Escrevi já muito sobre Maria de Lurdes Rodrigues. Posso resumir toda a minha prosa numa asserção: foi uma péssima ministra da educação, sem qualquer ideia pedagógica para o sistema educativo em Portugal, sem qualquer peso político, com pouca formação democrática. Teve a habitual recompensa que alcança este tipo de gente, com a nomeação, feita pelo chefe, para presidente da Fundação Luso-Americana, substituindo um já estranho Rui Machete. Soube-se hoje que foi constituída arguida pelo ministério público, acusada de prevaricação de titular de cargo político. Supostamente, andou a enriquecer um amigo (João Pedroso) com empreitadas de ajuste direto que eram manifestamente desnecessárias. Em causa estão dois contratos de valor superior a 300 mil euros para fazer a compilação, harmonização e sistematização legislativa no domínio da educação. Tratava-se, portanto, da constituição de um grupo de trabalho que fizesse um levantamento de todas as leis publicadas sobre o setor. Nada, decerto, que não conseguisse ser consumado por alguém do interior do ministério da educação.
Lurdes Rodrigues é, naturalmente, inocente de tudo isto, até prova em contrário. Mas o tempo de nulidades convidadas tem de acabar em Portugal.
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segunda-feira, junho 20, 2011
quinta-feira, outubro 22, 2009
votos para a nova ministra
sexta-feira, novembro 21, 2008
os remendos da ministra
A pergunta que deve ser feita, no meio de toda esta nevrose educativa, é a seguinte: o que levou Maria de Lurdes Rodrigues a alterar o que até então parecia inatacável? Apesar da retórica de costume, estou em crer que esta atitude da ministra a coloca num estado de fragilidade extrema. Pior do que isso, revela que se perdeu imenso tempo numa simples teimosia. Daí que a demissão deveria ter sido o posicionamento (político e intelectual) mais honesto.
terça-feira, novembro 18, 2008
maria de lurdes rodrigues
Ouvi agora Maria de Lurdes Rodrigues admitir que o processo de avaliação de professores é complexo, burocrático, activador de trabalho excessivo nas escolas... Não entendo como é que alguém consegue defender este modelo de avaliação, o qual abarca todas estas inoperâncias práticas e estruturantes.
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quinta-feira, novembro 13, 2008
as desculpas de maria de lurdes
"Peço desculpa aos senhores professores de ter causado tanta desmotivação, mas é do interesse do país, dos alunos e das escolas. Espero que as escolas, os alunos e o país possam beneficiar desta disponibilidade dos professores para estar mais tempo na escola, é isso que eu espero".
É este tipo de frase, cínica na sua essência, que desacredita todo o edifício político do país. De facto, quando se olha para a ministra da educação declarar, com uma extraordinária candura, as desculpas aos professores pela desmotivação causada, não se vê mais do que a parte abjecta da política. Para além disso, nota-se que lhe restam já poucas, pouquíssimas saídas dignificantes deste seu cubículo infernal em que se tornou o seu ministério. Maria de Lurdes Rodrigues é, politicamente, inábil. Os seus secretários de estado são inábeis em tudo. Pelos vistos, querem afundar acreditando, sozinhos, num sistema de avaliação que ninguém aceita. É lá com eles. Mas o facto de não colocarem o lugar à disposição de Sócrates (o mínimo acto público que, nestas circunstâncias, é exigido) é revelador do perfil democrático desta gente.
É este tipo de frase, cínica na sua essência, que desacredita todo o edifício político do país. De facto, quando se olha para a ministra da educação declarar, com uma extraordinária candura, as desculpas aos professores pela desmotivação causada, não se vê mais do que a parte abjecta da política. Para além disso, nota-se que lhe restam já poucas, pouquíssimas saídas dignificantes deste seu cubículo infernal em que se tornou o seu ministério. Maria de Lurdes Rodrigues é, politicamente, inábil. Os seus secretários de estado são inábeis em tudo. Pelos vistos, querem afundar acreditando, sozinhos, num sistema de avaliação que ninguém aceita. É lá com eles. Mas o facto de não colocarem o lugar à disposição de Sócrates (o mínimo acto público que, nestas circunstâncias, é exigido) é revelador do perfil democrático desta gente.
domingo, novembro 09, 2008
a reacção de sócrates e maria de lurdes à manifestação de professores
Houvesse outra oposição, ou melhor, estivesse o PSD mais bem posicionado nas sondagens e Lurdes Rodrigues estaria já despedida deste governo socialista. Com efeito, as reacções de ambos os governantes à manifestação de professores são impensáveis num governo com um mínimo de cultura democrática. Como é possível que justifiquem este extraordinário movimento contestatário de uma classe profissional (4 em cada cinco professores aderiu à manifestação...) de "lamentável oportunismo dos partidos políticos" (Sócrates) e de que tudo não passou de uma "forma de pressionar a ministra da Educação porque é ano de eleições" e que "perante ameaças e chantagens deste tipo, a minha reacção é de uma total tranquilidade e de um sorriso" (Lurdes Rodrigues)?!... Alguém com bom senso e de boa fé acredita que, com esta adesão em massa dos professores, o processo avaliativo em curso nas escolas é, de facto, o melhor para garantir "a qualidade do sistema de ensino, que permita distinguir aqueles que são os melhores professores" (Lurdes Rodrigues)? Na verdade, o que para muitos era, de certa forma, o resultado de um programa político bem pensado para o sistema educativo português, transformou-se agora numa simples obsessão por parte da ministra e dos seus secretários de estado. Neste sentido, basta olharmos para as declarações de Maria de Lurdes Rodrigues, quando afirma, por exemplo, num apaziguamento de alma desconcertante, que "estão criadas condições institucionais e legais para que se concretize a avaliação" e que "não tem sentido para mim falar de outro modelo de avaliação" e ainda que "suspender [o processo de avaliação] significa desistir e eu não desisto”, para facilmente aferirmos que o que está aqui em causa será mais facilmente intuído dentro de uma perspectiva psicológica.
terça-feira, setembro 23, 2008
o discurso de josé sócrates em guimarães
Muito se falou do discurso que marcou a “reentré” política do Partido Socialista, em Guimarães, e que teve como principal figura José Sócrates. Eu disse principal figura? Na verdade, o primeiro-ministro lembrou-se de levar para o púlpito socialista (onde milhares de pessoas, vindas de autocarro de todo o país, aguardavam, ansiosamente, a mensagem ministerial) a Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, como símbolo maior destes quase quatro anos de governação maioritária. Para mim, foi este o facto de maior relevância no assomo socrático. O resto, foi um enchimento retórico, sem qualidade conteudística de alguma espécie, destinada a um bater de palmas quase programado, seguido, aqui e além, de uns ululantes e estridentes assobios.
À direita e à esquerda, Sócrates não deixou de espicaçar os adversários, com particular destaque para as questões sociais, designadamente o PSD que, com a sua tendência genética (ainda mais) liberal, poderá colocar em causa uma vitória nas próximas eleições. Daí as frases, venenosas: “queremos uma segurança social pública. É aqui que está a fronteira entre a esquerda e a direita, uma diferença social”! E quanto aos partidos de esquerda, que acusam José Sócrates de conduzir o país precisamente através da cartilha neoliberal (o que cola, inevitavelmente, o PS ao PSD), o orador não perdeu muito tempo, tudo em nome da modernidade, isto é, da esquerda moderna com que saiu vitorioso em 2005.
Só que foi muito mal aconselhado quando lhe disseram que a melhor companhia ministerial que podia ter em palco era Maria de Lurdes Rodrigues. Porquê? Tão simples quanto isso: a ministra da Educação espelha o que de pior tem vindo a ser feito, ao longo destes anos, na área educativa (sinceramente, pensava que tal não fosse possível). Mais: falando de uma esquerda social, José Sócrates levou para Guimarães uma ministra que tem demonstrado um longo e horripilante autismo nesta área. Basta lembramo-nos o que têm sido as suas declarações aos vários protestos dos professores a respeito, por exemplo, da questão da avaliação e da divisão absurda que foi a invenção de patamares profissionais. Ou o modo como aborda a questão dos professores contratados há longos e desesperantes anos. Por isso, as palavras laudatórias e tontas de José Sócrates à ministra, nas quais chega mesmo ao ridículo de sublinhar que “sem a determinação e coragem da ministra, não teríamos os resultados que podemos apresentar” e que “nós, socialistas, é que temos orgulho em tê-la como nossa ministra”, são reveladoras que entre a esquerda retórica (que ele, paradoxalmente, satiriza) e a “esquerda de acção” (auto-elogio socrático) vai, de facto, um grande e descomplexado passo.
À direita e à esquerda, Sócrates não deixou de espicaçar os adversários, com particular destaque para as questões sociais, designadamente o PSD que, com a sua tendência genética (ainda mais) liberal, poderá colocar em causa uma vitória nas próximas eleições. Daí as frases, venenosas: “queremos uma segurança social pública. É aqui que está a fronteira entre a esquerda e a direita, uma diferença social”! E quanto aos partidos de esquerda, que acusam José Sócrates de conduzir o país precisamente através da cartilha neoliberal (o que cola, inevitavelmente, o PS ao PSD), o orador não perdeu muito tempo, tudo em nome da modernidade, isto é, da esquerda moderna com que saiu vitorioso em 2005.
Só que foi muito mal aconselhado quando lhe disseram que a melhor companhia ministerial que podia ter em palco era Maria de Lurdes Rodrigues. Porquê? Tão simples quanto isso: a ministra da Educação espelha o que de pior tem vindo a ser feito, ao longo destes anos, na área educativa (sinceramente, pensava que tal não fosse possível). Mais: falando de uma esquerda social, José Sócrates levou para Guimarães uma ministra que tem demonstrado um longo e horripilante autismo nesta área. Basta lembramo-nos o que têm sido as suas declarações aos vários protestos dos professores a respeito, por exemplo, da questão da avaliação e da divisão absurda que foi a invenção de patamares profissionais. Ou o modo como aborda a questão dos professores contratados há longos e desesperantes anos. Por isso, as palavras laudatórias e tontas de José Sócrates à ministra, nas quais chega mesmo ao ridículo de sublinhar que “sem a determinação e coragem da ministra, não teríamos os resultados que podemos apresentar” e que “nós, socialistas, é que temos orgulho em tê-la como nossa ministra”, são reveladoras que entre a esquerda retórica (que ele, paradoxalmente, satiriza) e a “esquerda de acção” (auto-elogio socrático) vai, de facto, um grande e descomplexado passo.
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terça-feira, setembro 16, 2008
a escolaridade obrigatória
Tive inclinado para, desta vez, desculpar a Lurdes Rodrigues, ministra da educação. Com efeito, pretendia inverter o meu discurso crítico direccionando-o para os jornalistas, que inventam guerras entre estes e aqueles. Seria o caso da suposta discordância entre Cavaco Silva e Lurdes Rodrigues, quando aquele afirma, de modo categórico, que o alargamento da escolaridade obrigatória até ao 12º ano será uma inevitável realidade a curto prazo. Até que leio com mais atenção as declarações da responsável governativa: "[a escolaridade até ao 12º ano] seria um erro, prejudicaria as famílias e os alunos e não se conseguiria concretizar".
Acontece que a meta dos doze anos de escolaridade obrigatória sempre foi um entendimento aparentemente consensual entre os diversos intervenientes políticos. Mas foi preciso esta excitação toda em torno desta coisa que se chama Novas Oportunidades (não tenho, teoricamente, nada contra, antes pelo contrário) e afins para Lurdes Rodrigues inverter o seu discurso. Afinal, para quê a escolaridade obrigatória até ao 12º ano se tudo está a correr tão bem, em que o abandono precoce não é mais do que uma etapa de vida dos discentes. Até porque muitos destes conseguem o feito extraordinário de estarem simultaneamente fora e dentro do sistema educativo.
Acontece que a meta dos doze anos de escolaridade obrigatória sempre foi um entendimento aparentemente consensual entre os diversos intervenientes políticos. Mas foi preciso esta excitação toda em torno desta coisa que se chama Novas Oportunidades (não tenho, teoricamente, nada contra, antes pelo contrário) e afins para Lurdes Rodrigues inverter o seu discurso. Afinal, para quê a escolaridade obrigatória até ao 12º ano se tudo está a correr tão bem, em que o abandono precoce não é mais do que uma etapa de vida dos discentes. Até porque muitos destes conseguem o feito extraordinário de estarem simultaneamente fora e dentro do sistema educativo.
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sábado, abril 05, 2008
ministra já conhecia os dados sobre a violência
Se a ministra já conhecia os dados sobre a violência escolar que Pinto Monteiro, Procurador-geral da República (PGR), relatou há dias, os quais referem que existem alunos que levam para as escolas armas de calibre de guerra e diversos tipos de facas, por que razão, ainda há bem pouco tempo, sublinhou que, a respeito deste mesmo assunto, o "PGR fez eco da sua preocupação, mas não há motivos para isso porque a violência escolar é uma situação rara e não está impune. O que existem é situações de indisciplina e incivilidade", adiantando que não queria que fossem criminalizados "actos que têm características específicas porque acontecem no meio escolar".
Ora, as expressões de Lurdes Rodrigues são bem típicas de quem não faz parte de uma solução para todo o imbróglio em que a educação se encontra, neste momento, inserida. Na verdade, quando um responsável por uma política, seja de que ministério for, passa a ter, como principal preocupação, a disseminação das críticas a problemas (emergentes ou não) concretos, não se lhe augura, portanto, um grande futuro.
Aliás, é curioso verificarmos o discurso desta equipa ministerial e não vemos outra coisa senão discursos ocos, vazios, inertes. O exemplo da réplica que o extraordinário Valter Lemos, à margem do 9.º Fórum da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Corporativo, que ontem se realizou no Porto, esboçou (a respeito das observações que têm vindo a ser feitas à escola), serve de paradigma ao que se encontra por detrás da filosofia comunicacional e apaziguadora do ministério da educação: "está-se a fazer uma campanha totalmente imerecida porque, para a maior parte dos portugueses, não existe alternativa ao ensino público". Depois, como os jornalistas lhe pediram para ser mais preciso, responde, ao melhor estilo de Octávio Machado: "eu vejo as vossas notícias, vocês é que saberão".
Ora, as expressões de Lurdes Rodrigues são bem típicas de quem não faz parte de uma solução para todo o imbróglio em que a educação se encontra, neste momento, inserida. Na verdade, quando um responsável por uma política, seja de que ministério for, passa a ter, como principal preocupação, a disseminação das críticas a problemas (emergentes ou não) concretos, não se lhe augura, portanto, um grande futuro.
Aliás, é curioso verificarmos o discurso desta equipa ministerial e não vemos outra coisa senão discursos ocos, vazios, inertes. O exemplo da réplica que o extraordinário Valter Lemos, à margem do 9.º Fórum da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Corporativo, que ontem se realizou no Porto, esboçou (a respeito das observações que têm vindo a ser feitas à escola), serve de paradigma ao que se encontra por detrás da filosofia comunicacional e apaziguadora do ministério da educação: "está-se a fazer uma campanha totalmente imerecida porque, para a maior parte dos portugueses, não existe alternativa ao ensino público". Depois, como os jornalistas lhe pediram para ser mais preciso, responde, ao melhor estilo de Octávio Machado: "eu vejo as vossas notícias, vocês é que saberão".
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domingo, março 09, 2008
os argumentos da ministra
São extraordinários os argumentos aventados pela Ministra da Educação para justificar a sua suposta operacionalidade no ministério. Afirmar que o elevado número de professores na manifestação "não é relevante", ou que "desistir tem sido a prática comum ao menor protesto, à menor insatisfação" e que "o país não tem escolha", revela um perfil desapropriado, incoerente com o que se pretende de um ministro com uma pasta tão sensível como a da educação. Na verdade, Maria de Lurdes Rodrigues, com estas afirmações, não revela absolutamente nada, isto é, não desenha alternativas para os pontos mais críticos da avaliação dos professores. Mas também não é só a avaliação que está em causa - convém nunca esquecer este dado -, pois a manifestação foi o culminar de uma insatisfação que começou a emergir quando, burocraticamente, esta equipa se lembrou de dividir artificial e injustamente os professores, com a invenção forçada dos professores titulares.
sexta-feira, março 07, 2008
maria de lurdes rodrigues
Afirmar que a manifestação de professores que amanhã será apresentada em Lisboa está partidarizada é uma verdadeira patetice. Por duas razões:
A primeira diz respeito à própria essência da política. Por isso, é óbvio que a manifestação está partidarizada. E ainda bem! Os partidos existem para representar a sociedade civil. Se eu fosse líder de algum partido da oposição e não concordasse com a política deste ministério, a minha obrigação seria precisamente partidarizar (também) esta questão, a qual é, aliás, transversal à sociedade.
A segunda razão tem a ver com o conhecimento que a ministra revela da classe docente. É que se existe classe profissional em que existe efectivamente uma apartidarização (ou mesmo uma perspectiva apolítica do modo de encarar a "coisa pública") é precisamente a dos professores.
Mas, pelos vistos, vislumbra-se, a este nível, uma mudança positiva. E tudo por vontade (mas aqui inconsciente) da Maria de Lurdes Rodrigues.
A primeira diz respeito à própria essência da política. Por isso, é óbvio que a manifestação está partidarizada. E ainda bem! Os partidos existem para representar a sociedade civil. Se eu fosse líder de algum partido da oposição e não concordasse com a política deste ministério, a minha obrigação seria precisamente partidarizar (também) esta questão, a qual é, aliás, transversal à sociedade.
A segunda razão tem a ver com o conhecimento que a ministra revela da classe docente. É que se existe classe profissional em que existe efectivamente uma apartidarização (ou mesmo uma perspectiva apolítica do modo de encarar a "coisa pública") é precisamente a dos professores.
Mas, pelos vistos, vislumbra-se, a este nível, uma mudança positiva. E tudo por vontade (mas aqui inconsciente) da Maria de Lurdes Rodrigues.
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segunda-feira, março 03, 2008
vital moreira e os (seus) cálculos da reforma educativa
Escrevi aqui um post relativamente aos aliados de Maria Lurdes Rodrigues. Esqueci-me (imperdoável) de Vital Moreira. No entanto, ele hoje fez com que me redimisse dessa minha falha ao escrever, em Causa Nossa, um post manifestando o seu empenhamento proactivo na distinção das políticas reformistas do ministério da educação. É simplesmente mais um que desenvolve raciocínios panegíricos sobre a personagem. Vale a pena transcrevê-lo:
"Há quem tenha a ilusão de que uns milhares de professores na rua arrastam a demissão da ministra da educação. Não se dão conta de duas coisas elementares: (i) Maria de Lurdes Rodrigues já deu sobejas provas de que não se deixa impressionar pela contestação; (ii) Sócrates nunca poderia ceder aos protestos de uma classe profissional, ainda por cima sem apoios na população em geral.De resto, para além de justa em si mesma, a reforma da educação rende mais votos do que os que faz perder..."
O título do post não podia ser mais adequado e ilusoriamente realista: Ilusões.
"Há quem tenha a ilusão de que uns milhares de professores na rua arrastam a demissão da ministra da educação. Não se dão conta de duas coisas elementares: (i) Maria de Lurdes Rodrigues já deu sobejas provas de que não se deixa impressionar pela contestação; (ii) Sócrates nunca poderia ceder aos protestos de uma classe profissional, ainda por cima sem apoios na população em geral.De resto, para além de justa em si mesma, a reforma da educação rende mais votos do que os que faz perder..."
O título do post não podia ser mais adequado e ilusoriamente realista: Ilusões.
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sábado, março 01, 2008
os aliados de lurdes rodrigues
Basta lermos com alguma atenção a imprensa generalista para facilmente descortinarmos que Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da educação, conseguiu granjear - o que nem sempre é fácil - o apoio (importante) de muitos jornalistas, os quais, por serem justamente considerados bons jornalistas, adquirem, por vezes, pontos de vista incompreensivelmente irracionais. Curiosamente, todos eles (cito, rapidamente, três: Sousa Tavares, Fernando Madrinha e Henrique Monteiro) discorrem do alto de uma espécie de torre de marfim, em que o professor é alguém que claramente se encontra uns degraus abaixo desses seus castelos emoldurados (um exemplo que agora me ocorreu diz respeito ao problema da empregabilidade: estes três profissionais da imprensa escrita
são unânimes no que consideram que as pessoas devem ter consciência que o emprego para toda a vida acabou. Logo eles que trabalham no mesmo emprego há vinte, trinta anos...).
são unânimes no que consideram que as pessoas devem ter consciência que o emprego para toda a vida acabou. Logo eles que trabalham no mesmo emprego há vinte, trinta anos...).Ora quando a defesa das suas teses adquire tons de alguma intolerância argumentativa, como a que podemos observar na coluna que Fernando Madrinha tem no Expresso, a discussão deixa de ser possível, pois os argumentos invocados não são mais do que expressões de estados de alma e estes, como obviamente se apreende, pouco valem no que concerne a uma discussão com conhecimento de causa. Basta olharmos para o que Fernando Madrinha diz de Maria de Lurdes Rodrigues:
- "Explica-as [as políticas] com desarmante serenidade no meio da gritaria à sua volta, como se viu no Prós e Contras".
- "Perante todos, a ministra respondeu com a segurança de quem age segundo a sua consciência e convicta da correcção das decisões que toma."
- "O país não pode dar-se ao luxo de eliminar todos os que têm a coragem de tentar mudar o que está mal."
- "o conjunto de iniciativas que tomou (...) são uma revolução no modo de encarar o trabalho na escola."
- "ela rompeu com uma paz podre"
- "[pessoas como] Ana Benavente ainda se permitam a desfaçatez de vir a público criticar a ministra."
A pergunta é óbvia: o que é que Fernando Madrinha acrescenta, com estes pontos de vista (legítimos, naturalmente) à discussão? Nada. Absolutamente nada.
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terça-feira, fevereiro 26, 2008
lurdes rodrigues no prós e contras
Chega a ser confrangedor a incapacidade da ministra da educação nas questões que dizem respeito à... educação. Quando muito, Lurdes Rodrigues desempenha um papel proactivo em parâmetros administrativos, de regulação de normas burocráticas e afins. Agora naquilo que concerne ao verdadeiro fim de todo o projecto educativo (que passa incontornavelmente pela junção de variadas valências de uma comunidadade escolar, como, por exemplo, o aluno, o professor, a sala de aula, a escola...), a presente ministra revela-se cada vez mais como uma ministra a prazo.
quarta-feira, janeiro 09, 2008
correia de campos e maria de lurdes rodrigues: os ministros sintomatológicos
Segunda feira, no programa da RTP Prós e Contras, o ministro da saúde Correia de Campos, ocorreu várias vezes ao impetuoso imperativo "cale-se" para que o seu opositor no debate o deixasse desenvolver o seu raciocínio. Na Assembleia da República, no dia 8 de Janeiro, a extraordinária ministra da educação, Maria de Lurdes Rodrigues, acusou os deputados de "má-criação" (vide DN), ameaçando algumas vezes que abandonaria os trabalhos se as interpelações dos deputados continuassem.
Estes episódios, caricatos, são, no entanto, sintomatológicos sobre a áurea psíquica que paira no interior do executivo. Convém lembrar (sempre) a estes ministros que o facto de ocuparem estes cargos com maioria absoluta não os promove de maneira nenhuma a uma espécie de cidadãos intocáveis no que diz respeito à sua suposta sapiência. Por outro lado, estes ministros, notoriamente marcados pela opinião pública (custou, no caso da Maria de Lurdes Rodrigues), têm de se consciencializar que a pressão que sobre eles recai é o resultado de vivermos há mais de trinta anos num regime que se quer cada vez mais democrático. Ora o aprofundamento da democracia só se faz com a intervenção cada vez mais activa (ou proactiva, vocábulo muito em voga) dos cidadãos e do desenvolvimento de espaços comunicacionais cada vez mais orientado para o contraditório. Por isso, saber viver sob a pressão de uma demissão iminente é também sintoma da boa assunção de princípios civilizacionais pertinentes (aos ditadores, por exemplo, estes princípios não se ajustam). Deste modo, a sintomatologia destes ministros é também um sinal evidente que o executivo no seu todo não se adapta a critérios que em democracia são tão naturais como o ar que respiramos.
Só falta ouvirmos da boca de Cavaco Silva a acusação (implícita, como convém) que vivemos numa espécie de ditadura da maioria (ou a fomentação dos famosos tiques ditatoriais).
Estes episódios, caricatos, são, no entanto, sintomatológicos sobre a áurea psíquica que paira no interior do executivo. Convém lembrar (sempre) a estes ministros que o facto de ocuparem estes cargos com maioria absoluta não os promove de maneira nenhuma a uma espécie de cidadãos intocáveis no que diz respeito à sua suposta sapiência. Por outro lado, estes ministros, notoriamente marcados pela opinião pública (custou, no caso da Maria de Lurdes Rodrigues), têm de se consciencializar que a pressão que sobre eles recai é o resultado de vivermos há mais de trinta anos num regime que se quer cada vez mais democrático. Ora o aprofundamento da democracia só se faz com a intervenção cada vez mais activa (ou proactiva, vocábulo muito em voga) dos cidadãos e do desenvolvimento de espaços comunicacionais cada vez mais orientado para o contraditório. Por isso, saber viver sob a pressão de uma demissão iminente é também sintoma da boa assunção de princípios civilizacionais pertinentes (aos ditadores, por exemplo, estes princípios não se ajustam). Deste modo, a sintomatologia destes ministros é também um sinal evidente que o executivo no seu todo não se adapta a critérios que em democracia são tão naturais como o ar que respiramos.
Só falta ouvirmos da boca de Cavaco Silva a acusação (implícita, como convém) que vivemos numa espécie de ditadura da maioria (ou a fomentação dos famosos tiques ditatoriais).
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