quinta-feira, janeiro 17, 2008

portugal ontem e hoje

A excelente reportagem de Filipe Santos Costa na revista Única 1837 (12 Janeiro 2008, pp. 46-54), salpicada aqui e ali por comentários exegéticos de Rui Ramos e Maria Filomena Mónica, merece ser atentamente lida. O focus analítico tem a ver com as grandes obras públicas do regime: a linha de caminho de ferro de meados da centúria de oitocentos; o TGV e a o aeroporto no início deste século. Na altura, como agora, o argumentário tanto a favor como contra é demasiado espelhante.

terça-feira, janeiro 15, 2008

filipe menezes quer mais contraditório nas televisões

Filipes Menezes defendeu, no encerramento da jornadas parlamentares do PSD, que as televisões (públicas e privadas) deveriam seguir uma linha editorial que permitisse, nos programas cuja génese é o comentário político, a assunção de uma maior representatividade partidária. Começou depois a projectar o desenho desses mesmos programas. Só que o mundo para o sr. Luís Filipe Menezes (o mundo partidário) esgota-se em dois partidos - o PS e o PSD - remetendo os restantes para o limbo do nosso regime parlamentar. Assim, o programa da SIC notícias "Quadratura do Círculo" deveria ser enquadrado com mais um político da área do PSD (visto que o Pacheco Pereira é uma espécie de social democrata desprogramado) e o comentário político na RTP teria que abarcar, por exemplo, o António José Seguro, do PS.
Curiosamente, Filipe Menezes já se tinha insurgido contra a uma eventual falha por parte do PS relativamente a um famoso e exteriorizado acordo de partidos, o qual permite uma rotatividade nos postos de gestão empresarial. Agora, o envolvimento protestativo vai direitinho para as televisões.
Entretanto, Sócrates e o PS agradecem e podem dormir sossegados.

autarcas do oeste reclamam investimentos

E lá vai o governo, em nome do justo equilíbrio de desenvolvimento nacional, ressarcir os autarcas do oeste pelos prejuízos que tiveram nestes últimos anos com a não concretização daquilo que almejavam há mais de uma década: a construção do aeroporto. Posto isto, estes senhores acham-se no direito de exigir "um pacote para minimizar todos os prejuízos nas diversas áreas, como a saúde e o ensino" (Carlos Lourenço, presidente da Associação de Municípios do Oeste), pois o "Oeste ficou mais uma vez esquecido" e urge agora "negociar com os diversos ministérios" para encontrar medidas que compensem a população e empresários da região, concretamente "no desenvolvimento de acessibilidades para o novo aeroporto".
Ora não parece que esta região do Oeste seja das mais esquecidas do país. Basta olhar para os principais quadros de desenvolvimento regional do Instituto Nacional de Estatística para verificarmos, sem grande esforço de compreensão, que o país sofre efectivamente de graves assimetrias regionais e que a região do oeste está entre as que melhor se inserem numa lógica de desenvolvimento sustentado. Basta ser uma região litoralizada. Por isso, estes senhores autarcas não devem comportar-se como merceeiros, optando por uma visão completamente distorcida do que é um verdadeiro desenvolvimento nacional sustentado.
Por outro lado, o governo deve, de uma vez por todas, olhar para aquelas regiões que, apesar de não decidirem eleições, sofrem diariamente os agravamentos de décadas de um investimento desigual no todo nacional.

os disparates de augusto santos silva

É para isso que serve um ministro dos Assuntos Parlamentares? Augusto Santos Silva não deve andar por aí a disparar absurdamente com o sentido de mover a atenção das pessoas para assuntos que não têm agendamento político. Ainda por cima, imiscuir-se numa reunião do grupo parlamentar do PSD com o apatetado argumento de que o ex-ministro Bagão Félix vai proferir uma "espécie de comício de encerramento" da sua lista ao Banco Comercial Português é de uma insanidade política muito grande. Para que serve um Ministro dos Assuntos Parlamentares?

segunda-feira, janeiro 14, 2008

a campanha do psd para o bcp vista por augusto santos silva

Parece que o ministro Augusto Santos Silva anda por aí a bradar que nunca se viu tamanha indecência no que diz respeito à intromissão dos partidos na economia privada. Tudo por causa dos futuros orgãos que presidirão ao maior banco privado português. Fá-lo deste modo conclusivo: «nunca antes se vira na democracia portuguesa o facto insólito de um partido, neste caso o PSD, decidir fazer campanha por uma das listas concorrentes a um banco privado». Continua: «O PS pede ao PSD que, de uma vez por todas, acabe com esse tipo de comportamento, porque o destino de uma direcção de uma instituição financeira privada apenas compete aos seus accionistas, e não a partidos ou outras associações políticas».
A pergunta (muito ingénua) que eu coloco é a seguinte: mas não foi o tão proclamado acordo de cavalheiros (de partidos) que está na base de uma espécie de rotatividade entre os dois partidos de governo para o preenchimento deste tipo de altos cargos de gestão? Não se designará este tipo de comportamento como hipocrisia política?

domingo, janeiro 13, 2008

reclusos defecam em baldes

A minha primeira emoção, quando li hoje a primeira página do Público foi de regozijo por vivermos num regime que permite aos jornalistas publicar, sem medo de censura prévia, o que de facto eles entendem que deve ser dado a conhecer aos seus leitores em particular e ao país em geral. O segundo momento de perturbação emocional foi de revolta para com o país em que vivemos e (principalmente) para com os políticos que ao longo destes trinta e tal anos nos têm vindo a governar. Como é possível que 656 celas ainda tenham, como retrete, um balde? Devo notar que o emprego do advérbio seria igualmente chocante há 50 anos atrás. Mas nesse tempo o regime era outro e os presos nem sequer contavam na contabilidade oficial (o Tarrafal era bem pior, sempre se poderia ajuizar...).
Posto isto, o ministro Alberto Costa, o que tutela a justiça (sem ironia...) e, por arrastamento, o governo de que faz parte, iludiram mais uma vez os eleitores no incumprimento de mais uma promessa: balizaram temporalmente a terminação desta vergonha para o final de 2007. O gabinete de Alberto Costa defende-se que das 656 celas ainda sem sanitários, 253 estão "em fase de execução", outras já foram adjudicadas e que nas restantes o projecto está "em curso". Vale a pena dizer mais?

(publicado no jornal Público em 15/01/2008)

sábado, janeiro 12, 2008

asae e o treino paramilitar

Uma coisa parece certa: se a ASAE não existisse o país não conheceria o seu extraordinário inspector-chefe António Nunes que, além de fumar em casinos nas primeira horas da sua proibição, de proferir frases como "se não quisermos viver nesta sociedade, podemos sempre emigrar", sustenta agora a necessidade de equipar o seus polícias com treinos ministrados pelas forças de intervenção americana SWAT. Deste modo, os futuros agentes da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica podem sempre ser coerentes com a vestimenta preta e gorro da mesma cor com que se transvertem e partir para uma fiscalização das feiras, restaurantes (fumos, alimentos, higiene), praias e as bolas de berlim, das colheres de pau e do arroz de cabidela, dos copos bem lavados e sem mácula de vestígios microbióticos, mais musculada. Perante isto, quem será o tolo que se arriscará a acender um cigarro sem ter a certeza absoluta que está dentro da completíssima legalidade? Ainda vamos ver restaurantes a servir um arroz de forno em catacumbas fortemente vigiadas do exterior por umas insuspeitas microcâmaras. Repito: o que o país perdia sem este sr. António Nunes...

(publicado no jornal Expresso no dia 19/01/2008)

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...