Paulo Portas defendeu a nomeação de Castello-Branco, ex-vice presidente da Câmara do Porto, para a administração da empresa Águas de Portugal. Não foi, no entanto, muito criativo na sua argumentação. "É uma pessoa muito qualificada", diz o ministro dos negócios estrangeiros. No entanto, Portas esbarra contra uma parede de palha quando toma uma - esta sim, inovadora - singular defesa do norte (este homem não é do norte...): "a menos que seja por uma questão de xenofobia contra o Norte". Onde já se viu Paulo Portas com este tipo de discurso? Não me recordo. O que verdadeiramente sobressai, nesta desarrazoada declaração - acoplada a outras do mesmo teor de outros membros do Governo, a começar pelo próprio Passos Coelho, um primeiro-ministro cada vez mais notoriamente impróprio para o cargo que ocupa - é o desprovimento de decência política do executivo.
O tempo que vivemos não se deve limitar, no que à ética diz respeito, aos voos em económica nem às "desgravatadas" decisões da ministra Cristas. Deveria ser um tempo de mudança de mentalidade. E estou cada vez mais convencido que será o povo a iniciar mais esta revolução.
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quinta-feira, janeiro 12, 2012
quinta-feira, abril 21, 2011
efémeras vaidades políticas
O PSD tem andado discordante. A principal razão liga-se à escolha de Fernando Nobre para presidente da Assembleia da República. Neste sentido, António Capucho tornou pública a sua rejeição para ser vice-presidente do Parlamento. E o seu principal argumentário é autopanegírico, como se pode aferir nesta interessante carta publicada nos jornais: "Mas não poderia aceitar ser Vice-Presidente de Fernando Nobre por uma questão de coerência. Se o Partido deseja a minha candidatura ao Parlamento não pode ignorar - desculpem a imodéstia - que fui Vice-Presidente do Parlamento Europeu, Ministro dos Assuntos Parlamentares e Líder Parlamentar, para além de todos os outros cargos que o meu curriculum atesta. Fui cabeça de lista em Setúbal e em Faro, ganhei eleições para o Parlamento Europeu contra o PS com João Cravinho, e obtive por três vezes mais de 50% dos votos nas eleições para a Câmara de Cascais."
Só gostaria de lembrar que o último cargo político ativo de Soares foi o de deputado europeu pelas listas do PS. Quando se fala da falta de qualidade (nível) dos políticos europeus atuais comparativamente aos que os precederam são também estas pequenas grandes coisas que se evocam.
Só gostaria de lembrar que o último cargo político ativo de Soares foi o de deputado europeu pelas listas do PS. Quando se fala da falta de qualidade (nível) dos políticos europeus atuais comparativamente aos que os precederam são também estas pequenas grandes coisas que se evocam.
teixeira dos santos
Teixeira dos Santos bem pode afirmar que se soubesse o que sabe hoje, teria feito muita coisa diferente. E uma delas - talvez a mais importante (para si e para o país) - seria decerto apresentar atempadamente o seu pedido de demissão ao primeiro-ministro, o que já foi há muito defendido aqui e aqui. No entanto, deixou-se enredar na enevoada rede socratista-partidária. Ao que consta, não foi convidado pela direção do PS para deputado. Vieira da Silva, seu apaniguado colega no Governo, justificou assim a coisa: "não se colocou a questão de Teixeira dos Santos ser convidado para integrar as listas do PS. Um partido faz sempre opções. São convidadas umas centenas de pessoas e muitos milhares não são convidadas".
Aprende-se muito com esta gente.
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terça-feira, abril 19, 2011
plafonamentos nas reformas públicas
Passos Coelho acordou hoje para a questão dos tetos nas reformas públicas. Em Espanha, diz o líder do PSD, não existe nenhuma reforma pública superior a 2500 euros. Teve de imediato a resposta do PS, numa apagadíssima segunda linha, acusando-o de querer privatizar a segurança social e implementar um regime profundamente neoliberal.
Este episódio é claramente revelador do modo como se vão desenrolar a pré-campanha e campanha eleitorais. O grau zero da clarificação política será a norma e não a execeção. Valer-nos-á, porventura, a troika para acreditarmos em alguém, em alguma coisa.
Este episódio é claramente revelador do modo como se vão desenrolar a pré-campanha e campanha eleitorais. O grau zero da clarificação política será a norma e não a execeção. Valer-nos-á, porventura, a troika para acreditarmos em alguém, em alguma coisa.
sábado, maio 08, 2010
obras emblemáticas adiadas
Não é que mudar de opinião seja sinónimo de alguma espécie de fraqueza. Em política (como, aliás, em tudo na vida) pode até configurar uma atitude inteligente. A questão é outra e tem a ver com a própria comunicação política. Há uma semana atrás, ouvindo o primeiro-ministro a respeito deste tema, o que resultava era qualquer coisa como isto: o adiamento destas empreitadas não é solução; é tempo de Portugal respeitar os compromissos inadiáveis que são a base de desenvolvimento do país. Hoje, porém, é o oposto o que ele diz, embora - coisa extraordinária! - ele diga que não, que não existe contradição, que defende os mesmos princípios de investimentos públicos.
Como é possível defender veementemente uma ideia e o seu oposto em simultâneo, sem que a máscara diáfana da fantasia se obscureça? Quais as consequências que estes tipos de acções originam na política? Não estaremos, com estes políticos (poderia acrescentar uns tantos, desde o PC ao CDS-PP), num crescendo de desacreditação política? Andarão a política e a falsidade de mãos dadas?
Não sei, sinceramente, responder a estas perguntas, provavelmente retóricas. Mas conjecturo, sem qualquer presunção, que os estados de alma destes senhores não são compagináveis com aquilo que a política, na sua génese, representa.
Como é possível defender veementemente uma ideia e o seu oposto em simultâneo, sem que a máscara diáfana da fantasia se obscureça? Quais as consequências que estes tipos de acções originam na política? Não estaremos, com estes políticos (poderia acrescentar uns tantos, desde o PC ao CDS-PP), num crescendo de desacreditação política? Andarão a política e a falsidade de mãos dadas?
Não sei, sinceramente, responder a estas perguntas, provavelmente retóricas. Mas conjecturo, sem qualquer presunção, que os estados de alma destes senhores não são compagináveis com aquilo que a política, na sua génese, representa.
terça-feira, setembro 08, 2009
falar verdade na Madeira
Não sei o que se passa na cabeça dos políticos quando visitam a Madeira. O que sei é que ficam de tal modo destemperados que, invariavelmente, iniciam um rol de articulações verbais disparatadas. Jaime Gama, numa das suas visitas oficiais enquanto Presidente da Assembleia da República, foi ao ponto de evocar o Presidente Jardim como o exemplo supremo do político democrático. Cavaco Silva, que tem um posicionamento político-social que se encontra nos antípodas de Alberto João Jardim, foi extrovertidamente encomiástico, há pouco mais de um ano, quando realizou uma visita de cinco dias ao arquipélago, sublinhando que Jardim é uma referência incontornável e um “impulsionador decisivo da nova face da Madeira” e que (talvez por isso) não precisava de elogios porque a sua obra (sempre a obra!) falava por ele. Agora foi a vez de Manuela Ferreira Leite que, já em campanha, afirmou que jamais poderia não visitar a ilha, um exemplo de governação social democrata. Entusiasmou-se e explicou que, afinal, asfixia democrática é um mero conceito virtual na Madeira e real no continente.
Por sua vez, o PS, através do seu extraordinário porta-voz, João Tiago Silveira, não deixou escapar esta pérola argumentativa e, em resposta imediata, convocou os jornalistas para lhes transmitir que é, afinal, na Madeira que se vive uma asfixia democrática. Enumerou cinco virtuosos exemplos da democracia madeirense: o impedimento da entrada do deputado do PND na Assembleia Regional, a visita de Cavaco Silva sem sessão solene na mesma assembleia, a qual deixou de comemorar o 25 de Abril, o congresso do PSD Madeira que Alberto João Jardim fechou à comunicação social e o financiamento com dinheiro públicos do Jornal da Madeira, onde o próprio Jardim assina uma coluna de opinião.
Surpreende-me este tipo de agilidade argumentativa. Afinal, com tantos e graves problemas esconjurados pelo porta-voz do partido que apoia o governo na Assembleia da República, torna-se legítimo perguntar por que razão é que nuca houve, por parte do PS, um agendamento parlamentar que visasse o combate a este tipo de despotismo tão extravagantemente anunciado por João Silveira? Deste modo, ficámos a saber que a nossa democracia vive, airosa e despreocupadamente, com duas verdades: uma, a proclamada; outra, a vivida. Pelo menos, quando se aterra na Madeira, as proclamações ficam em casa, isto é, no continente.
Por sua vez, o PS, através do seu extraordinário porta-voz, João Tiago Silveira, não deixou escapar esta pérola argumentativa e, em resposta imediata, convocou os jornalistas para lhes transmitir que é, afinal, na Madeira que se vive uma asfixia democrática. Enumerou cinco virtuosos exemplos da democracia madeirense: o impedimento da entrada do deputado do PND na Assembleia Regional, a visita de Cavaco Silva sem sessão solene na mesma assembleia, a qual deixou de comemorar o 25 de Abril, o congresso do PSD Madeira que Alberto João Jardim fechou à comunicação social e o financiamento com dinheiro públicos do Jornal da Madeira, onde o próprio Jardim assina uma coluna de opinião.
Surpreende-me este tipo de agilidade argumentativa. Afinal, com tantos e graves problemas esconjurados pelo porta-voz do partido que apoia o governo na Assembleia da República, torna-se legítimo perguntar por que razão é que nuca houve, por parte do PS, um agendamento parlamentar que visasse o combate a este tipo de despotismo tão extravagantemente anunciado por João Silveira? Deste modo, ficámos a saber que a nossa democracia vive, airosa e despreocupadamente, com duas verdades: uma, a proclamada; outra, a vivida. Pelo menos, quando se aterra na Madeira, as proclamações ficam em casa, isto é, no continente.
quinta-feira, março 26, 2009
as sobras
Se a lei o permitia, Isaltino está, quanto a esta acusação, ilibado. Mas é muito interessante debruçarmo-nos um pouco nisto: como foi possível esta abrangência legal, a qual permitia que um candidato autárquico ficasse com os restos dos donativos da campanha eleitoral? No caso de Isaltino Morais são sobras de 400 mil euros que foram colocados num banco suíço. Como Isaltino desavergonhadamente afirma, foi uma prática corrente (porque legal) de muitos candidatos autarcas. O que se faz em nome da legalidade!
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