Há palavras que matam, ou que ofendem, ou que simplesmente têm a força do riso (e da consequente ironia). (Eduardo Catroga anda agora pelo Brasil e faz bem manter-se por lá durante uns tempos.) Teixeira dos Santos, ao afirmar, hoje, em Bruxelas, à entrada para uma reunião de ministros das Finanças da União Europeia, que Portugal está numa posição confortável obedece a este princípio da sandice política. Não importa o contexto, desculpa demasiadamente invocada por estas personagens. O que o futuro ex-ministro das finanças disse é que Portugal está numa posição confortável face ao programa ambicioso, bastante abrangente e também ajustado oriundo da troika FMI-UE-BCE.
Confortável seria estarmos noutra, completamete divergente da situação atual. Isso sim seria vivermos confortavelmente enquanto país e enquanto cidadãos livres.
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segunda-feira, maio 16, 2011
quinta-feira, maio 05, 2011
a comunicação de teixeira dos santos
Teixeira dos Santos comunicou ao país o que José Sócrates, anteontem, silenciou. E o que ficamos a saber resume-se a uma vida muito difícil nos próximos três anos, com aferições periódicas trimestrais de equipas da troika. Ficamos também a saber que o empréstimo de 78 mil milhões não será suficiente para sairmos dos mercados. O que quer dizer que esta retoma aos mercados acrescentará mais dificuldades à economia portuguesa.
Foi também interessante o início do discurso de Teixeira dos Santos, ao afirmar que o programa foi assumido pelo governo com a colaboração da troika. Eu pensava que tinha sido o contrário.
adenda: Teixeira dos Santos desmitificou o pec4, quando afirmou que este programa de ajuda externa assenta naquela proposta de austeridade chumbada pela oposição, mas com aprofundamentos, dando assim razão àqueles que diziam que depois do quatro vinha o quinto e depois do quinto, o sexto.
Foi também interessante o início do discurso de Teixeira dos Santos, ao afirmar que o programa foi assumido pelo governo com a colaboração da troika. Eu pensava que tinha sido o contrário.
adenda: Teixeira dos Santos desmitificou o pec4, quando afirmou que este programa de ajuda externa assenta naquela proposta de austeridade chumbada pela oposição, mas com aprofundamentos, dando assim razão àqueles que diziam que depois do quatro vinha o quinto e depois do quinto, o sexto.
quinta-feira, abril 21, 2011
teixeira dos santos
Teixeira dos Santos bem pode afirmar que se soubesse o que sabe hoje, teria feito muita coisa diferente. E uma delas - talvez a mais importante (para si e para o país) - seria decerto apresentar atempadamente o seu pedido de demissão ao primeiro-ministro, o que já foi há muito defendido aqui e aqui. No entanto, deixou-se enredar na enevoada rede socratista-partidária. Ao que consta, não foi convidado pela direção do PS para deputado. Vieira da Silva, seu apaniguado colega no Governo, justificou assim a coisa: "não se colocou a questão de Teixeira dos Santos ser convidado para integrar as listas do PS. Um partido faz sempre opções. São convidadas umas centenas de pessoas e muitos milhares não são convidadas".
Aprende-se muito com esta gente.
Aprende-se muito com esta gente.
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segunda-feira, outubro 18, 2010
as aparências
Li somente o título. E afigura-se esclarecedor para os "mercados externos". Num tempo de pruridos e puritanismos discursivos, a citação de Teixeira dos Santos que titula a primeira página do Público de ontem põe de parte qualquer teoria das aparências para o exterior. O nosso responsável maior das finanças (Cavaco vive lá no Olimpo) disse simplesmente isto: "não vejo por onde ir se os mercados exigirem mais". É, sem dúvida, uma bela frase veiculadora de um ânimo francamente exportável.
sábado, outubro 09, 2010
o desgastado teixeira dos santos
Diz Teixeira dos Santos em entrevista ao Expresso: "A questão que se coloca agora não é a de saber se as medidas deviam ter sido tomadas há mais tempo ou não mas perceber qual vai ser a nossa atitude perante estas medidas". Pois é. Foi este mesmo pragmatismo (o de ganhar eleições primeiro) que o faz afirmar agora, desassombradamente, que o que lá vai, lá vai. O importante, agora, é a nossa atitude. Acerta, portanto, pois a dele já sabemos qual foi. Ou ficamos a saber.
quinta-feira, junho 03, 2010
o retroactivo teixeira dos santos
Sigo a linha de pensamento de António Pina hoje no Jornal de Notícias sobre o princípio avocado por Teixeira dos Santos que tem em conta uma suposta retroactividade fiscal. Acontece que a Constituição da República preconiza o seu oposto, isto é, o princípio da não retroactividade fiscal. Mas para o nosso ministro das finanças este paradigma constitucional não é um "valor absoluto", nem se sobrepõe ao bem público. Acontece que, por princípio, qualquer Constituição é uma espécie de reorganização social imposta politicamente, onde a lei "natural" é pois substituída por normas de funcionamento reguladoras. E é este regulador que desenvolve laços referenciais duradouros. Se é certo que o texto constitucional pode e deve ser alterado de acordo com a vontade do povo (princípio no qual já se baseava a Constituição Francesa de 1793), não me parece que um ministro das finanças tenha qualquer espécie de prerrogativa que lhe permita uma reinterpretação conveniente.
sexta-feira, abril 30, 2010
canduras
O tempo é de crise e a crise não costuma ser tempo de grandes convergências. Exemplo disso é o óbvio desencontro entre o Ministro das Obras Públicas, que continua a apostar nas obras emblemáticas, como o TGV e o Aeroportode Lisboa e o Ministro das Finanças, o qual parece ter refreado o conceito Keynesiano na aposta desenfreada do investimento público, mesmo que este não tenha, como parece ser o caso da linha TGV Lisboa-Madrid, jamais retorno financeiro suscetível de equilibrar o investimento feito.
Entretanto, as sondagens vão surgindo e os medos emergindo. O PS é, agora, um partido em claro declínio. Vai perder as próximas eleições legislativas, sejam elas antecipadas ou não. A não ser, é claro, que mude de candidato a primeiro-ministro. Agindo deste modo, dava um sinal claro de revitalização partidária. Os líderes só são "eternos" em ditadura. Na verdade, o invencível Sócrates está esgotado e, com ele, todos os ministros que há muito percorrem os corredores da administração. Teixeira dos Santos é um deles. Ouvindo-o, anota-se o titubear do registo discursivo, a confusão da ideias, o paradigma distorcido. O apoio à Grécia resolvido em Conselho de Ministro foi transmitido por Teixeira dos Santos do seguinte modo: a matéria deve envolver o país (restantes partidos parlamentares, presume-se) e, por isso, não deve apenas ser decidido pelo Governo. Extraordinário! Então uma ajuda de 700 milhões de euros a um país da União que atravessa gravíssimos problemas financeiros é caso de união parlamentar; mas investimentos de milhares de milhões de euros são casos de união socialiasta...
Entretanto, as sondagens vão surgindo e os medos emergindo. O PS é, agora, um partido em claro declínio. Vai perder as próximas eleições legislativas, sejam elas antecipadas ou não. A não ser, é claro, que mude de candidato a primeiro-ministro. Agindo deste modo, dava um sinal claro de revitalização partidária. Os líderes só são "eternos" em ditadura. Na verdade, o invencível Sócrates está esgotado e, com ele, todos os ministros que há muito percorrem os corredores da administração. Teixeira dos Santos é um deles. Ouvindo-o, anota-se o titubear do registo discursivo, a confusão da ideias, o paradigma distorcido. O apoio à Grécia resolvido em Conselho de Ministro foi transmitido por Teixeira dos Santos do seguinte modo: a matéria deve envolver o país (restantes partidos parlamentares, presume-se) e, por isso, não deve apenas ser decidido pelo Governo. Extraordinário! Então uma ajuda de 700 milhões de euros a um país da União que atravessa gravíssimos problemas financeiros é caso de união parlamentar; mas investimentos de milhares de milhões de euros são casos de união socialiasta...
quinta-feira, maio 21, 2009
o ponto de viragem
É uma tentação. Ainda para mais quando se aproximam eleições. Já Santana Lopes caiu nela, tal como o ministro Pinho e outros antes destes. Agora, foi a vez de Teixeira dos Santos, Ministro das Finanças, não resistir. Declarou que estamos num ponto de viragem. Da crise, entenda-se. O que esta gente não alcança, definitivamente, entender é que a crise, muito mais que meros indicativos numéricos, tem a ver com outro género de realidades. Assim, no mesmo dia em que o Ministro das Finanças afiançava o ponto de viragem, na Autoeuropa pairava a sombra da deslocalização e da não renovação de mais de duzentos contratos a prazo. O mesmo se passa com o avolumar do número de desempregados (e dos trabalhadores precários) que todos os dias teimam em contrariar qualquer efémera esperança de um nivelamento socio-profissional. A crise é muito mais do que números. Foi assim que Guterres ganhou umas legislativas. As pessoas não são números, lembram-se?
(publicado no Público,em 26/05/2009)
(publicado no Público,em 26/05/2009)
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