sexta-feira, dezembro 21, 2007

encerramento do bloco de partos do hospital de chaves

Segundo Correia de Campos, ministro da saúde, o bloco de partos do hospital de Chaves vai encerrar pois já existem melhores valências na zona, isto é, em Vila Real (aproveita a onda e aferrolha também os Serviços de Atendimento Permanente, no período nocturno, de Murça, Alijó, Vila Pouca de Aguiar e Peso da Régua). No mesmo sentido, anota que é uma vergonha que o número de cesarianas seja o mais baixo do país (cerca de 60% dos nascimentos). Deste modo, é mais uma unidade de maternidade a fechar as portas numa zona interior (neste caso de fronteira, o que poderia originar um acréscimo do capital humano, nomeadamente das localidades galegas limítrofes, que é, no fundo, o que se passa com a unidade de Badajoz que serve toda a raia alentejana). Correia de Campos, com o tom demagógico que o poder potencia, sublinha que agora as acessibilidades já não são um problema, referindo-se objectivamente à A4. Esqueceu-se (também ninguém lhe perguntou) de lembrar que ainda há dias a mesma A4 esteve praticamente encerrada durante um dia e que não é uma estrada, durante o período invernal, que suscite uma confiança acrescida para os condutores (são cerca de 70 km de gelo e neve até Vila Real).
Ora os números dizem que em Chaves, em 2007, nasceram quase 400 bebés. Nesta contabilidade, a pergunta torna-se inevitável: quantos bebés precisa o sr. ministro que nasçam por ano para uma maternidade não dar prejuízo? Mas eu já sei a resposta: com um sorrisinho matreiro e olhos reluzentes, dirá: "o que o governo pretende é simplesmente dar às populações condições na área da maternidade que neste momento não usufruem..." Vale uma aposta?

(publicado na edição do jornal Expresso do dia 29/dezembro/2007 e no jornal A voz de trás-os-montes no dia 3/janeiro/2008)

quinta-feira, dezembro 20, 2007

metro derrapou mais de 40%


Pois é: a construção do metro até Santa Apolónia teve uma derrapagem de mais de 40%. Pergunto: onde está a notícia?
O que me espanta é ver sentadinhos na inauguração do comboio os senhores ministros e o senhor presidente da câmara de Lisboa e também (já agora) o sr. presidente do metro (há presidentes para tudo, felizmente), exibindo um sorriso de orelha a orelha, como se a derrapagem fosse de... 0, 4%. Mas, como disse José Sócrates, "o mais importante nesta obra foi acabá-la". E acabou-a.

discriminação nas escolas públicas

O Jornal de Notícias traz hoje o resultado de uma investigação (v. http://jn.sapo.pt/2007/12/20/primeiro_plano/escolas_oficiais_escolhem_alunos_bas.html), no âmbito de um trabalho em sociologia da educação, a qual reproduz que as escolas públicas escolhem os alunos que mais lhes convêm, isto é, recusam alunos potencialmente perturbadores (a maioria oriunda de classes sociais desfavorecidas) e aceitam aqueles que lhes dão uma maior garantia de sucesso escolar. Como também é salientado no jornal, este procedimento revela-se inconstitucional, pois o ensino público é, paradigmaticamente, um ensino inclusivo. No mesmo sentido, é também uma prática corrente da gestão das escolas - desde há muito tempo - quando não existe essa possibilidade de simples recusa (meios mais pequenos em que a escolha não se revela possível), as turmas estarem divididas também segundo determinadas categorias sociais: os alunos "da cidade" vão para uma turma (a A e a B) e os outros (das "aldeias" ou dos bairros problemáticos vão para as C's, D's e por aí fora.
No entanto, este hábito de gerência escolar não se fica pelos alunos, pois aqueles professores mais próximos do executivo ficam com as respectivas turmas A e B enquanto que os desgraçados que por qualquer motivo não cairam nas graças do senhor presidente (ou até por que são novos nas escolas) são remetidos impiedosamente para as restantes. E são estes, naturalmente, que vão engrossar a clientela dos psiquiatras.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

salário mínimo segundo a juventude popular

Só mesmo da cabecinha destes jovens centristas e populares é que podia vir uma ideia destas: "[o salário mínimo] tem dois efeitos muito claros no mercado de trabalho: impedir de trabalhar quem estiver disponível para trabalhar por valor inferior a esse preço" (v. http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=314609&visual=26). Não há, pois, muito a dizer para contraditar este absoluto liberalismo contratual em relação ao mercado de trabalho. Há efectivamente pessoas que trabalham e que ganham menos que o salário mínimo nacional. No fundo, é a lei do mercado a funcionar. Só que estas pessoas são tabalhadores avulso, isto é, regulam o seu próprio tempo laboral. Agora o que não deve é haver ninguém, no seu perfeito juízo, que queira ganhar menos que os 426 euros mensais com uma carga horária de 35 ou 40 horas semanais. Mas os jovens PP's acreditam "na liberdade contratual entre empresas e funcionários sem que o Estado imponha um salário". Ainda bem para eles.

terça-feira, dezembro 18, 2007

caso UGT/FSE: afinal foram todos absolvidos

Torres Couto, João Proença e mais 36 arguidos (23 dos quais pessoas singulares) andaram durante mais de quinze quinze anos (o caso remonta a 1988/89) com o ónus de uma eventual culpabilização, num caso de fraude relativamente à obtenção de subsídios num valor superior a 358 mil contos (1,8 milhões de euros). A acusação foi, como se sabe, deduzida pelo Ministério Público e só agora o tribunal deu como provada a inocência de todos os arguidos. Perante estes números (não dos arguidos, obviamente, que até não são muitos, mas dos números que balizam o início e o fim do processo), não haverá muito a dizer. Andar dezanove anos com uma nota de culpa, ainda que ficcionada, nas costas ou na testa não é empreitada para qualquer um. Nem mesmo para o Ministério Público. Mas afinal (e finalmente), foi mesmo feita justiça, segundo (ironiza?) Torres Couto.

segunda-feira, dezembro 17, 2007

"ofensa à honra", por Alberto João Jardim

É sempre interessante quando Alberto João Jardim é notícia. Todavia, tem-no sido, ultimamente, poucas vezes. Dizem os manuais do jornalismo que uma notícia deve constituir uma novidade. Por exemplo, não é notícia dizer que Vasco da Gama descobriu o caminho marítimo para a India. No entanto, se em vez de Vasco da Gama aparecesse, através de fontes credíveis, um outro nome, esse facto já constituiria motivo de notícia nos diversos orgãos de comunicação social.
Ora com Jardim passa-se exactamente o mesmo. Se o ouvimos chamar, por exemplo, "bastardos"aos jornalistas do continente (in Público, 17/12/2007, p. 8) já nenhum orgão de comunicação lhe dá a mínima importância, pois não é assunto que mereça sequer vir mencionado (a novidade não existe).
Mas o mesmo não acontece quando Alberto João Jardim processa Baptista-Bastos por "ofensa à honra". E é assim que uma não-notícia se transforma numa notícia digna de abertura de telejornais!

o procurador-geral da república

Pinto Monteiro, Procurador-geral da República, foi paulatinamente aparecendo, ora com uma entrevista, ora com umas declarações avulso, ora com mais uma entrevista... Um ponto comum a essas aparições convenientemente medietizadas diz respeito aos despropósitos verbais, como, por exemplo, a célebre entrevista ao jornal Sol, em que ele refere que, para falar ao telefone, coloca o volume da televisão bem alto e que tem a preocupação de falar junto deste aparelho. Tudo isto passou sem grande alcance crítico, tanto do ponto de vista político (Parlamento), como da perspectiva dos diversos orgãos de soberania (por exemplo, Governo e Presidente da República).
Mas o que me começa a preocupar tem a ver com a decisão de criar uma equipa que investigue os recentes crimes na noite do Porto completamente à margem de outras investigações que, soubemo-lo hoje, já decorriam há várias semanas.
Não pode haver, no que à investigação policial diz respeito, autonomias tão díspares, em que uns acabam necessariamente por atropelar outros.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...