terça-feira, fevereiro 12, 2008

vera jardim e o ps

Vera Jardim reflectiu sobre a actual condição do PS enquanto partido de poder e chegou à brilhante conclusão de que é normal o défice de debate político nos partidos que estão no governo e que o PS não foge, portanto, à regra (Público, 12/02/08, p. 9). Ora é precisamente contra este raciocínio que os apoiantes e militantes do PS (os mais inconformados) se insurgem. Perde-se, pois, uma oportunidade de fazer diferente e com isso contribuir para uma maior credibilização de todo o sistema partidário e político.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

"era só o que faltava", diz Santana

Santana Lopes bem se esforça por passar a mensagem: as visitas que organiza como líder parlamentar do PSD por esse país fora estão combinadas com o presidente do partido, Luís Filipe Menezes. Reforçando a convicção que empresta à sua própria convicção, atalha: "era só o que faltava". Mas por que é que Menezes não seguiu os conselhos de Ângelo Correia a respeito da situação (previsível) do comportamente irrequieto de Santana na liderança parlamentar do PSD? Deste modo, Luís Filipe Menezes tem uma tarefa muito grande, maior do que as suas capacidades: de um lado, Sócrates; do outro, Santana. Era só o que faltava!

professores fumadores

Hoje vi professores fumar o seu cigarrito do lado exterior do portão de entrada do recinto escolar (alguns portões distam a uns bons 500 metros da entrada da escola). Eu não fumo, mas fiquei um pouco incomodado com o espectáculo. Não bastaria a proibição de fumar fora de recintos cobertos (sala de aulas, sala de professores, átrio, cantina, ginásio, etc.)? Não houve ninguém da classe que se insurgisse contra esta (mais uma) discriminação profissional? Por acaso os deputados (é só um exemplo) vão para as escadarias da Assembleia da República esfumarar os seus cigarros?

domingo, fevereiro 10, 2008

expo 2008 em saragoça

Um atavismo recorrente de Portugal: qualquer evento com impacto internacional (e até nacional) é disputado invariavelmente por Lisboa e, por vezes, lá aparece o Porto. Contrariamente, nos outros países europeus (Alemanha, Holanda, Grécia, França, Inglaterra...), mesmo os de dimensão semelhante ao nosso, esta postura decadente não se passa (basta lembrar os nomes dos tratados europeus que já foram assinados nesses países). O exemplo vem agora de Espanha, em que a Expo 2008 vai ser em Saragoça, a quinta maior cidade espanhola.
Depois andamos por aqui a queixarmo-nos das nossas desigualdades sociais e geográficas...

2018 e o campeonato do mundo de futebol

Um sr. chamado Gilberto Madaíl e que é presidente da Federação Portuguesa de Futebol anda por aí, há já algum tempo, a gravitar em torno de uma ideia, daquelas em que não custa nada verbalizar, mas que afecta a cabecinha de muita gente com responsabilidades. Diz ele (parece que já propôs ao seu homólogo espanhol!) que vai lutar pela organização conjunta (com Espanha) do Campenato do Mundo de Futebol de 2018. Ficámos também hoje a saber que para Cavaco Silva esta questão não se coloca, pois o país tem "outras prioridades" e que, já no seu tempo de primeiro-ministro, esta questão (da organização de um campeonato do mundo de futebol, se lhe tinha colocado sem sucesso. Ficou o aviso.

descentralização, autonomia educativa e... António Barreto

António Barreto (Público, 10/02/08) giza uma sociedade perfeita no que concerne às coisas da educação. Advoga uma descentralização completa no sentido de conferir uma maior capacidade de decisão ao poder autárquico e às escolas. Em defesa da sua tese, desafia-nos: "Já se pensou no que poderia ser um ministério da educação sem nomeação de professores, sem definição de horários, sem autoridade sobre os técnicos de apoio, sem concursos de aquisição de bens, sem capacidade para aprovar, dia sim dia sim, regulamentos pedagógicos e normas de execução?"
Caro António Barreto, em que país é que vive?!... Sabe que em concelhos que fogem duma determinada área urbana (pequenos concelhos do interior), o sonho de qualquer presidente executivo duma escola é um dia chegar a presidente da autarquia! Por isso, as guerras entre os respectivos órgãos executivos são, muitas vezes, degradantes. Um exemplo concreto: existem câmaras municipais e escolas do mesmo concelho que se digladiam para conseguirem o Centro Novas Oportunidades (CNO), prometendo uns o 9º ano em 3 meses, outro, tendencialmente mais pedagógicos, em ano e meio e há por aí quem tire o 9º ano em... 2 dias (promessas, pelo menos, existem). Agora imagine o que seria essa utópica descentralização educativa. Com o nível que temos de responsabilidade civil, não me parece exequível esse seu projecto.

(publicado no jornal Público no dia 12/02/08)

sábado, fevereiro 09, 2008

A avaliação dos professores

Não consigo entender muito bem esta convergência a respeito da avaliação dos professores. O ministério, como se sabe, encetou já um plano de avaliação que não é mais do que gizar irresponsavelmente uma pseudo reforma no âmbito da selecção do pessoal docente, ao abrigo de uma suposta nobreza de intenção que se resume no glorificado futuro da nação (“queremos portugueses mais competentes”, bradam de vez em quando a ministra e José Sócrates). Por outro lado, os sindicatos, com medo de perder a face, dizem que sim, sim senhor, somos a favor de uma avaliação, mas não somos a favor desta avaliação.
Ora bem, o que ninguém diz com clareza é que uma avaliação do pessoal docente – seja em que arquétipo for – é irresponsável, contraproducente e eventualmente originadora de tremendas injustiças (como qualquer avaliação, argumentarão alguns, embora se esqueçam que os graus de injustiça são naturalmente variáveis quer estejamos a lidar com critérios objectivamente mensuráveis ou não). É que existem profissões com as quais não se adequa um registo de avaliação meramente quantitativo. E a de professor é, seguramente, uma delas.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...