse mesmo dia (ou nessa mesma tarde ou manhã), no local onde o seu casamento está sendo realizado, ou se o vestido de noiva foi oferecido por este ou por aquele e quanto é que custou, ou mesmo quantas pessoas é que foram convidadas para a cerimónia, é revelador dum estado preocupante em que a nossa democracia se encontra.
Parece que um Secretário de Estado das Finanças já admitiu que pode ter havido excesso de zelo nalgumas questões. Fica-lhe bem. No entanto, mantém-se a desvirtude desta proposta que é a de originar um clima de bufaria geral.
É evidente que ninguém está contra a obrigatoriedade de apresentação, por parte das entidades que fornecem serviços, dos recibos que justificam os diversos enquadramentos contratuais. O que está aqui em causa extravasa em muito meras formalidades tributárias e fiscais. Na verdade, ninguém tem que saber quem ofereceu o vestido, nem quanto custou, nem ninguém deve ser obrigado a atitudes persecutórias.
Mesmo que, como decerto alguém do governo justificará, isso se passe lá para os lados das Noruegas...
Parece que um Secretário de Estado das Finanças já admitiu que pode ter havido excesso de zelo nalgumas questões. Fica-lhe bem. No entanto, mantém-se a desvirtude desta proposta que é a de originar um clima de bufaria geral.
É evidente que ninguém está contra a obrigatoriedade de apresentação, por parte das entidades que fornecem serviços, dos recibos que justificam os diversos enquadramentos contratuais. O que está aqui em causa extravasa em muito meras formalidades tributárias e fiscais. Na verdade, ninguém tem que saber quem ofereceu o vestido, nem quanto custou, nem ninguém deve ser obrigado a atitudes persecutórias.
Mesmo que, como decerto alguém do governo justificará, isso se passe lá para os lados das Noruegas...
sábado, março 22, 2008
as áreas curriculares não disciplinares e o caso do telemóvel
Importa, de uma vez por todas, definir, com objectividade pedagógica, a importância das chamadas disciplinas das áreas curriculares não disciplinares. Neste sentido, convém lembrar que a famosa turma do 9 C, da Escola Secundária Carolina Michaëlis, comporta, na sua vivência escolar, nada mais do que 5 anos de Formação Cívica, Área de Projecto e Estudo Acompanhado, com uma média de 4 horas semanais.
O que aconteceu naquela sala de aulas deve, antes de mais, fazer pensar os extraordinários mentores que as chamadas Ciências da Educação têm vindo a produzir, ao longo destes anos, e que originaram as obtusidades pedagógicas que são estas disciplinas, as quais - há que dizê-lo com toda a clareza - roubam tempo lectivo a disciplinas com muito maior relevância social, cognitiva, cultural e psicológica.
O que aconteceu naquela sala de aulas deve, antes de mais, fazer pensar os extraordinários mentores que as chamadas Ciências da Educação têm vindo a produzir, ao longo destes anos, e que originaram as obtusidades pedagógicas que são estas disciplinas, as quais - há que dizê-lo com toda a clareza - roubam tempo lectivo a disciplinas com muito maior relevância social, cognitiva, cultural e psicológica.
Etiquetas:
áreas disciplinares não curriculares
Subscrever:
Mensagens (Atom)
