segunda-feira, janeiro 07, 2008

quénia


Esta é uma imagem que dispensa muitas palavras. Diz respeito à distribuição de alimentos no Quénia. Todas estas pessoas têm fome e esperam, de braços no ar, que alguém em cima de um camião atire uma quantidade determinada de um qualquer pacote alimentar que lhes permita não repetir esta cena por mais uns dias.
Entretanto, os líderes deste país - os que governam e os que se encontram na oposição -, discutem sobre qual deles ganhou as eleições que ocorreram no dia 27 de dezembro!...

domingo, janeiro 06, 2008

paulo portas como líder da oposição

Paulo Portas tem, neste estado deplorável em que se encontra o maior partido da oposição, uma oportunidade única de resplandecer. Ouvi as suas críticas a Vítor Constâncio e que me pareceram oportuníssimas, designadamente quando lembrou que a principal função do Governador do Banco de Portugal hoje em dia não é zelar pela moeda (o escudo há já muito que não existe), mas observar atentamente o bom estado das finanças públicas e também dos bancos comerciais que fazem parte do quadro financeiro do país.
É preciso, com efeito, sair deste adormecimento social em que nos encontramos. Não podemos deixar de nos indignar com aspectos que são altamente reprováveis. E este Paulo Portas, mais jornalista que político pode, com efeito, representar uma mais valia para que isto comece objectivamente a sair dum limbo moralmente pouco edificante.

vitor constâncio e antónio nunes: veja as diferenças

Há empregos (perdão, "jobs") que pela sua própria singularidade profissional recaem sobre eles limitações várias (social, profissional, moral...). Por exemplo, um polícia sistematicamente bêbado é mais criticável (e perigoso) do que um carpinteiro com o mesmo vício. Tudo porque a sua profissão adquire exigências sociais (honra, dignidade, exemplaridade...) que são, no fundo, a base da sua conduta profissional e social.
Ora com cargos como Presidente do Banco de Portugal ou o chefe da polícia ASAE passa-se exactamente o mesmo. Convém lembrar que não basta aparecer de vez em quando na televisão, com ar sério e imaculado e dizer duas ou três banalidades para que o cargo se preencha com a qualidade exigida. Tanto Vítor Constâncio como António Nunes têm obrigações acrescidas, tanto sociais como profissionalmente. Por isso ganham muito mais dinheiro que a maioria dos cidadãos e também por isso não concorreram a estes cargos, limitando-se simplesmente a aceitá-los. Deste modo, quando falham nos seus postos relevantíssimos, não existem muitas escapatórias. São os infortúnios destes cargos. Outros existem em que a margem de erro será mais dilatada, pois a responsabilidade é muito menor.
Por tudo isto, tanto António Nunes como Vítor Constâncio não têm opções que não seja a de apresentar o pedido de demissão. Aquele porque foi apanhado a fumar (onde nós chegámos) e este porque acordou tarde e a más horas dos descalabros do Banco Comercial Português. Parece pouco mas na verdade não o é. Tudo em nome de uma ética profissional e republicana. É que são cargos de nomeação política, convém sempre relembrar.
Mas estou em crer que nada disso se vai passar. O que aconteceu com aquela senhora directora da DREN que processou por difamação um colega seu e que o inquérito arquivou revela bem o estado de impunidade mental desta gente.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Dakar cancelado


O que mais preocupa na decisão da organização francesa em cancelar o rali Lisboa-Dakar tem a ver com a efectiva emergência do terrorismo, ao ponto de no dia anterior da primeira etapa de uma prova que possui uma logística espectacular, a organização tomar uma decisão aparentemente inesperada. E o terrorismo é mesmo isto: a consciente ilusão de uma segurança que o medo vai intermitentemente alimentando, por mais paradoxal que tudo isto possa parecer.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

a mensagem do presidente e a sua recepção

Não se compreende muito bem a recepção da mensagem de final de ano do Presidente da República por parte dos diversos partidos políticos. O Bloco de Esquerda e o PCP aplaudem mas defendem que o presidente poderia ter ido mais longe, o CDS louva, o PSD (ainda estamos à espera se o deveremos denominar de PPD-PSD) diz que não comenta (mas lá vai elogiando). Finalmente, o PS é o mais exaltante nas virtudes comunicacionais de Cavaco.
Posto isto, torna-se legítimo questionar onde é que reside o erro: no contexto verbal pouco claro do Presidente da República ou na derivação de pressupostos linguísticos abusivos por parte dos demais partidos? Seja como for, não tenho dúvidas que as mensagens dos presidentes da república nos finais de ano davam um sério case study.

noite de fim de ano na rtp (nas outras estações não sei sinceramente do que se tratava...)

Passei de relance os olhos pela tão anunciada noite de fim de ano da rtp. Os meios envolventes (técnicos, luzes, som, camiões, etc.), os "gatos", milhares de pessoas, etc., etc., etc. Não é meu costume criticar opções que dizem respeito à vida individual de cada um e também o não vou fazer agora. Mas posso esboçar o meu parecer em relação ao posicionamento panorâmico do programa. E o que eu vi (confesso que de relance) foi os artistas preenchendo o palco com o seu número e com uma garrafa de vinho espumante cada, umas dezenas de mesa naquilo que se poderia apelidar de plateia as quais também se encontravam bem apetrechadas quanto a bebidas (e vi umas caras conhecidas e alguns miúdos que presumo que sejam filhos dessas caras conhecidas, todas da rtp) e à volta, cantando e andando, alegretes, aquela massa anónima que pagou dez euros cada para abrilhantar com os seus aplausos e assobios a festa! Assobiaram, aplaudiram, berraram e não beberam!
(nota: a receita do espectáculo reverteu integralmente para o Serviço de Pediatria do Instituto Português de Oncologia, o que dignifica sobremaneira a rtp)

a mensagem de cavaco e os ordenados dos gestores

O que deu brado na mensagem do Presidente da República foi a referência aos ordenados excessivos dos muitos gestores, directores, presidentes de empresas que por aí pululam de empresa em empresa. Ora o que é curioso verificar, no meio de tudo isto, é que quem critica o presidente de demagogia (embora ressalvando que é um tipo de demagogia crente...) é precisamente quem aufere ordenados de milhares e milhares de euros ora comentando aqui, ora escrevendo ali, ora ainda aparecendo como convidado não sei mais onde. E concluem com o argumento (e este nem se atrevem a adjectivá-lo de demagógico): o que está em causa não é o ordenado dos gestores; o que realmente interessa é o ordenado dos trabalhadores que é muito baixo. Pois é, mas acontece que a disparidade entre os chamados gestores de topo e os trabalhadores (que são, no fundo, a classe média) é cada vez maior. E isto resulta que a chamada classe média em Portugal se encontra cada vez mas estagnada, mais pobre e a classe socialmente rica vai gozando cada vez com maior ímpeto o usufruto dos seus rendimentos. No meio de tudo isto, parece que muitos não querem compreender que um país só é verdadeiramente civilizado quando o todo se situa em patamares de desenvolvimento os mais homogéneos possíveis. Ora assim, com o empobrecimento da classe média, não vamos lá.
Uma analogia com este tema é o que se passa com o encerramento das maternidades e urgências nas zonas mais desfavorecidas do país. Estas também tendem, com estas resoluções, a ficar cada vez mais pobres. Por outro lado, as outras (as capitais de distrito), já de si com um capital de riqueza naturalmente acrescido, vêem-se com valências que até nem solicitaram.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...