segunda-feira, março 03, 2008
afinal, não vem à televisão
Em relação ao post anterior, quero esclarecer que toda a publicidade em volta do programa Prós e Contras induzia a um entendimento enganador e que passava pela presença da ministra no programa. De qualquer maneira, ela por lá pairará...
ministra outra vez na televisão
A ministra da educação vai outra vez (hoje) ao programa Prós e Contras?! Não sei quem é que a anda lá pelo ministério a aconselhá-la. Provavelmente, alguma agência de comunicação. Estas aparições mediáticas têm um não sei quê de vertiginoso. Mau prenúncio... Para ela.
vital moreira e os (seus) cálculos da reforma educativa
Escrevi aqui um post relativamente aos aliados de Maria Lurdes Rodrigues. Esqueci-me (imperdoável) de Vital Moreira. No entanto, ele hoje fez com que me redimisse dessa minha falha ao escrever, em Causa Nossa, um post manifestando o seu empenhamento proactivo na distinção das políticas reformistas do ministério da educação. É simplesmente mais um que desenvolve raciocínios panegíricos sobre a personagem. Vale a pena transcrevê-lo:
"Há quem tenha a ilusão de que uns milhares de professores na rua arrastam a demissão da ministra da educação. Não se dão conta de duas coisas elementares: (i) Maria de Lurdes Rodrigues já deu sobejas provas de que não se deixa impressionar pela contestação; (ii) Sócrates nunca poderia ceder aos protestos de uma classe profissional, ainda por cima sem apoios na população em geral.De resto, para além de justa em si mesma, a reforma da educação rende mais votos do que os que faz perder..."
O título do post não podia ser mais adequado e ilusoriamente realista: Ilusões.
"Há quem tenha a ilusão de que uns milhares de professores na rua arrastam a demissão da ministra da educação. Não se dão conta de duas coisas elementares: (i) Maria de Lurdes Rodrigues já deu sobejas provas de que não se deixa impressionar pela contestação; (ii) Sócrates nunca poderia ceder aos protestos de uma classe profissional, ainda por cima sem apoios na população em geral.De resto, para além de justa em si mesma, a reforma da educação rende mais votos do que os que faz perder..."
O título do post não podia ser mais adequado e ilusoriamente realista: Ilusões.
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domingo, março 02, 2008
discurso do discurso
O Presidente da República fala e, por norma, não é claro naquilo que diz. Naturalmente que esta ausência de objectividade comunicativa não se deve a alguma deficiência vocabular. Pelo contrário, tudo se resume a uma imprecisa (vaga) noção de que o que se quer transmitir não poder ser dito de forma facilmente inteligível. Por isso expressões como "serenidade", "sinais positivos", "superar as dificulades" se tornem numa espécie de obrigativo comunicacional de Cavaco.
Daí que se verifique, em muitos jornalistas, autênticas doses de contorcionismo interpretativo no sentido de clarificar a mensagem do Presidente da República. Foi o que se passou hoje com o editorial do DN com o infeliz título O discurso-oráculo de Cavaco Silva.
Daí que se verifique, em muitos jornalistas, autênticas doses de contorcionismo interpretativo no sentido de clarificar a mensagem do Presidente da República. Foi o que se passou hoje com o editorial do DN com o infeliz título O discurso-oráculo de Cavaco Silva.
sábado, março 01, 2008
os aliados de lurdes rodrigues
Basta lermos com alguma atenção a imprensa generalista para facilmente descortinarmos que Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da educação, conseguiu granjear - o que nem sempre é fácil - o apoio (importante) de muitos jornalistas, os quais, por serem justamente considerados bons jornalistas, adquirem, por vezes, pontos de vista incompreensivelmente irracionais. Curiosamente, todos eles (cito, rapidamente, três: Sousa Tavares, Fernando Madrinha e Henrique Monteiro) discorrem do alto de uma espécie de torre de marfim, em que o professor é alguém que claramente se encontra uns degraus abaixo desses seus castelos emoldurados (um exemplo que agora me ocorreu diz respeito ao problema da empregabilidade: estes três profissionais da imprensa escrita
são unânimes no que consideram que as pessoas devem ter consciência que o emprego para toda a vida acabou. Logo eles que trabalham no mesmo emprego há vinte, trinta anos...).
são unânimes no que consideram que as pessoas devem ter consciência que o emprego para toda a vida acabou. Logo eles que trabalham no mesmo emprego há vinte, trinta anos...).Ora quando a defesa das suas teses adquire tons de alguma intolerância argumentativa, como a que podemos observar na coluna que Fernando Madrinha tem no Expresso, a discussão deixa de ser possível, pois os argumentos invocados não são mais do que expressões de estados de alma e estes, como obviamente se apreende, pouco valem no que concerne a uma discussão com conhecimento de causa. Basta olharmos para o que Fernando Madrinha diz de Maria de Lurdes Rodrigues:
- "Explica-as [as políticas] com desarmante serenidade no meio da gritaria à sua volta, como se viu no Prós e Contras".
- "Perante todos, a ministra respondeu com a segurança de quem age segundo a sua consciência e convicta da correcção das decisões que toma."
- "O país não pode dar-se ao luxo de eliminar todos os que têm a coragem de tentar mudar o que está mal."
- "o conjunto de iniciativas que tomou (...) são uma revolução no modo de encarar o trabalho na escola."
- "ela rompeu com uma paz podre"
- "[pessoas como] Ana Benavente ainda se permitam a desfaçatez de vir a público criticar a ministra."
A pergunta é óbvia: o que é que Fernando Madrinha acrescenta, com estes pontos de vista (legítimos, naturalmente) à discussão? Nada. Absolutamente nada.
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maioria absoluta?!...
Pois é... a maioria dos portugueses (41,3%) até gostaria de ter, na próxima legislatura, um governo de maioria absoluta. Só que esta maioria deveria ser constituída por mais que um partido, preferencialmente dois. 33% prefere mesmo um governo de minoria. Eu insiro-me nestes últimos.
Na verdade, as duas únicas experiências de maioria monopartidária não foram, dum ponto de vista de uma salutar convivência democrática, aconselháveis. Com efeito, tanto José Sócrates como (principalmente) Cavaco Silva nunca foram capazes de olhar para o parlamento como um ponto de discussão onde tudo poderia ser motivo de redefinição estratégica (o âmbito das políticas europeias é, talvez, uma excepção que não faz mais do que confirmar a regra). Por isso, dentro do regime semipresidencialista que nos rege, em que o papel do Presidente da República potencia, de certo modo, determinados comportamentos obstativos ao funcionamento da própria democracia (pelo menos quando nos aparece um presidente que diz, projectando um sinal de "virtude", que não quer ser uma força de bloqueio para o governo, seja lá o que isso, numa óptica democrática, possa significar...), o monopartidarismo maioritário não nos convém. A não ser... A não ser que surja efectivamente um "força de bloqueio" o que, diga-se de passagem, é um cenário que actualmente não se revela propenso a acontecer, pois para se ser "força de bloqueio" num governo de maioria absoluta, tem que se ver, antes de tudo, a política verdadeiramente despida de constrangimentos hipócritas, do tipo o governo governa, o presidente pouco faz, isto é, anda (também) por aí, atento aos chamados dossiês políticos que supostamente possam ser considerados socialmente divisores.
O que se pede a um Presidente da República é, antes de tudo, que seja capaz de ler os sinais que a sociedade diariamente lhe transmite. Neste sentido, Jorge Sampaio foi desastroso com a anuência dada ao exraordinário governo de Santana Lopes. Cavaco Silva, infelizmente, não tem cultura política suficientemente cimentada para se constituir como uma verdadeira força de bloqueio. Para bem da Nação, pensarão muitos.
Na verdade, as duas únicas experiências de maioria monopartidária não foram, dum ponto de vista de uma salutar convivência democrática, aconselháveis. Com efeito, tanto José Sócrates como (principalmente) Cavaco Silva nunca foram capazes de olhar para o parlamento como um ponto de discussão onde tudo poderia ser motivo de redefinição estratégica (o âmbito das políticas europeias é, talvez, uma excepção que não faz mais do que confirmar a regra). Por isso, dentro do regime semipresidencialista que nos rege, em que o papel do Presidente da República potencia, de certo modo, determinados comportamentos obstativos ao funcionamento da própria democracia (pelo menos quando nos aparece um presidente que diz, projectando um sinal de "virtude", que não quer ser uma força de bloqueio para o governo, seja lá o que isso, numa óptica democrática, possa significar...), o monopartidarismo maioritário não nos convém. A não ser... A não ser que surja efectivamente um "força de bloqueio" o que, diga-se de passagem, é um cenário que actualmente não se revela propenso a acontecer, pois para se ser "força de bloqueio" num governo de maioria absoluta, tem que se ver, antes de tudo, a política verdadeiramente despida de constrangimentos hipócritas, do tipo o governo governa, o presidente pouco faz, isto é, anda (também) por aí, atento aos chamados dossiês políticos que supostamente possam ser considerados socialmente divisores.
O que se pede a um Presidente da República é, antes de tudo, que seja capaz de ler os sinais que a sociedade diariamente lhe transmite. Neste sentido, Jorge Sampaio foi desastroso com a anuência dada ao exraordinário governo de Santana Lopes. Cavaco Silva, infelizmente, não tem cultura política suficientemente cimentada para se constituir como uma verdadeira força de bloqueio. Para bem da Nação, pensarão muitos.
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avaliação de desempenho - dimensão ética
Independentemente da grelha respeitante à dimensão ética (!) do professor estar ou não sujeita a uma aprovação por parte do Conselho Pedagógico do Agrupamento de Escolas Correia Mateus, em Leiria, a polémica é reveladora do modo como funciona a cabecinha de muitos conselhos executivos e do perigo que poderia advir duma autonomia escolar cada vez mais preeminente.
Tudo começou quando Francisco Louçã, no Parlamento, exigiu explicações a José Sócrates sobre critérios tão estranhos como "verbaliza a sua insatisfação/satisfação face às mudanças ocorridas no Sistema Educativo/na Escola através das críticas destrutivas potenciadoras de instabilidade no seio dos seus pares?” A ministra da educação salientou posteriormente que este tipo de item foi rejeitado pelo conselho
pedagógico da escola, o que foi de imediato desmentido pelo presidente do agrupamento. A ministra, por sua vez, admitiu uma falha de comunicação (argumento recorrentíssimo nos dias que correm) salientando também que uma pergunta deste tipo não era de forma alguma aceitável (o que só lhe ficou bem). No entanto, o facto desta pergunta aparecer numa grelha que supostamente deveria avaliar a dimensão ética dum professor é, só por si, revelador duma certa hostilidade (ética) que começa, em primeiro lugar, nas cabeças da ministra e dos respectivos secretários de estado. Por isso, em certas personagens (e personalidades) que povoam as escolas básicas e secundárias, este tipo de orientação/comunicação verticalizada, é assimilada de um modo que objectivamente interfere no ambiente psico-pedagógico de outros agentes educativos, que - não por acaso - até são seus pares.
Na verdade, este ministério iniciou uma espiral de contestação que naturalmente vai ter consequências. Basta ouvir com atenção o Presidente da República e facilmente se verifica que o seu apoio a Maria de Lurdes Rodrigues está já no mesmo patamar com o que foi dado a Correia de Campos. E este já por cá não anda, ou melhor, anda por aí, que é a melhor maneira dele andar por cá.
Tudo começou quando Francisco Louçã, no Parlamento, exigiu explicações a José Sócrates sobre critérios tão estranhos como "verbaliza a sua insatisfação/satisfação face às mudanças ocorridas no Sistema Educativo/na Escola através das críticas destrutivas potenciadoras de instabilidade no seio dos seus pares?” A ministra da educação salientou posteriormente que este tipo de item foi rejeitado pelo conselho
pedagógico da escola, o que foi de imediato desmentido pelo presidente do agrupamento. A ministra, por sua vez, admitiu uma falha de comunicação (argumento recorrentíssimo nos dias que correm) salientando também que uma pergunta deste tipo não era de forma alguma aceitável (o que só lhe ficou bem). No entanto, o facto desta pergunta aparecer numa grelha que supostamente deveria avaliar a dimensão ética dum professor é, só por si, revelador duma certa hostilidade (ética) que começa, em primeiro lugar, nas cabeças da ministra e dos respectivos secretários de estado. Por isso, em certas personagens (e personalidades) que povoam as escolas básicas e secundárias, este tipo de orientação/comunicação verticalizada, é assimilada de um modo que objectivamente interfere no ambiente psico-pedagógico de outros agentes educativos, que - não por acaso - até são seus pares.Na verdade, este ministério iniciou uma espiral de contestação que naturalmente vai ter consequências. Basta ouvir com atenção o Presidente da República e facilmente se verifica que o seu apoio a Maria de Lurdes Rodrigues está já no mesmo patamar com o que foi dado a Correia de Campos. E este já por cá não anda, ou melhor, anda por aí, que é a melhor maneira dele andar por cá.
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