sexta-feira, março 21, 2008

obsessão legisladora


O Expresso traz hoje, na página 5, um artigo - "sopa de letras" - que glosa a paranóia que, sistematicamente, sobrevoa a cabeça dos nossos governantes. Resume-se o texto à afirmação que em Portugal "legisla-se demasiado e com textos muito longos". É verdade. Mais grave do que a própria vertente legislativa, que se vê também nas mais diversas instituições (alguém já se deu ao trabalho, por exemplo, de ler o Regulamento Interno de uma qualquer escola?), é o desentendimento do próprio texto. Deixo aqui um exemplo que António Barreto descortinou e que publicou no Público em 7/10/2007. O título é convidativo: "um naco de prosa".

ainda o telemóvel da aluna

Manuel António Pina acerta hoje, na sua crónica do Jornal de Notícias, quando, com um sentido conclusivo, interroga indirectamente a equipa do ministério da educação: "Seria interessante ver como (com que leis ou com que Estatuto do Aluno ou da Carreira Docente) reagiriam a ministra e os seus secretários de Estado na situação da professora da Escola Carolina Michaëlis".
Com efeito, a causa educativa tem que começar a ser encarada desta maneira, isto é, colocando questões que só aparentemente são demagógicas. Aparentemente, repito, pois o quotidiano escolar - aquele que realmente interessa, ou seja, o interior duma sala de aula - é, infelizmente, cada vez mais igual ao que se passou no antigo liceu Carolina Michaëlis.

quinta-feira, março 20, 2008

a professora, a aluna e o telemóvel (2)

Estive a ver o filme outra vez. A aluna conseguiu ficar com o telemóvel!

a censura social do presidente do conselho de escolas

Muito interessante foi a resposta do presidente do conselho de escolas relativamente à apreensão do telemóvel duma aluna da Escola Secundária Carolina Michaëlis, no Porto. Com efeito, Álvaro Almeida dos Santos salientou que existe um "conjunto de medidas sancionatórias que podem ser aplicadas", adiantando, no entanto, que "neste caso concreto, a censura social que foi criada em torno da actuação dos alunos já é, por si só, uma medida pesada".
Não sei o que Álvaro Almeida entende por censura social, mas o que eu vi, na televisão, foi um número de entretenimento que a maior parte dos alunos de uma turma de 9º ano realizou (o verbo "realizar" tem, aqui, um fundamento cinematográfico).

a professora, a aluna e o telemóvel (1)

Estava no restaurante quando um telejornal abriu com a notícia da confiscação, por parte duma professora de francês de uma turma de 9º ano, do telemóvel de uma aluna. Ao meu lado, os comensais, entre as garfadas na vitela e o olhar desafeiçoado na televisão, comentavam, espaçadamente, o que viam. Retenho, ainda assim, uma frase de uma mesa de família, entre alguns risos voluntariosos: "a professora quer o telemóvel e a aluna não o quer dar".
Fica assim objectivamente explicada a questiúncula que teve honras de abertura de um jornal televisivo entre um telemóvel, uma aluna de 9º ano e uma professora de francês.

aznar e o iraque

José María Aznar, ex-presidente do governo espanhol e um dos que iniciaram a escalada da guerra no Iraque, referiu que, se fosse hoje, voltaria a apoiar a intervenção militar neste país, argumentando que hoje o mundo está melhor sem Saddam. Eu também concordo que o mundo está melhor sem o ditador iraquiano, mas não podemos afirmar tão peremptoriamente que esse mesmo mundo está hoje melhor do que há cinco anos atrás. O que é algo objectivamente diferente.

fim da gestão privada nos hospitais

O governa baralha e volta a dar. Agora colocou fim à gestão privada dos hospitais, depois do hospital Amadora-Sintra ter sido apresentado como um modelo de gestão. Descobriram, agora, que a gestão pública pode fazer igual ou melhor que a privada. Uma opção claramente de esquerda, mas que José Sócrates não fez uma mea culpa da teimosia inicialmente seguida. Do mesmo modo, não referiu que, neste ponto, fez aquilo que o Partido Comunista desde sempre proclamou.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...