terça-feira, fevereiro 05, 2008
os 800 mil euros de ronaldo
Quando um jogador de futebol aufere 800 mil euros por mês (mais uma panóplia de recursos: publicidade, representações, etc.), podemos desafectadamente afirmar que se torna necessário uma regulação nos ganhos que giram em volta deste desporto. É que não se percebe muito bem que a União Europeia, preocupada com o tamanho dos carapaus, não se indigne com os milhares de euros que gravitam em volta do futebol, ao nível dos ordenados, transferências, empresários, etc. Chamar a esta minha indignação demagogia é pouco e curto. A isto se chama capitalismo selavagem.
domingo, fevereiro 03, 2008
desfiles de carnaval em portugal
Uma coisa que sempre me meteu confusão: os desfiles de carnaval, à brasileira, em Fevereiro, no nosso país. Aquelas rapariguinhas de tanga e mal vestidas, a dançarem para aquecerem do frio invernoso do início deste mês é qualquer coisa que faz parte, no meu modesto entendimento, do anedotário nacional.
os regicidas vistos por um republicano
Não se entende muito bem o raciocínio de João Soares quando advoga um voto de louvor da República ao rei D. Carlos e aos seus assassinos Alfredo Costa e Manuel Buíça. É que as duas partes são completamente adversas. Convém lembrar que os dois regicídas foram o que se chamaria hoje de terroristas suicídas e, independentemente duma verdadeira assunção da causa republicana, jamais a monarquia deveria ter sido derrubada através do assassinato do monarca. Na verdade, também o não foi, visto que o regime ainda se aguentou um pouco mais de dois anos. E convém também não esquecer que a instauração da República em 1910 não alterou uma sociedade que se encontrava moribunda. Pelo contrário, o que veio a seguir foi, em muitos aspectos, pior do que era antigamente. Neste sentido, poderemos sempre idear que sem o regicídio, a monarquia cairia na mesma e não teríamos jamais a implementação, dezasseis anos depois, daquilo que viria a ser o verdadeiro descalabro nacional: o estado corporativista de Salazar.
portugal em risco de explosão social
É o título de uma notícia do jornal Expresso e diz respeito ao descontentamento dos portugueses sobre a prática de regalias notoriamente excessivas que se tem vindo a desenvolver na nossa sociedade, nomeadamente em muitas empresas públicas e privadas. Assim, segundo o jornal, citando o director do Observatório de Segurança, Garcia Leandro, "vão ocorrer movimentos de cidadãos que já não podem aguentar mais o que se passa." Tudo porque, quando se olha em volta a paisagem não é serena: de um lado, observamos uma promiscuidade tradicional entre o público e privado, chorudas indemnizações de gestores, reformas acumuladas dos nossos políticos, lucros de milhões dos bancos; do outro, uma classe média cada vez mais apertada, pobreza encapotada e vergonhosa, hipotecas de casas... Em suma, uma distância cada vez maior entre os mais ricos e os mais pobres (tal como acontece, aliás, naqueles países que nos habituámos a ver como um exemplo de corrupção activa).
Neste contexto, retenho uma frase consensual do último programa A Quadratura do Círculo: em Portugal quem vive da política não consegue viver, mas sobreviver. Eu entendo o contexto com que esta afirmação foi proferida (entretinham-se os comentadores na abordagem às recentes declarações do Bastonário da Ordem dos Advogados). No entanto, exigia-se por parte dos três elementos que compõem o programa, um pouco mais de bom senso e de rigor: é que, por exemplo, o ordenado bruto de um deputado é de 3524,85 euros. Se juntarmos os subsídios, leva para casa todos os meses cerca de três mil euros. Nada mal, para quem anda por aqui a sobreviver.
Neste contexto, retenho uma frase consensual do último programa A Quadratura do Círculo: em Portugal quem vive da política não consegue viver, mas sobreviver. Eu entendo o contexto com que esta afirmação foi proferida (entretinham-se os comentadores na abordagem às recentes declarações do Bastonário da Ordem dos Advogados). No entanto, exigia-se por parte dos três elementos que compõem o programa, um pouco mais de bom senso e de rigor: é que, por exemplo, o ordenado bruto de um deputado é de 3524,85 euros. Se juntarmos os subsídios, leva para casa todos os meses cerca de três mil euros. Nada mal, para quem anda por aqui a sobreviver.
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exclusão social,
pobreza,
quadratura do circulo
sábado, fevereiro 02, 2008
ainda a extraordinária chamada do inem para os bombeiros de Favaios e Alijó
A Inspecção-Geral das Actividades da Saúde ordenou um inquérito à extraordinária conversa telefónica entre uma operadora do INEM e os bombeiros de Favaios e Alijó. Ao que parece, esta inspecção quer saber como foi tornada pública a chamada para os bombeiros. Depois, averiguará as condições de socorro do homem que morreu.
sexta-feira, fevereiro 01, 2008
os estorcegões das obras públicas no governo
Afinal, o que se passa com o governo no que às grandes obras públicas diz respeito? Será que temos um outro Mário Lino na justificação do injustificável, apesar do ministro do ambiente não ser responsável por traçados como o do TGV ou da nova ponte sobre o Tejo? Será por aqui que a oposição consegue fazer tremer o governo irremediavelmente? É que vendo e ouvindo Francisco Nunes Correia (sim, é este o ministro do ambiente) ficamos com a sensação que é muito parecido a Mário Lino no argumentário utilizado.
os projectos de engenharia de Sócrates
A notícia arrolada pelo jornal Público de que José Sócrates assinou, durante a década de oitenta, projectos de arquitectura (?) e engenharia que não eram seus e que foram depois aprovados pela Câmara da Guarda deve ser lida à luz daquilo que constitui uma prática comum da maior parte das câmaras municipais do país, isto é, das chamadas "assinaturas de favor". Esta prática consiste em engenheiros técnicos assinarem projectos dos quais nunca fizeram parte. Vale somente pela assinatura, recebendo dinheiro por isso. Ao que parece, as "assinaturas de favor" não constituem crime, apesar de serem consideradas uma espécie de fraude (à lei). Nada, portanto, que seja estranho à nossa prática de esbatimento das fronteiras entre o que é ético e o que é legal.
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