segunda-feira, janeiro 21, 2008
optimismo e recessão para 2008
Fico contente que o nosso governo seja o único da zona euro a acreditar na viabilidade económica do ano que agora se iniciou. No entanto, esta boa fé (será disso que se trata?) deixa-me também apreensivo: o que virá aí para o governo ser tão assertivo nas suas previsões, ao mesmo tempo, por exemplo, que o preço do barril de petróleo sobe a preços inimagináveis até há bem pouco tempo?!... Temo, portanto, que 2008 continue na senda dos cortes a régua e esquadra, com um enfoque prioritário na saúde e na educação.
domingo, janeiro 20, 2008
o expresso e rui rio
Confesso que ando confuso. Abro a última edição do Expresso (20 de Janeiro, p. 8) e, curioso, inicio a leitura da entrevista a Rui Rio. Primeira pergunta (pertinente) de Ricardo Jorge Pinto: "Na semana em que Luís Filipe Menezes desafiou os militantes descontentes com a sua liderança do PSD a dara cara, que avaliação faz da prestação do novo presidente do partido?" Resposta pronta do entrevistado: "Tal como combinado,esta entrevista é sobre o Porto, pelo que não irei fazer qualquer comentário sobre a vida intena do PSD."
Ando mesmo confuso... A expressão "tal como o combinado" massacra-me os neurónios por não se adequar a um jornal que recentemente recusou um panfleto publicitário que não era mais do que um panegírico às supostas virtudes humanas do presidente da Líbia, Muammar Kadafi. Chegámos, portanto, a um ponto jornalístico em que o que era condenável no tempo da censura do Estado Novo é agora democraticamente aceite por um jornal que se orgulha (louvavelmente) de ter nascido antes do 25 de Abril e de ter ajudado a combater a falta de liberdade de expressão na sociedade de então e de que os jornais eram os principais alvos.
Por isso, não consigo entender como é que o Expresso aceita, numa entrevista, ser previamente regido (pois é disso que se trata) por Rui Rio (ou por qualquer outro), precisamente um dos políticos que representa um dos paradigmas mais evidentes da nossa política caseira: uma incapacidade gritante de diálogo, de ouvir com boa fé os interlocutores e (em particular) de ser uma espécie de tiranete na cidade do Porto. São, pois, os sinais do tempo em que vivemos. Só não me agrada que o Expresso tire bilhete de primeira fila.
Ando mesmo confuso... A expressão "tal como o combinado" massacra-me os neurónios por não se adequar a um jornal que recentemente recusou um panfleto publicitário que não era mais do que um panegírico às supostas virtudes humanas do presidente da Líbia, Muammar Kadafi. Chegámos, portanto, a um ponto jornalístico em que o que era condenável no tempo da censura do Estado Novo é agora democraticamente aceite por um jornal que se orgulha (louvavelmente) de ter nascido antes do 25 de Abril e de ter ajudado a combater a falta de liberdade de expressão na sociedade de então e de que os jornais eram os principais alvos.
Por isso, não consigo entender como é que o Expresso aceita, numa entrevista, ser previamente regido (pois é disso que se trata) por Rui Rio (ou por qualquer outro), precisamente um dos políticos que representa um dos paradigmas mais evidentes da nossa política caseira: uma incapacidade gritante de diálogo, de ouvir com boa fé os interlocutores e (em particular) de ser uma espécie de tiranete na cidade do Porto. São, pois, os sinais do tempo em que vivemos. Só não me agrada que o Expresso tire bilhete de primeira fila.
sexta-feira, janeiro 18, 2008
os milhões de teixeira pinto
É daquelas notícias que o resumo da primeira página diz tudo. Paulo Teixeira Pinto, que trabalhou doze anos no BCP, sai com uma reforma vitalícia de 35 mil euros por mês (14 meses ao ano). Do mesmo modo, também não há muito a dizer sobre isto tudo. O problema é que olhamos para o lado e o cenário também não difere muito. Lembro-me, por exemplo, das reformas (correspondentes a pouquíssimos anos de trabalho) majestáticas dos presidentes da Caixa Geral de Depósitos.
Coloca-se, assim, uma questão que urge dar resposta: o que é que o cidadão comum, aquele que se péla para pagar os juros mensais do seu empréstimo à habitação, pode fazer? Penso sinceramente que se poderia fazer alguma coisa se eventualmente existisse uma dinâmica nacional com intuitos de uma maior justiça (ou equilíbrio) social. Pela minha parte, vou dar baixa da minha conta no millennium bcp.
(nota última: afinal, quem é que anda para aí a falar do Armando Vara?!...É só tentar descobrir as diferenças...).
Coloca-se, assim, uma questão que urge dar resposta: o que é que o cidadão comum, aquele que se péla para pagar os juros mensais do seu empréstimo à habitação, pode fazer? Penso sinceramente que se poderia fazer alguma coisa se eventualmente existisse uma dinâmica nacional com intuitos de uma maior justiça (ou equilíbrio) social. Pela minha parte, vou dar baixa da minha conta no millennium bcp.
(nota última: afinal, quem é que anda para aí a falar do Armando Vara?!...É só tentar descobrir as diferenças...).
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quinta-feira, janeiro 17, 2008
os cargos e os boys
Medeiros Ferreira escreve hoje no Bicho Carpinteiro: "No início dos anos noventa António Guterres convidou-me para um cargo em Bruxelas. Perante algumas reticências que lhe estava a colocar respondeu-me com o fundo da questão«Medeiros, repara que é o melhor cargo que eu, como líder da Oposição, posso oferecer a alguém»". Conclui depois, pacoviamente, que "O resto da história já não interessa".
Ora é precisamente "o resto da história" que interessa. De qualquer modo, o que este exemplo mais uma vez traz ao cimo desta pirâmide cada vez mais ascensional é a facilidade com que estas pessoas põem e dispõem de lugares ora deixados vagos por uns, ora criados especialmente para outros. Convém notar que foi Guterres o autor da célebre frase "no jobs for the boys". Entretanto... mudou alguma coisa?...
Ora é precisamente "o resto da história" que interessa. De qualquer modo, o que este exemplo mais uma vez traz ao cimo desta pirâmide cada vez mais ascensional é a facilidade com que estas pessoas põem e dispõem de lugares ora deixados vagos por uns, ora criados especialmente para outros. Convém notar que foi Guterres o autor da célebre frase "no jobs for the boys". Entretanto... mudou alguma coisa?...
portugal ontem e hoje
A excelente reportagem de Filipe Santos Costa na revista Única 1837 (12 Janeiro 2008, pp. 46-54), salpicada aqui e ali por comentários exegéticos de Rui Ramos e Maria Filomena Mónica, merece ser atentamente lida. O focus analítico tem a ver com as grandes obras públicas do regime: a linha de caminho de ferro de meados da centúria de oitocentos; o TGV e a o aeroporto no início deste século. Na altura, como agora, o argumentário tanto a favor como contra é demasiado espelhante.
terça-feira, janeiro 15, 2008
filipe menezes quer mais contraditório nas televisões
Filipes Menezes defendeu, no encerramento da jornadas parlamentares do PSD, que as televisões (públicas e privadas) deveriam seguir uma linha editorial que permitisse, nos programas cuja génese é o comentário político, a assunção de uma maior representatividade partidária. Começou depois a projectar o desenho desses mesmos programas. Só que o mundo para o sr. Luís Filipe Menezes (o mundo partidário) esgota-se em dois partidos - o PS e o PSD - remetendo os restantes para o limbo do nosso regime parlamentar. Assim, o programa da SIC notícias "Quadratura do Círculo" deveria ser enquadrado com mais um político da área do PSD (visto que o Pacheco Pereira é uma espécie de social democrata desprogramado) e o comentário político na RTP teria que abarcar, por exemplo, o António José Seguro, do PS.
Curiosamente, Filipe Menezes já se tinha insurgido contra a uma eventual falha por parte do PS relativamente a um famoso e exteriorizado acordo de partidos, o qual permite uma rotatividade nos postos de gestão empresarial. Agora, o envolvimento protestativo vai direitinho para as televisões.
Entretanto, Sócrates e o PS agradecem e podem dormir sossegados.
Curiosamente, Filipe Menezes já se tinha insurgido contra a uma eventual falha por parte do PS relativamente a um famoso e exteriorizado acordo de partidos, o qual permite uma rotatividade nos postos de gestão empresarial. Agora, o envolvimento protestativo vai direitinho para as televisões.
Entretanto, Sócrates e o PS agradecem e podem dormir sossegados.
autarcas do oeste reclamam investimentos
E lá vai o governo, em nome do justo equilíbrio de desenvolvimento nacional, ressarcir os autarcas do oeste pelos prejuízos que tiveram nestes últimos anos com a não concretização daquilo que almejavam há mais de uma década: a construção do aeroporto. Posto isto, estes senhores acham-se no direito de exigir "um pacote para minimizar todos os prejuízos nas diversas áreas, como a saúde e o ensino" (Carlos Lourenço, presidente da Associação de Municípios do Oeste), pois o "Oeste ficou mais uma vez esquecido" e urge agora "negociar com os diversos ministérios" para encontrar medidas que compensem a população e empresários da região, concretamente "no desenvolvimento de acessibilidades para o novo aeroporto".
Ora não parece que esta região do Oeste seja das mais esquecidas do país. Basta olhar para os principais quadros de desenvolvimento regional do Instituto Nacional de Estatística para verificarmos, sem grande esforço de compreensão, que o país sofre efectivamente de graves assimetrias regionais e que a região do oeste está entre as que melhor se inserem numa lógica de desenvolvimento sustentado. Basta ser uma região litoralizada. Por isso, estes senhores autarcas não devem comportar-se como merceeiros, optando por uma visão completamente distorcida do que é um verdadeiro desenvolvimento nacional sustentado.
Por outro lado, o governo deve, de uma vez por todas, olhar para aquelas regiões que, apesar de não decidirem eleições, sofrem diariamente os agravamentos de décadas de um investimento desigual no todo nacional.
Ora não parece que esta região do Oeste seja das mais esquecidas do país. Basta olhar para os principais quadros de desenvolvimento regional do Instituto Nacional de Estatística para verificarmos, sem grande esforço de compreensão, que o país sofre efectivamente de graves assimetrias regionais e que a região do oeste está entre as que melhor se inserem numa lógica de desenvolvimento sustentado. Basta ser uma região litoralizada. Por isso, estes senhores autarcas não devem comportar-se como merceeiros, optando por uma visão completamente distorcida do que é um verdadeiro desenvolvimento nacional sustentado.
Por outro lado, o governo deve, de uma vez por todas, olhar para aquelas regiões que, apesar de não decidirem eleições, sofrem diariamente os agravamentos de décadas de um investimento desigual no todo nacional.
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