terça-feira, março 11, 2008

monarquia ou república

Nos Prós e Contras decorre um debate interessantíssimo sobre a qualidade de dois regimes possíveis: a monarquia e a república. Tendo em conta que a instauração do regime republicano vai comemorar cem anos em 2010, verificamos que este espaço temporal, numa linha diacrónica dum povo como Portugal (uma velha nação), não é senão um decurso episódico que está em permanente concretização.

domingo, março 09, 2008

a avaliação dos professores

Uma verdade nunca dita: até agora, os professores sempre foram avaliados, isto é, sempre houve um processo de avaliação de professores. É verdade que o processo de avaliação nunca foi exemplo de rigor e de justiça. No entanto, não é admissível deixar desenvolver-se uma mentira em que é sublinhado que a classe profissional dos professores é a única do serviço público que não se sujeita a um processo de avaliação.
Conseguintemente, o facto de se afirmar a ausência duma avaliação, faz com que se esqueça os pontos sobre os quais incide o processo (actual) da avaliação dos professores. São eles os seguintes, divididos pela componente lectiva e pela componente não lectiva:
  1. Realização de trabalho a nível individual;
  2. Prestação de trabalho a nível do estabelecimento de ensino;
  3. Cargos Desempenhados;
  4. Desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem (englobando também as áreas curriculares não disciplinares e o processo de acompanhamento dos alunos);
  5. Participação em actividades desenvolvidas no âmbito da comunidade educativa;
  6. Formação acrescida;
  7. Assiduidade.

Ora não é difícil perceber que todos estes parâmetros chegavam para edificar, concludente e satisfatoriamente, um processo de avaliação dos professores equilibrado e justo. Bastaria que houvesse simplesmente boa vontade (menos teimosia e disparates pseudopedagógicos) e objectividade por parte dos órgãos executivos das escolas.

os argumentos da ministra

São extraordinários os argumentos aventados pela Ministra da Educação para justificar a sua suposta operacionalidade no ministério. Afirmar que o elevado número de professores na manifestação "não é relevante", ou que "desistir tem sido a prática comum ao menor protesto, à menor insatisfação" e que "o país não tem escolha", revela um perfil desapropriado, incoerente com o que se pretende de um ministro com uma pasta tão sensível como a da educação. Na verdade, Maria de Lurdes Rodrigues, com estas afirmações, não revela absolutamente nada, isto é, não desenha alternativas para os pontos mais críticos da avaliação dos professores. Mas também não é só a avaliação que está em causa - convém nunca esquecer este dado -, pois a manifestação foi o culminar de uma insatisfação que começou a emergir quando, burocraticamente, esta equipa se lembrou de dividir artificial e injustamente os professores, com a invenção forçada dos professores titulares.

sábado, março 08, 2008

o "day after" da manifestação de professores (e o psd)

Vale a pena ler o que Pacheco Pereira escreveu sobre a manifestação de professores, designadamente quando se debruça sobre uma hipotética continuação dos protestos. Haverá sinergia suficiente?
Pacheco Pereira também deixa na atmosfera política a seguinte interpelação: haverá PSD para ombrear em 2009 com José Sócrates e o governo PS?
Eu posso arriscar uma resposta: a continuar assim, o PSD pode desaparecer do mapa político (iniciou uma vacuidade total com Santana Lopes) o que, diga-se desde já, não é também drama algum (naturalmente, haverá sempre sentimentalismos oportunos...). Os partidos nascem e morrem. No Portugal republicano (só para ficar por aqui) já nasceram e morreram vários partidos. É isto que acontece quando não se adaptam a uma sociedade em mudança (o que não é o caso do PSD), ou quando se inicia um processo de implosão no seu interior (o que, manifestamente, é já paradigmático nestepartido).

augusto santos silva e as declarações em chaves

O que se tem vindo a provar é que a maior parte dos membros deste governo (Maria de Lurdes Rodrigues é uma aparente excepção) não lidam bem com contestações inesperadas. Outro aspecto curioso é a justificação que dão a respeito das mesmas: o PCP isto, o PCP aquilo... Aliás, desde que me lembro, este partido foi sempre o bode expiatório para as manifestações políticas de contestação aos vários governos finesseculares e princípios deste novo século. Penso que o PCP agradece estas amabilidades. Retribuíram-na com uma manifestação efectivamente organizada pelo Partido Comunista e que conseguui aglomerar 50 mil pessoas.
Outra ilação interessante a tirar das declarações (extraordinárias) de Santos Silvas foi a de motivar Luís Filipe Menezes ao ponto de afirmar que aquele não tem "credibilidade nenhuma". Onde nós chegámos!

tudo errado

Parece-me incrível, completamente desproporcinado, que um jornalista como Fenando Madrinha recorra sistematicamente no mesmo erro de análise em relativamente à luta que os professores têm vindo a travar. O que os comentadores em geral revelam nomeio deste imbróglio educativo e contestatário é um menosprezo por uma classe que eles olham com ares de superioridade eventualmente moral, mas seguramente instrutiva (os professores, aqui - deve-se sublinhar - têm tido culpa ao longo destes anos de abulismo crítico...). O caso de Fernando Mdrinha é paradigmático:
O título do artigo elucida: "A reboque do PCP". Poderia ser escrito por Augusto Santos Silva, mas Fernando Madrinha poupou-lhe o trabalho. Insinuar que o PCP está por detrás deste tipo de manifestações é um completo disparate, ainda para mais quando FM ajuiza que as escolas "são talvez o mais firme reduto das esquerdas" (!). Na verdade, afirmações como a que FM esboça no seu artigo de que "professores ou não professores, comunistas ou não comunistas, os manifestantes desta tarde vêm protestar contra o Governo e já não contra este decreto do Ministério da Educação", são reveladoreas do posicionamento faccioso do autor.
Os professores que se manifestaram nesta tarde fizeram-no contra a política do Ministério da Educação e não contra a política do Governo em geral. Os macro protestos devem ficar a cargo dos partidos políticos. E hoje, apesar do posicionamento empático da oposição, quem esteve na rua foram somente professores. Por muito que FM não queira ver ou que lhe custe notar.

sexta-feira, março 07, 2008

menezes e o portugal paralisado

Ainda em relação ao post de ontem, devemos acrescentar que, apesar do ataque de consciência política e pessoal de Menezes, vivemos num país desgovernado, paralisado, em que, por um lado - e segundo Luís Filipe Menezes - o PS "já não não tem condições para estar à frente do governo"; por outro lado, o "PSD ainda não merece [mas vai merecer] ser Governo".
É uma grande complicação!

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...